– Os diferentes registros linguísticos entre o português brasileiro e o português europeu revelam apenas fatos que se refletem na língua portuguesa.
– O certo é FACTOS e REGISTOS.
– Bem... na norma culta falada e escrita do português brasileiro, usamos FATO e REGISTRO há muito tempo. E há uma explicação linguística para isso: chama-se metaplasmo (síncope consonantal). No português de Portugal também há exemplos desse mesmo fenômeno, a saber: receção, em vez de recepção (do latim, receptione); perceção, em vez de percepção (do latim, perceptione); respetivo, em vez de respectivo (do latim, respectus); perspetiva, em vez de perspectiva (do latim, perspectiva). No Brasil, ora conservamos do latim o que vocês suprimiram, ora suprimimos o que vocês do latim conservaram. Foram escolhas linguístico-históricas. Curioso é que, só para ficar num exemplo, tanto no português lusitano quanto no português brasileiro usamos atividade, e não actividade, embora no latim fosse activitate. Portanto, assim como houve síncope do latim tardio para o português europeu em registo (registrum), o mesmo ocorreu com fato (factu) no português brasileiro. Cada norma linguística (seja no português, seja no espanhol, seja no inglês, seja no francês) tem as suas peculiaridades, pelo que, quanto mais estudamos a língua, menos sobranceiros e mais compreensivos ficamos.
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Penso que nós (portugueses e brasileiros) devemos ficar com as palavras de Sílvio Elia sobre a questão das diferenças entre as normas:
«Se a língua portuguesa não se fracionou até hoje, quinhentos anos passados, em dois idiomas, um europeu e outro americano, não cremos que, na atualidade, com o encurtamento das distâncias geográficas e os mais frequentes e rápidos contatos trazidos pelo avanço tecnológico dos meios de comunicação, isso venha a acontecer. Não nos esqueçamos, porém, de um fator bastante poderoso: o sentimento e a vontade de permanecermos unidos ou separados, tanto lá como cá. Se formos consequentes, veremos que só a união nos fortalecerá e nos engrandecerá.»
Texto que o autor publicou na sua página de Facebook em 2 de abril de 2025 e que se partilha com a devida vénia.