Parassíntese e o verbo aproximar
Sobre a parassíntese, o verbo aproximar poderá ser um caso desse processo de formação?
Obrigado.
Contabilizar e avaliar
Tenho lido contabilizar como sinónimo de avaliar, inclusive no Dicionário da Língua Portuguesa da Academia das Ciências de Lisboa.
Está correto ou trata-se apenas de um termo do processo contabilístico?
Obrigado
O complemento do adjetivo merecedor
Venho, por este meio, solicitar a sua ajuda no esclarecimento de uma dúvida que surgiu a partir de um exercício de um manual adotado no ensino secundário, no âmbito da distinção entre complemento do nome e modificador do nome.
No exercício em questão, verifica-se uma divergência entre as propostas de correção apresentadas no manual digital e no manual em formato físico. No texto:
«Álvaro de Campos assume-se como discípulo de Alberto Caeiro […] Febril e furioso, expressa a sua admiração por todas as coisas contemporâneas, incluindo no seu canto elogioso realidades que poucas vezes haviam merecido registo poético, banais e disfóricas, mas merecedoras de exaltação por integrarem a diversidade do mundo moderno.»
Na solução do manual digital surge destacada apenas a expressão «de exaltação», com a função de complemento do nome.
Já no manual em formato físico aparece destacada a expressão «merecedoras de exaltação», classificada como modificador apositivo do nome.
A dificuldade sentida prende-se com o facto de «merecedoras» funcionar como adjetivo, constituindo o núcleo do grupo adjetival, pelo que a expressão «de exaltação» surge dependente desse adjetivo e não diretamente do nome «realidades». Neste sentido, a classificação de «de exaltação» como complemento do nome acaba por gerar alguma ambiguidade, sobretudo para os alunos que recorrem às soluções do manual como apoio ao estudo.
Confesso que também me suscitou alguma dificuldade a interpretação das soluções, o que reforça a importância de uma orientação clara para os alunos
Assim, gostaria de solicitar a sua ajuda no esclarecimento desta questão e na orientação a dar aos alunos.
Muito obrigada pela sua disponibilidade.
Relações sintáticas: subordinação e hierarquia
A gramática apresenta o estudo da subordinação apenas ao nível das orações (orações subordinantes e orações subordinadas).
Será que podemos postular um estudo de nomenclatura da subordinação ao nível das palavras, sendo que, nesse âmbito, algumas palavras, nas frases, possuem autonomia gramatical quanto à forma do género e número, enquanto que outras não possuem?
Neste ponto, refiro-me aos substantivos e aos adjectivos e determinantes – aqueles são palavras subordinantes e estes dois, subordinadas.
Obrigado.
O complemento do verbo acertar
Qual é a sintaxe do verbo acertar no sentido de «bater, atingir»?
O Dicionário da Academia das Ciências de Lisboa traz: «Acertou com a pedra no vidro da janela.»
Seria possível «acertar com a pedra "o vidro da janela"»?
Qual a função sintática do complemento «no vidro da janela»?
A Academia dá ainda este exemplo de Camilo:
«O poeta Sarmento chamava-lhe cintura à prova de fogo, porque não havia bala que lhe acertasse.»
Qual a função sintática do lhe? Há alguma relação entre o lhe e o facto de o complemento ser no vidro da janela, em vez de o vidro da janela?
Agradecidíssimo!
Luso, como sinónimo de português
Gostava de saber se o gentilício luso é sinónimo de português ou se luso tem qualquer conotação histórica, geográfica que português não abrange.
Imagem e oração relativa
Venho, por este meio, solicitar a sua ajuda na análise de uma frase de Frei Luís de Sousa.
A cena final do ato II, entre Frei Jorge e o romeiro, é a do reconhecimento, tal como acontecia na tragédia clássica. O retrato de D. João de Portugal deixa de ser apenas uma ameaça e passa a ser uma espécie de espelho do passado; ele representa quem agora está tão diferente que é necessário um gesto de identificação: quando Frei Jorge pergunta «Romeiro, romeiro, quem és tu?», o movimento de apontar para o retrato completa a palavra: «Ninguém!». Aquela simples palavra abre caminho à catástrofe. Não sendo reconhecido pela mulher com quem casou, D. João de Portugal fica limitado à imagem que um retrato fixou. REIS, Carlos, 2016. Frei Luís de Sousa. Almeida Garrett. Porto: Porto Editora (pp. 37-38) (Exercício do manual) A dúvida surgiu na identificação da função sintática de «que um retrato fixou». Sendo uma oração adjetiva relativa restritiva, desempenha a função sintática de modificador restritivo do nome. No entanto, «retrato» é um nome icónico. Haverá outra explicação? A oração não é adjetiva relativa?
Bendição e bênção
Caríssimos mestres, eu entendo que bênção seja o antônimo de maldição!
Em sendo assim, quando e por que bendição virou bênção (encurtamento, com troca de sílaba tônica...)?
Muitíssimo obrigado e um grande abraço!
«Tudo de mau» e «tudo de bom»
Qual a forma correta: «Tudo de mal aconteceu na festa» ou «Tudo de mau aconteceu na festa»?
E qual a explicação para uma ou outra forma?
Obrigado!
O que explicativo
Numa ficha de trabalho de uma editora surge a frase «Arrumem os livros que a biblioteca vai encerrar». De acordo com as soluções de correção, a oração «que a biblioteca vai encerrar» aparece como coordenada explicativa.
Numa saudável discussão com colegas, uns defendem que a sugestão da editora está correta, no entanto, outros acham que a oração é subordinada adverbial causal. Se fizermos o teste da agramaticalidade sugerido por Maria Eugénia Alves (Ciberdúvidas, 2018), a oração iniciada por “que” é agramatical - “* que a biblioteca vai fechar.” -, uma vez que “na coordenação, a oração que é introduzida pela conjunção não pode dar início à frase”.
Acresce o facto de que a situação descrita na suposta oração coordenada explicativa não é temporalmente anterior à que se descreve na oração anterior. (Carla Marques, Ciberdúvidas, 2022) Porém, “No que respeita à pontuação, quando a oração é coordenada explicativa, deve levar uma vírgula a separá-la da oração anterior. Quando estamos perante uma oração subordinada causal, não devemos usar vírgula.” (Carla Marques, Ciberdúvidas, 2022). Aqui o "que" não é antecedido de vírgula.
Posto isto, tenho dúvidas em relação à classificação desta frase complexa “Arrumem os livros que a biblioteca vai encerrar”.
Aproveito para agradecer o excelente trabalho realizado por toda a equipa do Ciberdúvidas ao longo destes anos. Aprendo muito com a vossa generosidade e profissionalismo! Bem hajam!
