O nome tasco e os registos linguísticos
A frase «Vamos a todo o tasco» está correta?
Obrigada.
Regência de vício
Perguntava se, em relação à regência pedida pelo nome vício, a que apresento é aceitável:
«O vício NO scroll das redes sociais é um perigo.»
Obrigado
O nome e adjetivo tatibitate
Acerca do conto de T. Braga "As irmãs gagas", li a seguinte frase:
1. São as irmãs «tatebitate» porque trocam muitas consoantes.
Perguntava-vos:
1.1. Se conseguem adiantar uma justificação para que a palavra ainda apareça assim escrita na frase/conto que li (Publicações Dom Quixote) e não na grafia atual (tatibitate). A palavra terá sofrido alguma alteração ortográfica, por exemplo?
1.2. Na frase indicada acima, por que razão a palavra aparece no singular? É que no texto recolhido por T. Braga se lê assim: «O noivo assim que viu que todas eram tatebitate desatou a rir e a fugir pela forta fora.» Perguntava-vos se não poderá corresponder à forma obsoleta de tatibitaite.
Cumprimentos.
A nominalização de contra
Relativamente à palavra «(os) contraS», trata-se de um caso de derivação por conversão (preposição/advérbio que passa a nome) mesmo estando no plural?
Tratando-se de um exemplo de derivação por conversão, a minha questão prende-se com o facto de ter lido que, neste processo de formação (derivação por conversão), forma-se uma palavra pela alteração da classe, sem modificar a sua forma.
Então, como se explica que, sendo preposição, contra seja uma palavra invariável e, quando se converte em nome («os contras»), essa mesma palavra já admita plural, modificando-se? A sua forma inicial não foi modificada?
Obrigado.
Impacte vs. impacto: ponto da situação
Sempre utilizei o termo impacte ambiental, mas cada vez mais vejo «este impacte» escrito com o.
Para mim impacto está associado a choque/colisão e impacte está associado a questões relacionadas com ambiente. Houve alguma alteração? E quando falamos em termos de efeito, qual usar? Será que depende?
Devendo usar impacte sempre que esse efeito está relacionado com ambiente?
Por exemplo: «...transformar ideias em soluções com impacto social, ambiental, económico, artístico e cultura.»
Obrigada.
O verbo acertar, novamente
Li com atenção a dúvida de um consulente e a respetiva resposta do Ciberdúvidas sobre a regência do verbo acertar, quando este é utilizado no sentido de «atingir».
Ora, a verdade é que fiquei pouco esclarecido.
Vejamos, o consulente dá um exemplo de Camilo:
«O poeta Sarmento chamava-lhe cintura à prova de fogo, porque não havia bala que lhe acertasse.»
Daqui podemos inferir a seguinte estrutura da frase com o verbo acertar: «A bala acertou-lhe.» O constituinte «a bala» seria sujeito e o constituinte «lhe» provavelmente complemento oblíquo («a bala acertou no João»), pois há casos em que o pronome lhe não exerce a função de complemento indireto (como em «mexeu-lhe»).
Mas na resposta é dado um exemplo em que se inverte a estrutura do verbo acertar. Diz o Ciberdúvidas: «O lutador acertou um soco no peito do rival.»
Aqui assume-se «um soco» como complemento direto. Esta construção causa-me alguma estranheza. Se fosse com o verbo desferir, não se colocaria a dúvida: «O lutador desferiu um soco no peito do adversário.»
Não me parece que, no caso do verbo acertar, «um soco» deva estar na posição de complemento direto, algo que se pode atestar fazendo a transposição da frase ativa para a forma passiva: «Um soco foi acertado pelo lutador (??)/ Um soco foi desferido pelo lutador.»
O segundo caso é perfeitamente gramatical, o primeiro caso é no mínimo estranho.
Daí que me pareça mais gramatical uma construção do tipo: «O soco [desferido pelo lutador] acertou no peito do rival.» (A bala acertou-lhe/ o soco acertou-lhe)
Não me parece também fiável comparar a regência do verbo acertar com a regência do verbo atingir. Parece-me claro que o verbo atingir seleciona um complemento direto (o alvo) enquanto o verbo acertar, neste sentido de atingir, relaciona-se sintaticamente de forma diferente com o alvo (complemento oblíquo).
Claro que utilizado noutro sentido o verbo acertar pode selecionar complemento direto («acertar as horas/o relógio»).
Assim, vejo pelo menos três possibilidades para a regência do verbo acertar:
1) O lutador acertou com um soco no peito do rival.
Nesta hipótese o verbo acertar seleciona um sujeito (o lutador - aquele que desencadeia a ação), um meio/projétil (seta/soco/bala/pedra/bola – neste caso «com um soco», a minha dúvida aqui é se seria complemento oblíquo ou modificador do grupo verbal) e um alvo («no peito do rival» – complemento oblíquo substituível por lhe).
2) A bala acertou-lhe no peito.
Nesta hipótese o sujeito selecionado pelo verbo acertar é o próprio projétil/meio (bala/bola/soco), sendo este lhe um dativo de posse (acertou no peito do João) e é selecionado igualmente um alvo («o peito») como complemento oblíquo.
3) A bala acertou-lhe.
Nesta hipótese o sujeito selecionado pelo verbo é igualmente o projétil/meio, sendo o alvo o complemento oblíquo (acertou no João).
Resumindo, o que me causa estranheza é a gramaticalidade da frase «O lutador acertou um soco no peito do rival» ou «ele acertou um seta no alvo» ou «o jogador acertou a bola na trave». E o principal motivo de estranheza é a questionável gramaticalidade da voz passiva [«Uma seta foi acertada no alvo» (???)]. Talvez haja outros casos de verbos transitivos diretos em que ocorra a mesma estranheza na voz passiva, mas penso que sejam raros. [Por exemplo «O João pregou um susto ao Rui»/ «Um susto foi pregado pelo João ao Rui(??)»; «Ele apanhou uma bebedeira»/«Uma bebedeira foi apanhada por ele»(???)]
Mais uma vez parabéns pelo vosso site e pelo serviço público que disponibilizam.
A expressão «fungagá da bicharada»
Gostaria de saber a origem da expressão «fungagá da bicharada», popularizada por José Barata Moura no seu famoso programa infantil e canção que lhe dá título.
Luso, como sinónimo de português
Gostava de saber se o gentilício luso é sinónimo de português ou se luso tem qualquer conotação histórica, geográfica que português não abrange.
População e multidão (nomes coletivos)
Peço, por favor, que me esclareçam a diferença entre os nomes comuns coletivos "população" e "multidão".
Ambos podem ser considerados nomes comuns coletivos para designar um conjunto de pessoas em contexto escolar?
Obrigada.
Parassíntese e o verbo aproximar
Sobre a parassíntese, o verbo aproximar poderá ser um caso desse processo de formação?
Obrigado.
