DÚVIDAS

Reforma gramatical
Gostaria de pedir-lhes que me respondessem à questão sobre a reforma ortográfica, mas enfocando uma "reforma gramatical", na qual as formas correntes no Brasil, como o uso indistinto da próclise, possam ser admitidas como corretas. Gostaria de saber a posição dos senhores a respeito; afinal, é correto dizer que 150 milhões de brasileiros falam erroneamente? Melhor não seria liberar a posição pronominal, para que ficasse ao gosto do usuário?
A forma verbal diga
O uso de "diga" ou "diga-me"/"diga se faz favor" etc no contexto de serviços é considerado correto ou errado? Equivale a boa ou má educação? Quando estamos numa fila e chega a nossa vez, é costume ouvir da parte do prestador de serviços ''diga"/"diga se faz favor"/etc Ouvi hoje que há quem considere este "diga" má educação... Questiono-me o que deverão dizer em vez de "diga" e o que não seria má educação? Existe alguma regra de etiqueta aqui ou isto é uma diferença regional? Pessoalmente, na maior parte das vezes sempre ouvi dizer "diga" (ou uma variante). Muito obrigada pela atenção.
Bumbo/Bombo, outra vez
Ao esclarecimento que foi dado hoje (2/2/01), em relação ao significado da palavras "bumbo", inserta num livro de Pepetela, gostaria de acrescentar o seguinte: na gíria luandense dos anos 60/70 os negros eram referidos, especialmente pela camada jovem da população branca, como "bumbos". Era um hábito de linguagem não pejorativo. "Manbumbo", por exemplo, quer dizer irmão negro. Os negros, por sua vez, referiam-se aos brancos como "pulas", "polacos", etc. Ainda hoje, em conversa com amigos negros de Angola, quando nos referimos a ambas as raças usamos os mesmos termos.
A sintaxe do verbo recorrer
Vi recentemente um exercício de gramática que suscitou uma dúvida. No exercício pedia que se sublinhasse o complemento oblíquo: «Sempre que tem problemas, a Mónica recorre aos pais.» Nas soluções do exercício aparece «aos pais» como complemento oblíquo. No exercício seguinte era, então, pedido que substituíssem o complemento oblíquo por um pronome (precedido de preposição). Nas soluções aparecia «Sempre que tem problemas, a Mónica recorre a eles». É possível dizer-se/escrever-se "recorre-lhes"? Se sim, não seria de considerar que "aos pais" é complemento indireto? No mesmo exercício, numas alíneas à frente, aparecia a frase «Ele estava muito feliz com aquela notícia». «Muito feliz» acredito que seja predicativo do sujeito por ser "pedido" por um verbo copulativo (estar). Assim, qual seria a função sintática de "com aquela notícia"? Modificador? Obrigada pela atenção.
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