A evolução das palavras, o ensino da gramática e a idade das línguas - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
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A evolução das palavras, o ensino da gramática e a idade das línguas
A evolução das palavras, o ensino da gramática e a idade das línguas
Por Ciberdúvidas da Língua Portuguesa 565

1.  A presente atualização do Consultório traz-nos uma resposta que aborda a razão pela qual a palavra subir não viu o intervocálico ser substituído por um v, na sua evolução desde o latim. Noutra resposta, comprova-se que o complemento do nome pode ser introduzido por outras preposições que não o de. As preposições de que regem o verbo esquivar-se dão matéria a outra explicação. Ainda a coocorrência da forma acusativa do pronome pessoal com o verbo ir, numa sequência de auxiliares, permite realçar a diferença entre a correção e os usos. Por fim, demonstra-se que efetivamente, realmente decerto poderão não ser advérbios de afirmação e esclarece-se que depois de reticências tanto se poderá usar maiúscula como minúscula. 

Pintura de René Magritte, A arte da conversação, 1950

2. Ana Martins, consultora do Ciberdúvidas da Língua Portuguesa e responsável da Ciberescola da Língua Portuguesa, centra-se no tema da didática da gramática para discutir, partindo dos resultados de uma investigação que realizou, a perspetiva que assume que os métodos tradicionais de ensino-aprendizagem não são eficazes ao serviço da melhoria das competências comunicativas, num apontamento disponível na rubrica Ensino.

3. A propósito ainda das questões que envolvem a didática da gramática, destaque para a reação da professora brasileira Magda Soares, especialista em alfabetização, que veio contrapor a proposta de um ensino baseado no método fónico, que, na sua opinião, não é a abordagem correta para a aprendizagem da escrita por parte das crianças (notícia aqui). Ainda no Brasil, realce para a controvérsia relacionada com afirmações proferidas pelos membros do novo governo, nomeadamente a ideia de que o ensino universitário deve ser limitado a uma elite intelectual. 

4. No Pelourinho, Edno Pimentel, professor e jornalista em Luanda, esclarece o processo de flexão do verbo deter, alertando para uma incorreção presente no português falado em Angola. Por exemplo, em expressões como ««Os polícias deteram pessoas» ou «A polícia deteu pessoas», descritas numa crónica que se transcreve, com a devida vénia, do  semanário angolano Nova Gazeta.

5. Num artigo intitulado «Qual é a língua mais antiga do mundo?», divulgado no sítio nculturaMarcos Neves, tradutor e docente universitário português, esclarece que as línguas «não têm idade» – sobretudo se pensarmos na língua que se fala, que os falantes vão moldando, adaptando e transformando, indiferentes às normas ou à fixação escrita. 

6. Da atualidade relacionada com a língua, registe-se o protocolo celebrado entre o Ministério dos Negócios Estrangeiros português e o Ministério da Cultura brasileiro que prevê a digitalização do acervo literário de cerca de 140 mil volumes, distribuído por três Gabinetes Portugueses de Leitura fundados no Brasil. Entre estes documentos encontram-se manuscritos de grande valor, como é o caso de um capítulo de A cidade e as serrasobra de Eça de Queirós

7.  O programa Língua de Todos, da RDP África, apresenta uma entrevista com a formadora Laura Mateus Fonseca, responsável, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova, por cursos livres na área editorial e de escrita criativa (sexta-feira, 1 de fevereiro às 13h15, com repetição no sábado, dia 2 de fevereiro, depois do noticiário das 09h00*). O programa Páginas de Português, difundido na Antena 2,  entrevista o novo secretário executivo da CPLP, o embaixador português Francisco Ribeiro Telles (domingo, 3 de fevereiro, às 12h30**, com repetição no sábado seguinte, dia 9 de fevereiro, pelas 15h30*).

 *  Hora oficial de Portugal continental, ficando ambos os programa disponíveis posteriormente, aqui aqui.