DÚVIDAS

Porque causal, pois explicativo
Qual é a diferença entre as orações coordenadas explicativas e as orações subordinadas adverbiais causais? A mim sempre me pareceram a mesma coisa. Se tivermos, por exemplo, a frase «Cheguei atrasado porque o despertador não tocou.», verificamos que a oração é causal, devido à conjunção porque, mas se colocarmos antes pois a oração já passa a ser explicativa, sem qualquer alteração na semântica da frase. Qual é a explicação para isto? Obrigado.
Item e hífen
Acerca da centuação das paroxítonas, pergunto: por que item não recebe acento, mas hífen sim? De acordo com a regra geral, paroxítonas terminadas em n devem ser acentuadas. No entanto, nos casos de item e hífen, ocorre uma particularidade: ambas as palavras terminam em ditongo nasal, já que o m e o n finais assumem som de i, formando esse tipo de ditongo. Pela regra específica, paroxítonas terminadas em ditongo nasal não são acentuadas; o acento ocorre apenas quando há terminação em ditongo oral.
Ainda rir vs. rir-se
Muito obrigada pelas suas respostas anteriores. Podiam explicar, por favor, qual é a diferença entre os verbos rir e rir-se? Como é correto dizer? «Ele riu da piada» ou «Ele riu-se da piada»? (Verbo com o objeto do riso). «Naquele dia ele riu muito» ou «Naquele dia ele riu-se muito»? (Verbo que designa o processo como tal). Ou todas as quatro variantes são aceitáveis? Qual, então, é a difernça entre elas (se há)? Desde já agradeço.
Nomes próprios e vírgulas
Gostaria de saber se, nesta situação, o nome fica sempre dentro de vírgulas, se é opcional ou se existe alguma regra específica para esta construção da frase. «Durante uma audiência no Senado sobre a Lei dos Direitos Civis de 1957, o procurador-geral da Geórgia, Eugene Cook, criticou a Associação Nacional para o Progresso das Pessoas Racializadas.» O que quero saber ao certo é se «Eugene Cook» fica sempre entre vírgulas quando antes vem a descrição do que é/faz a pessoa. Obrigada.
Análise de uma frase identificadora (Brasil)
Na frase «Nosso compromisso é garantir atendimento sem discriminação ou preconceito.», qual seria o sujeito? Li em um livro didático que o sujeito, no caso, seria «nosso compromisso», mas me pareceu tratar-se de hipótese de sujeito oracional, com «garantir atendimento sem discriminação ou preconceito» funcionando como sujeito. Agradeço antecipadamente.
Orações relativas não canónicas: «aquilo que é...»
Tenho notado que há um hábito muito comum e cada vez mais generalizado de utilização da expressões «aquilo que é/daquilo que é/ aquilo que são/daquilo que são» principalmente em contexto de comentário televisivo. Exemplos: «[Aquilo que é] a origem do conflito…..», «A origem d[aquilo que é] a vida….», «Não sabemos [aquilo que são] as intenções do Presidente….», «Estamos a par [daquilo que é] o impacto desta guerra», «Estamos conscientes d[aquilo que é] a devastação provocada….». Poderíamos até complicar mais: «[Aquilo que é] a origem d[aquilo que é] este conflito». Todos estes «aquilo que é» são perfeitamente suprimíveis das respetivas frases: «A origem da vida…», «Não sabemos as intenções do Presidente», «Estamos a par do impacto desta guerra», «Estamos conscientes da devastação provocada». Penso que o recurso a esta irritante expressão se deve ao facto de constituir uma espécie de muleta de linguagem, no sentido de dar mais tempo ao orador para pensar no que vai dizer a seguir, o que se compreende (similarmente ao uso de outras muletas mais óbvias como “â” ou “portanto”), muleta essa perfeitamente dispensável. De qualquer modo gostaria de saber se semanticamente a expressão acrescenta algo (como uma espécie de focalização ou clivagem no sentido de destacar um dos elementos da frase) e gostaria também de saber como classificar essas orações do ponto de vista sintático. Para ilustrar, vejamos o caso concreto da seguinte frase simples: «A origem da vida é um mistério.» Transformando-a na seguinte frase complexa: «Aquilo que é a origem da vida é um mistério.» Ficamos com uma oração substantiva relativa sem antecedente (com a função de sujeito) seguida da respetiva subordinante? Ou, contrariamente, devemos assumir que continuamos perante uma frase simples que foi “complexificada” por um elemento discursivo redundante típico da oralidade? Por outro lado, parece-me que por vezes estas orações artificiais são substantivas completivas, noutros casos substantivas relativas, ou até ponho a hipótese de serem adjetivas relativas, mas sempre perfeitamente dispensáveis. Gostaria de ter a vossa preciosa ajuda para esta questão, aproveitando para desejar um bom início de terceiro período letivo a toda a equipa do Ciberdúvidas, a quem agradeço a paciência.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa