DÚVIDAS

Organograma
Para esta vou precisar da vossa ajuda, pois trata-se da doutora Clara Pinto Correia (de quem sou admirador): então não é que defendeu avespadamente "organigrama" no "24horas"?! (3/02/2006). Alguém pode dar-lhe uma liçãozinha (sobre dicionários e grego) e convencê-la a dizer "organograma"? É necessária uma forte rectificação, bem publicitada, dado que o erro vinha em contracapa e... vindo da Clara.... Que acham: vale a pena salvarmos "organograma" deste ataque ou aguentamos "organigrama" por aí mais 30 ou 40 anos?
Linguagem simbólica e icónica
Por favor, tenho uma dúvida, que também posso considerá-la como falta de raciocínio lógico, mas optei por pedir uma ajuda quanto à linguagem icónica, sempre me deixa indefinida, mesmo sabendo que linguagem é bem exata... Enfim... Qual a real diferença entre linguagem simbólica e a linguagem icónica? Li alguns explicativos sobre os tipos de linguagem, porém esta diferença não me entra ainda no entendimento... Se for possível, também gostaria de ler alguns exemplos para melhor compreensão.
Tanto quanto
Minha dúvida trata-se da concordância ou não concordância das duas partes da conjunção comparativa tanto quanto com o substantivo. São corretos os exemplos que seguem? Se não, qual é errado e por que? No primeiro exemplo, eu diria tantas (vezes) quanto quiser? 1. [Os dois pintos por Rachel de Queiroz] São suposições que a gente pode fazer tantas quantas quiser. 2. [a revista Veja] A igreja lhe cede, tantas vezes quanto precise, carros para dirigir e casa para se hospedar.
A regência do verbo assegurar
Num dos testes da edição de 2008 do Campeonato da Língua Portuguesa surgiram algumas dúvidas sobre a regência do verbo assegurar. A Comissão Técnico-Científica do CLP enviou nessa altura a todos os participantes um detalhado esclarecimento sobre a regência desse verbo que, em resumo, concluía o seguinte: 1) O verbo assegurar não pede preposição quando não se encontra conjugado como reflexo. Exemplo: «Asseguro que eles estiveram presentes.» 2) Quando verbo pronominal reflexo exigirá o regime de. Como exemplo, temos a frase: «Assegurei-me de que a porta não estava aberta.» A frase que deu origem ao debate sobre este verbo aparecia num dos testes do CLP e era a seguinte: «Posso assegurar-vos de que todas as nossas especialidades terão zero calorias.» A Comissão Técnico-Científica e muitos dos participantes no CLP considerámos que a frase continha um erro, pois, baseando-nos no argumento 1) anterior, dever-se-ia escrever «Posso assegurar-vos que todas as nossas especialidades terão zero calorias». No entanto, e apesar do debate, continuo com uma dúvida sobre este assunto. Já anteriormente a enviei à CTC, mas sem resposta, talvez porque depois de finalizado o CLP a Comissão logicamente já não se encontre em funções. Passo a explicar, pois, a minha dúvida. Está claro que o verbo assegurar-se sempre irá acompanhado da preposição de, já que «eu asseguro-me de alguma coisa/disto/daquilo». Também é lógico não ser necessária a proposição em casos como «eu asseguro à Maria que tudo está bem», ou, de maneira mais simples, «eu asseguro à Maria isto/aquilo», não fazendo qualquer sentido dizer «eu asseguro à Maria disto». Mas: estando claro que posso «assegurar alguma coisa a alguém», posso ou não «assegurar alguém de alguma coisa»? Para tentar explicar a diferença entre as duas frases, diria que na primeira o que se realça é o que se quer assegurar (o facto), enquanto na segunda o importante é quem se quer assegurar (a pessoa). Por outras palavras, o problema reside em saber se o verbo assegurar (no sentido de «assegurar alguém») pode ou não ter o mesmo significado que «dar uma certeza». É que, nesse caso, eu poderia dizer: «Asseguro à Maria que tudo está bem»; mas poderia também dizer correctamente: «Asseguro a Maria de que tudo está bem» — neste último caso, dar à Maria a certeza de algo. Se esta segunda frase for correcta, poderemos perfeitamente distinguir uma frase da outra utilizando os pronomes correspondentes: «asseguro-lhe que tudo está bem», por um lado, e «asseguro-a de que tudo está bem», por outro. Neste contexto, a ambiguidade aparece quando o pronome de complemento directo e o pronome de complemento indirecto coincidem; é o caso de vos, o que nos leva precisamente à frase que aparece no texto do CLP. Dar-se-ia nessa situação o caso particular em que: «assegurar-vos (CI) que tudo está bem», por um lado, e «assegurar-vos (CD) de que tudo está bem» estariam ambas correctas (pois os pronomes de CD e CI coincidem). No texto do CLP 2008 ocorria essa situação sem que se pudesse diferenciar se o vos se referia a um complemento directo ou a um complemento indirecto. Ou seja, poderia considerar-se correcta a frase do texto: «Posso assegurar-vos de que todas as nossas especialidades terão zero calorias.» Eu estaria a assegurar um grupo de pessoas (CD) de alguma coisa. A frase «assegurar-me de alguma coisa» — que admitimos correcta no início deste texto — seria assim perfeitamente compatível com «assegurar-vos (CD) de alguma coisa» e corresponderia ao caso particular em que quem assegura e quem é assegurado são a mesma pessoa. Deixo à vossa apreciação esta dúvida, com um certo ar de sofisma, e espero sinceramente que seja possível entendê-la. Agradeço desde já a atenção dispensada e, talvez, alguma resposta esclarecedora.
Havia sido frito/fritado? (duplo particípio)
Parece que a regra geral sobre o uso dos verbos que têm duplo particípio passado é a seguinte: – Com os verbos ser/estar, opta-se pelo particípio regular (fritado, imprimido, etc.); – Com os verbos ter/haver, opta-se pelo particípio irregular (frito, impresso, etc.). A minha dúvida surge quando misturamos esses verbos, como por exemplo: O ovo HAVIA SIDO frito/fritado? O ovo HAVIA ESTADO frito/fritado? O líquido TINHA SIDO absorto/absorvido? O homem HAVIA ESTADO absorto/absorvido durante todo o dia? Por eufonia, eu escolheria «O ovo havia sido frito», «O líquido tinha sido absorvido» e «O homem havia estado absorto durante todo o dia», mas não sei se há regra específica quanto a isso. Alguém poderia dar-me uma luz sobre assunto? Muito obrigado.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa