DÚVIDAS

Análise da frase «assistir àquilo foi a gota de água»
Na frase «Depois de todo o terror, assistir àquilo foi a gota de água», o termo «a gota de água» é sujeito ou predicativo do sujeito do termo «assistir àquilo»? É possível, no predicativo de um sujeito oracional, haver artigo? Se for invertido assim «A gota de água foi assistir àquilo»,neste último caso, o termo «a gota de água» é sujeito? Obrigado.
A preposição de + oração de infinitivo: «de comer»
Eu li na gramática de Bechara (2018) que orações reduzidas de infinito como: «Eu estive com fome, e deste de comer.» «Eu estive com sede, e me deste de beber.» são orações adverbiais de finalidade, pois é como se dissesse: «Eu estive com fome e me deste algo para que eu comesse.» «Eu estive com sede, e me deste algo para que eu bebesse.» Mas o que eu gostaria de saber o porquê de estas orações reduzidas de infinitivo virem antecedidas da preposição de e assumirem um valor de oração adverbial de finalidade. O motivo seria por causa do verbo dar + de + (verbo no infinito)? Seria por causa da antonímia entre as palavras que norteiam o período: fome × comer, sede × beber? Eu realmente não sei. Desde já, fico agradecido pela resposta.
Grau de doutora, mais uma vez
Sou funcionária numa instituição universitária e, como soube que, de acordo com o Ciberdúvidas, o correcto para as mulheres não é o grau de doutor, mas o de doutora, comuniquei isso a um colega que não tinha a certeza como se dizia em relação a uma doutorada. O resultado não foi o melhor, porquanto um membro do Conselho Directivo, cuja formação não é linguística, mas que telefonou a um professor da especialidade, disse que grau de doutora não passava de um disparate, porque grau é masculino. O meu colega ainda argumentou que cargo também é masculino e, apesar disso, temos o cargo de ministra, mas foi reiterado o epíteto de disparate (para cargo de ministra) e dada indicação para proceder em conformidade. Assim, escreveu que determinada senhora obteve o grau de doutor. Não sei se o argumento de que doutor concorda com grau foi dado pelo professor de linguística ao membro do Conselho Directivo ou se foi este que o inventou, pois o meu colega não quis falar mais no assunto. Seja como for, o que eu pergunto é se o referido argumento tem razão de ser.
O Acordo Ortográfico e os dicionários brasileiros de português
Os dicionários de português portugueses também poderão ser usados no ensino público do Brasil, em substituição dos brasileiros, pelos alunos que assim o desejarem? Em Portugal, os alunos que optarem pelos dicionários de português brasileiros poderão, na escrita e nos exames escritos, usar os vocábulos conformes às ortografias e acentuações dos ditos dicionários? Isto é: patrimônio e não património, moleque e não rapaz, dilatar e não eliminar, etc.; ou alternar no decurso do texto ora uns ora outros, por exemplo: «Eu vi dois moleques. Mas o meu irmão afirma que viu três rapazes.» «Este fato ultrapassa-me, porque de facto não tenho a certeza», etc. É o fim dos brasileirismos? Os meus sinceros agradecimentos. 
«Fazer uma pirueta» vs. «dar uma pirueta»
Estou com dúvidas quanto ao modo de introduzir a palavra pirueta numa frase. «Damos uma pirueta», ou «fazemos uma pirueta»? À semelhança de uma cambalhota ou de um salto mortal, por exemplo, «daria» uma pirueta; mas, por outro lado, trata-se de uma figura que se apresenta, daí que também me parece aceitável dizer que se «faz» uma pirueta. Qual é a correcta? Muito obrigado.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa