DÚVIDAS

Apóstrofo e espaço
Tenho lido diversos contos da tradição oral portuguesa onde surgem muitas contrações assinaladas com apóstrofo. Fico na dúvida relativamente ao posicionamento do mesmo, uma vez que já me deparei com expressões idênticas que apresentam espaçamento diferente. «Ele foi c' a mãe às compras» ou «Ele foi c'a mãe...» (sem espaçamente entre c' e a) «Ai qu' isto sabe tão bem!» ou «Ai qu'isto...» «Pensei que lh' ia dar um mal» ou «Pensei que lh'ia...» «Qu' eu fiz» ou «Qu'eu fiz» «Deixei d' andar torto» ou «Deixei d'andar...»
Fazer causativo e elevação do objeto a sujeito
Bom ano a toda a equipa do Ciberdúvidas. A minha dúvida prende-se com a análise sintática e oracional da seguinte frase: «O amor fez o poeta sofrer.» Ora, se a frase fosse «O amor fez do poeta infeliz» teríamos um complemento oblíquo («do poeta») e um predicativo do complemento oblíquo («infeliz»). Se a frase fosse «O amor fez o poeta infeliz» teríamos um complemento direto («o poeta») e um predicativo do complemento direto («infeliz»). Agora neste caso que coloquei inicialmente («O amor fez o poeta sofrer») avanço duas hipóteses. A primeira é considerar «o poeta sofrer» uma oração substantiva completiva com a função sintática de complemento direto e nesse caso poderia ser toda substituída pelo pronome o: «O amor fê-lo.» No entanto, esta hipótese não me soa bem e por isso pergunto se é possível dizer «O amor fê-lo sofrer». Se for esta a opção correta, ou seja, assumindo «o poeta» como complemento direto, o constituinte «sofrer», sendo um verbo no infinitivo, continua a ser considerado predicativo do complemento direto? E se assim for como fazer a análise oracional da frase? Muito obrigado.
Meia-tigela e racismo
Todas estas matérias aqui indicam que o vocábulo «(de) meia-tigela» seja racista:  "Boçal, meia-tigela e mais termos racistas para você deixar de usar" "Mercado negro, meia-tigela, índio: veja expressões que a agu quer barrar" "Conheça algumas expressões racistas e seus significados" "Você sabia que..." A palavra meia-tigela surgiu em Portugal, e nada tem a ver com pessoas negras! De onde tiraram que ela é racista? Este vídeo do YouTube mostra e explica sobre o assunto todo: Pablo Jamilk, "Meia-tigela é uma expressão racista", YouTube,  14/04/2022. Detalhe também que o mesmo youtuber do vídeo acima defende que mulato e denegrir, em suas origens (etimologias), não possuam quaisquer relações com o animal mula ou «pessoas negras»! Como isso fica? E ainda tem mais: termos como «noite negra», «buraco negro» e «Cavaleiro Negro»? Também terão cunhos racistas? Usei o termo «de meia-tigela» em um livro meu (O Desespero de um Solteiro), fui ver se é ou não racista, e deu que não é! Tudo certinho na realidade? Abração a vocês todos! Muitíssimo obrigado e um grande abraço!
A conjunção mas e as vírgulas
Em relação à colocação da vírgula antes da conjunção mas, pergunto se a mesma é obrigatória ou se, por razões estilísticas, a mesma seja dispensável. A frase que apresento pertence a um texto de Afonso Reis Cabral e não sei se não terá sido descuido/omissão da editora: «Ele explica-lhe que era o mesmo MAS não morrera na temporada anterior.» Neste caso, a vírgula deveria constar? Obrigado.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa