DÚVIDAS

Concordância adjetival com nomes de géneros diferentes
(«As obras e o respetivo valor»)
Uma questão de importância; corrija-me se estiver errado. «As obras e seu respectivo valor haviam de ser avaliados» (avaliadas as obras, como também o valor; não havendo ambiguidade na sentença) ou «As obras e seu respectivo valor haviam de ser avaliadas» (avaliadas só as obras)? Nesse caso, havendo a possibilidade de se subentender que seriam avaliadas as obras e o valor, haveria então ambiguidade, cabendo ao leitor interpretar o contexto? ) [creio que nessa sentença o termo «avaliadas» só pode se referir a «obras»]. Uma questão de importância do termo a concordar, ou uma restritiva de concordância? Agradeço logo pela resposta. E parabenizo mais uma vez esse belíssimo trabalho do Ciberdúvidas da Língua Portuguesa.
«Faltar alguma coisa para...»
Frases a ter em conta: (1) Faltavam alguns dias para a Ana casar. (2) Só lhe falta ser benzida para que a ponham num altar. Vi, num trabalho em linha, os constituintes «alguns dias» (frase (1)) e «ser benzida» (frase (2)) classificados como «complemento direto». Não serão antes o «sujeito» do verbo «faltar»? No mesmo texto, classificava-se como subordinadas adverbiais finais as orações introduzidas por «para», nas frases acima transcritas. Afigura-se-me equívoca esta classificação, porque: 1. as orações iniciadas por «para» não me parecem ser modificadores da oração subordinante; 2. é o verbo «faltar» que rege a preposição «para» (à semelhança de esforçar-se para),. As orações «para a Ana casar» (frase 1)) e «para que a ponham num altar» (frase 2)) não são antes subordinadas substantivas completivas, com a função de complemento oblíquo? Parabéns pelo excelente serviço público, que é o vosso trabalho no Ciberdúvidas. Obrigado. AHV
A oração temporal de uma frase de Nélida Piñón
Vi uma entrevista de Nélida Piñón, notei alguns trechos e resolvi cá transcrevê-los: Nós nos empenhamos para construir uma cultura, uma sociedade que quando estejamos* liberados, sejamos* soberanos de nós próprios, tenhamos uma literatura; e tenhamos uma Academia como a nossa, de Machado de Assis. 1) É possível e correto usar o presente do subjuntivo com valor de futuro? (Estejamos → estivermos; sejamos → formos) 2) Depois das conjunções "se" e "quando" é obrigatório o uso do futuro do subjuntivo, ou são possíveis outras construções? "Se alguém vir esta carta..." Ou Se alguém ver esta carta..."? "Se o sol se pôr" ou "se o sol se puser"? 3) A pontuação está corretamente empregada? Tenho um pouco de dificuldade em transcrever certas falas.
«Fazer de alguém tolo» vs.«fazer-se tolo»
O gramático Júlio Moreira [1854-1911], nos seus Estudos da língua portuguesa, volume I, pág. 140, alerta-nos para a diferença de registo entre «faz de nós tolos» e «faz-nos de tolos»; pois bem, gostaria de saber que diferença há entre «O Joaquim faz-nos de tolos» e «o Joaquim faz-se de tolo». Seria correto analisar o verbo fazer nessas frases como transitivo-predicativo, em que os complementos nos e se são complementos diretos e «de tolos» e «de tolo» nos respectivos exemplos são predicativos do complemento direto? No caso de esses exemplos serem equivalentes, porque é que em Portugal e no Brasil também, mas entre pessoas escolarizadas, se usa o verbo fazer como transitivo direto e indireto em frases como estas? (1) «O Pedro fez de nós tolos.» Porque não se diz «Pedro fez-nos de tolos», já que também se diz «O Pedro fez-se de tolo»? Obrigado.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa