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A metáfora e o "legalês" na política, o anglicismo gig, o termo presuntaria e o açafate-de-prata
1. A metáfora é um recurso usado frequentemente na linguagem quotidiana, pela expressividade, economia e capacidade imagética que traduz. No meio político não parece ser possível resistir aos efeitos que este recurso permite explorar. Expressões como «pôr os dedos na ferida aberta», «deixar farpas» ou «amnésia seletiva» surgem frequentemente no espaço mediático para descrever situações ou atitudes, como refere Carla Marques, professora e consultora permanente do Ciberdúvidas, num...
Provérbios pelo São João, a grafia de «príncipe consorte» e a confusão recorrente no uso de bilião
1. Em vários pontos do mundo de língua portuguesa, de tradição cristã, dedica-se este dia a S. João Batista, o segundo dos santos que se comemoram no mês de junho (como se sabe, os outros são S. António e S. Pedro). As festas de S. João, cujo sentido é tão religioso como profano e popular, coincidem, portanto, com o solstício – de verão no hemisfério norte – e não é de surpreender que, em Portugal, muitos provérbios alusivos à quadra se relacionem com os ciclos agrícolas: diz-se ainda hoje que...
Boas-vindas ao verão, um caso de metátese em "Algéria", 180 anos de Machado de Assis e o mistério de Voynich
1. O verão tem início hoje no hemisfério norte. O dia 21 de junho será, portanto, o dia mais longo do ano, com 14 horas, 53 minutos e 7 segundos de luz em Portugal. Etimologicamente, verão tem origem na palavra latina vernum, que significava "tempo primaveril". Verão era, então, a palavra utilizada para referir a estação do ano que atualmente se designa por primavera. Na época, a palavra para referir a estação...
«Sem ais nem uis», a «última flor do Lácio», a canção Língua, o bilinguismo em Cabo Verde e o feriado do Corpo de Deus
1. É possível tratar uma interjeição como se fosse um nome? Claro, e o caso de ai, que exprime dor («ai!», «ai de mim!») ou ameaça («ai de ti!»), tem exemplos de usos nominais, sobretudo idiomáticos:«num ai» (= «num instante»), «dar ais» ou «pôr-se aos ais» (= «queixar-se, lamentar-se, gritar») e «sem ai nem ui». Este é um dos tópicos abordados no Consultório, onde – sem ais nem uis, para aproveitar o mote – se enfrentam outras dúvidas: o que é que as conjunções podem juntar numa frase? Como se...
A hesitação linguística, a longa história da poesia tradicional, a linguagem popular e as relações do Português com o Galego
1. A hesitação linguística é, na oralidade, vista como um fenómeno de descontinuidade no texto produzido. Inúmeras poderão ser as razões que justificam as hesitações. Todavia, entre elas, poderemos assinalar o esforço de clarificação do discurso, a reorientação discursiva e também a busca de correção gramatical. É também a hesitação entre duas possibilidades de realização linguística ou perante a duvidosa correção de uma expressão que motiva algumas das questões colocadas ao Ciberdúvidas: «Deve...
Santo António, a história de uma língua, a sua tessitura, os seus "génios" e alguns desleixos... nada abonatórios
1. O dia de Santo António, santo de devoção popular e por muitos considerado padroeiro da cidade de Lisboa, é celebrado a 13 de junho, dia do feriado da capital portuguesa, marcado por festividades populares. Tradicionalmente, Santo António é conhecido como casamenteiro, fama que a tradição perpetuou burilando frases e quadras alusivas aos seus poderes no campo amoroso. Recordamos aqui algumas delas:
«Santo António, meu querido, o que peço em segredo é um...
O Dia de Camões (também) em Cabo Verde, um topónimo balcânico e o português nas escolas galegas
1. A data de 10 de junho é a do feriado* que assinala em Portugal a memória de Camões e da sua epopeia Os Lusíadas, exemplo de apuro literário que, sem deixar de refletir a voz imperialista do passado, é hoje documento do processo de expansão que levou a língua portuguesa a todo o mundo. As comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas permitem, portanto, dirigir a atenção para Estados onde o português se tornou também língua materna ou língua segunda....
Escrita incorreta, o planeta Éris, o ensino do português em Angola, a leitura em contexto familiar e a «emergência climática» mundial
1. As locuções «com certeza» e «de repente» escrevem-se cada uma com duas palavras gráficas bem separadas, mas infelizmente são recorrentes as formas "concerteza" e "derrepente", tudo incorretamente pegado. Em O nosso idioma, a professora e linguista Carla Marques, consultora permanente do Ciberdúvidas, explicando estes e outros erros ortográficos como interferências da oralidade na escrita, apela a sermos mais cuidadosos e refletidos no que...
O género dos nomes de marcas comerciais, a diversidade linguística na lusofonia e as línguas ameaçadas
1. Os nomes de marcas comerciais têm uma relação não motivada com o género gramatical. Por esta razão, por vezes, é difícil determinar se o nome de uma dada marca é masculino ou feminino, fenómeno que gera também dúvidas no plano da concordância. Não existindo nenhuma regra que determine, a priori, o género deste tipo de nomes, os falantes optam, não raro, por atribuir ao nome da marca o género do tipo de produto associado. Assim sendo, como determinar o género do...
A expressão bem hajas, a reunião do Conselho Científico do IILP, uma figura marcante dos estudos de semântica e o Dia da Criança
1. As línguas têm regras estáveis e formas fixas, mas também flexibilidade para a construção de frases e enunciados se adaptar ao contexto de comunicação, ou às necessidades mentais e afetivas da expressão. Por exemplo, uma fórmula de agradecimento típica do centro de Portugal, bem haja, varia em pessoa e em número e passa a bem hajas, quando se destina à pessoa que se trata por tu. A descrição das línguas pode igualmente dar conta da sua variação no espaço, revelando...
