DÚVIDAS

Combater / combaterem
Antes de mais nada, parabéns e obrigado pelo excelente serviço prestado. Em uma das respostas de Ciberdúvidas está a seguinte frase: 'O papel dos defensores da manutenção da maior pureza possível da linguagem falada e escrita (vulgarmente chamados caturras e gramaticões) é o de combaterem os erros, os desvios do "bom uso" da sua língua no período em que vivem.' Não seria mais correto dizer "o papel dos defensores... é o de combater os erros..."? Outra coisa: fiz o uso correto das reticências? Grato.
“Rechamada”, de novo
Gostaria de esclarecer os Srs. A. Tavares Louro e Evandro Cartaxo que a palavra “rechamada” é usada frequentemente na área das telecomunicações em Portugal. A situação descrita pelo Sr. Evandro Cartaxo pode surgir nos manuais de funcionalidades/facilidades de centrais telefónicas como “rechamada automática sobre telefone ocupado”. Por outras palavras e exemplificando: se eu efectuar uma chamada para alguém que tenha o telefone ocupado, posso activar a rechamada automática que me avisará, por um toque telefónico, logo que esse alguém desligar a chamada em curso. Assim que eu levantar o meu auscultador, a central telefónica automaticamente fará tocar o telefone que esteve ocupado. Isto é diferente do que o Sr. A. Tavares Louro propõe, uma vez que não se trata de busca ou pesquisa, mas de uma repetição atempada da chamada. Saliento apenas que o referido manual de facilidades das centrais telefónicas é distribuido aos normais utilizadores de aparelhos telefónicos, sendo que estes, normalmente, não são técnicos de telecomunicações. Espero que o termo seja esclarecedor da funcionalidade/facilidade descrita.
Não + pronome o: «Não no pode estorvar» (Camões)
Algumas ocorrências que encontrei de pronomes oblíquos átonos arcaicos: «Que estais no céu, santificado... Não no disse eu, menina? Seja o vosso nome…» (Almeida Garrett) «Ele ou é trova, ou latim muito enrevezado, que eu não no entendo.» (Almeida Garrett) «Via estar todo o Céu determinado / De fazer de Lisboa nova Roma; / Não no pode estorvar, que destinado / Está doutro Poder que tudo doma.» (Camões) «O favor com que mais se acende o engenho / Não no dá a pátria, não, que está metida…» (Camões) «Ora sabei, padre Fr. João, que eu bem no supunha, bem no esperava; mas parecia-me impossível, sempre me parecia impossível que viesse a acontecer.» (Eça de Queirós) «A culpa de se malograrem estes sublimes intentos quem na tem é a sociedade…» (Camilo Castelo Branco) «Parentes, amigos, nem visitas nenhumas parecia não nas ter.» (Almeida Garrett) Há alguma explicação para o uso da consoante n antes dos oblíquos átonos? Muito obrigado!
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa