DÚVIDAS

A vírgula e as orações de infinitivo introduzidas por preposições
No vídeo do YouTube Tutorial Scriptorium - Uso da vírgula: 7 regras essenciais, que acabo de ver, fala-se das regras de uso da vírgula. A minha pergunta é: na frase seguinte, a vírgula é realmente obrigatória, ou é apenas aconselhável, por uma questão de estilo? «Ao analisarmos a questão sob esta nova perspetiva, as conclusões são distintas.» A minha dúvida decorre do facto de em espanhol e catalão ser absolutamente desnecessária (a sua colocação é apenas uma questão de estilo) e de não conhecer, assim, a regra portuguesa que a torna obrigatória. O vídeo do YouTube não explica o porquê. Por outro lado, agora não consigo precisar onde é que vi, mas tenho a certeza de que já vi frases destas sem vírgula na imprensa de Portugal. Muito obrigado pela sua resposta!
Conjuntivo: tempos simples vs. tempos compostos
Ao trabalhar os tempos compostos e simples do conjuntivo, deparei-me com uma dúvida quanto à hipótese/concretização da ação expressa em cada um dos casos. O tempo composto do conjuntivo, tanto no futuro, como no mais-que-perfeito, expressa menos possibilidade de concretização da ação do que o seu correspondente tempo simples (futuro e imperfeito do conjuntivo)? Entendo que ambos remetem para a conclusão da ação, mas terá uma duração mais prolongada (a concretização da mesma) num caso do que no outro? «Quando tiveres lido o livro, devolve-mo.» «Quando leres o livro, devolve-mo.» «Caso tivesse lido o livro, devolver-to-ia.» «Caso lesse o livro, devolver-to-ia.» Muito obrigada, mais uma vez, pela vossa ajuda e maravilhoso apoio dado a todos os que, como eu, temos na língua portuguesa a nossa ferramenta de trabalho. Com os melhores cumprimentos.
Que (do verso «Que eu canto o peito ilustre lusitano»):
causal, ou explicativo?
É frequente assinalar-se o que do verso «Que eu canto o peito ilustre lusitano» como causal. No entanto, na pergunta 31 499, o que do exemplo «Empresta-me o teu dicionário, que deixei o meu em casa» é classificado como explicativo. Não são as duas frases semelhantes? Nesse caso, poderíamos classificar a oração desse verso d´Os Lusíadas como explicativa? Confesso que a noção de orações coordenadas explicativas aplicada a estes dois exemplos me causa alguma dificuldade. Compreendo perfeitamente o exemplo dado no Dicionário Terminológico, mas não tenho a certeza. A indicação, dada em várias fontes, de que a coordenada explicativa não pode ser colocada no início da frase não está, por outro lado, de acordo com a explicação dada a uma pergunta já de 1/03/2007, com o título A função do que. Nessa questão, é apresentado o exemplo da frase «passámos a tarde debaixo do chapéu, que o calor era insuportável», tendo sido sugerida a classificação da oração iniciada por que como subordinada causal. Ora, não me parece que esta oração pudesse iniciar a frase: *«que o calor era insuportável, passámos a tarde debaixo do chapéu». Agradeço, desde já, a vossa resposta e todo o trabalho que têm vindo a realizar.
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