DÚVIDAS

«Eis que»
Gostava de saber se existe registro oficial, e com referência lexicográfica, que trate de abonar, especificamente, o uso da locução "eis que" em acepção diferente de "subitamente"/"de repente". Eu não encontrei. Não obstante, deparei-me com os seguintes empregos da expressão, motivo de minha dúvida: «Entre o oficialato mesmo, não se conhece um que proceda de família ilustre ou renomada, eis que nenhum aristocrata aceitará farda na família. (JU) «[…] deve-se aguardar o procedimento previsto para a execução contra a Fazenda até a expedição da requisição – incumbência do Juízo, não podendo ser imputada como falta ou violação de um dever pelo INSS, eis que a ele é defeso fazê-lo.» Obrigado
Falsas esdrúxulas e didática do português
Sei que existem pontos de vista diferentes quanto à classificação tónica das seguintes palavras: família, remédio, extraordinário etc. Ora, já vi serem classificadas como graves (assumindo que as duas últimas vogais formam um ditongo crescente e não um hiato) e também como esdrúxulas (assumindo as duas vogais finais como um hiato e portanto duas sílabas). Sei também que existe a designação de «falsas esdrúxulas» ou «esdrúxulas aparentes», através da consulta que fiz pelo vosso site. Ora, a verdade é que no 1.º e 2.º ciclos do ensino básico existem muitos exercícios em manuais com este tipo de palavras para serem classificadas quanto à sílaba tónica. Existe alguma norma para o ensino básico? Devem ser classificadas como esdrúxulas ou graves? No Dicionário Terminológico não encontrei resposta para esta questão. Muito obrigado ao Ciberdúvidas pelo excelente trabalho.
«Tanto..., tanto...»: uma construção errónea
Existe a expressão «tanto [...] quanto [...]»; por exemplo: «João foi bem tanto na prova de português quanto na de matemática.» Contudo, vejo muitas pessoas usarem «tanto [...], tanto [...]», o que me parece bem errado: «João foi bem tanto na prova de português, tanto na de matemática.» Afinal, está correta essa segunda forma? Meus cumprimentos à equipe do Ciberdúvidas, que brilhantemente cultiva a norma culta do português e tira todas as nossas dúvidas.
Elipse parcial do predicado
Na recente campanha do Metropolitano de Lisboa, para reforçar a vigilância dos passageiros sobre a sua segurança e os seus bens, lê-se a seguinte mensagem: «Se algo não lhe parecer seguro, pode não ser. Na dúvida, recolha o máximo de elementos e avise um funcionário Metropolitano.» Não há qualquer coisa de forçado na primeira frase: «Se algo não lhe parecer seguro, pode não ser.»? Percebe-se que «pode não ser» se refere a «algo», mas afigura-se mais natural uma frase como «algo que não lhe pareça seguro pode não ser realmente»? Porque acontece isto? Obrigado.
A expressão «a meia perna»
Observemos o excerto a seguir: «Aquela senhora, que tinha 35 anos de idade, mas parecia estar na casa dos 50, abre a porta como [...]. A saia dela a meia perna, de um escuro indefinido e barrada por discretas flores vermelhas, prende uma de suas nesgas em um aleatório prego na parte direita da caixa de porta, enfurecendo-a cada vez mais.»  Não conhecia a expressão «a meia perna». Ela é correta? Imagino que indique uma saia com comprimento até a metade da perna. Obrigado.
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