«Sabes porque é que isso...»
«Sabes isso porque é que é?»
A minha dúvida é se esta frase está correcta, ou se correcta será «sabes porque é que isso é?»
Ou até se estão a duas correctas.
Merologia
Os vários dicionários de português registam «merologia» e não «mereologia», o que me parece errado. É sobre isso que procuro esclarecimento: Os três motivos que me levam a defender «mereologia» contra «merologia» são os seguintes:
1. A origem grega da palavra (meros+logos) é semelhante à origem de «teleologia» (telos+logos); 2. A palavra inglesa correspondente é «mereology»; 3. A definição comum a todos os dicionários portugueses está errada, ou corresponde a outro conceito que não o de mereologia. A mereologia não é um «tratado elementar de qualquer ciência ou arte» (Dicionário da Porto Editora; os outros apresentam definições equivalentes), mas antes a ciência formal que estuda as relações lógicas entre as partes e o todo. O tipo de questões que esta ciência ou subdisciplina filosófica enfrenta é o seguinte: que propriedades das partes de um todo são também propriedades do todo (e vice-versa) e que propriedades das partes de um todo não são propriedades do todo (e vice-versa)?
O regionalismo esgalfo (região de Aveiro)
Ouvia, por vezes, o meu avô Alcino dizer que estava "esgalfo". Pensei sempre que quisesse dizer que estava esfomeado.
A verdade é que agora não encontro o significado da palavra "esgalfo", como se não existisse...
Será que de facto não existe e eu ouvia-a sendo outra a palavra proferida pelo meu avô? Será que me podem esclarecer?
Bem hajam.
Falamos, perguntamos e respondemos
As perguntas dos consulentes do Ciberdúvidas revelam as eternas e tão quotidianas preocupações de quem fala uma língua com grandes tradições culturais de novecentos anos. Foi o que aconteceu na semana que ora termina.
Uns preocupam-se com questões ortográficas, como as regras da translineação; e o Ciberdúvidas responde-lhes, porque tais regras existem segundo princípios que permitem a unidade do espaço linguístico do português.
Outros querem saber qual é a pronúncia desta ou daquela palavra, porque alguém lhes fez um reparo ou porque a pronúncia de uma dada região os intrigou. E o Ciberdúvidas mostra que há padrões de pronúncia, ao mesmo tempo que regista variações regionais, que podem ser aceites, sem pôr em causa a inteligibilidade mútua.
Muitos desejam refle(c)tir sobre a língua: querem compreender por que razão a sua intuição rejeita certas construções ou certas palavras; ou querem apurar a apreensão de conceitos através da descrição do sentido dos vocábulos e das suas relações. E os nossos especialistas em sintaxe, em semântica e em léxico esclarecem essas dúvidas, muitas vezes abrindo perspectivas e suscitando ainda mais perguntas para novas respostas.
E – reflexo do sobressalto que percorre o mundo por causa da ameça da "gripe das aves" – também se quis saber a diferença entre pandemia, epidemia e endemia.
Finalmente, houve quem quisesse saber mais sobre as suas origens; e surgem assim as perguntas sobre a toponímia de uma dada região ou sobre os gentílicos correspondentes a cada cidade, vila ou aldeia.
É talvez porque sentem que esta língua é o seu maior património que os nossos consulentes mostram preocupação com os desafios de um mundo em que o inglês impera. Conseguirá o português resistir a este embate? Claro, porque, além de sermos muitos, é o português que faz quem somos e o que viermos a ser.
A locução adverbial «para ali»
Em vez de «o piano estava ali arrumado junto à parede» pode dizer-se «o piano estava para ali arrumado à parede», tendo no segundo caso o sentido de «ali deixado...» (esquecido, abandonado...) ?
Contrafactual, pretérito mais-que-perfeito do conjuntivo e oração concessiva
Gostaria de pedir mais informação relativamente ao excerto (que transcrevo) da seguinte resposta:
«A consulente apresenta também um conjunto de frases que incluem a estrutura «por mais que», que se pode considerar entre as introdutoras de orações concessivas. Neste caso particular, são apresentados dois tipos de concessivas: as factuais, como em (19) ou (29) , que apresentam o imperfeito ou o pretérito perfeito do conjuntivo na subordinada e o pretérito perfeito na subordinante: (19) "Por maiores que fossem os problemas, ele não desistiu." (20) "Por maiores que tenham sido os problemas, ele não desistiu". Já a frase que apresenta o mais-que-perfeito do conjuntivo é incorreta, porque o recurso ao mais-que-perfeito do conjuntivo na subordinada aponta para um valor contrafactual que exigiria o uso do mais-que-perfeito composto do indicativo ou o condicional na subordinante: (21) "*Por maiores que tivessem sido os problemas, ele não desistiu."»
Gostaria de saber a que se deve o valor contrafactual de «Por maiores que tivessem sido os problemas». Surge-me esta dúvida porque, segundo percebo, o mais-que-perfeito do conjuntivo pode ser usado em concessivas factuais.
Ex: Embora o tivesse visto, não o cumprimentou.
e a estrutura «por maiores que» também, tal como o demonstra a frase (20) da transcrição.
Sendo assim, é esta combinação concreta da estrutura «Por mais que»' com o mais-que-perfeito do conjuntivo que cria o valor contrafactual?
Poderiam indicar-me, por favor, outras estruturas que, juntamente com o mais-que-perfeito composto, criam este valor contrafactual?
Por outro lado, o imperfeito do conjuntivo admitiria, também, uma leitura contrafactual, caso se usasse o condicional ou o imperfeito do indicativo na subordinante?
Ex: Por maiores que fossem os problemas, ele não desistiria/desistia.
É possível afirmar-se que o imperfeito do conjuntivo tem, em geral, valor contrafactual nos mesmos casos em que o mais-que-perfeito do conjuntivo o tem?
Muito obrigado pelo serviço que o Ciberdúvidas presta, ao qual recorro frequentemente.
O adjectivo inderrogável
Necessito de saber se o termo "inderrogável" existe ou não na língua portuguesa; apesar de me parecer uma palavra bastante corrente, não a encontro em qualquer dicionário de português. Muito obrigada.
Sedutório
Mais de uma vez, nos mais variados contextos, vi surgir a palavra sedutório enquanto sinónimo da palavra sedutor. É tal correcto, ou um abuso linguístico?
Estrangeirismos da Língua Portuguesa », de José Pedro Machado
Tenho muita dificuldade em encontrar o livro Estrangeirismos da Lingua Portuguesa do Senhor José Pedro Machado. Gostaria de entrar em contacto com o Senhor Machado a fim de perguntar-lhe algumas coisas sobre o seu estudo. Era possível comunicar com ele através de Ciberdúvidas? Já escrevi várias vezes a Ciberdúvidas acerca do assunto de estrangeirismos, e as vossas respostas ajudaram-me muito. Tenho mais cinco meses antes de terminar o meu mestrado em Austrália. Estou a estudar o emprego de anglicismos no português europeu.
Bóer
Qual a grafia mais correcta para a palavra boer: boer(como no original, em holandês), bóer ou boére?
