DÚVIDAS

A expressão «a meia perna»
Observemos o excerto a seguir: «Aquela senhora, que tinha 35 anos de idade, mas parecia estar na casa dos 50, abre a porta como [...]. A saia dela a meia perna, de um escuro indefinido e barrada por discretas flores vermelhas, prende uma de suas nesgas em um aleatório prego na parte direita da caixa de porta, enfurecendo-a cada vez mais.»  Não conhecia a expressão «a meia perna». Ela é correta? Imagino que indique uma saia com comprimento até a metade da perna. Obrigado.
O género de Metropolitano de Lisboa, E. P. E.
Venho colocar uma dúvida sobre o uso do feminino ou do masculino relativamente ao substantivo da empresa Metropolitano de Lisboa, E. P. E. De acordo com as vossas respostas a outras dúvidas relacionadas com os nomes de empresas ou marcas (como aqui), tem sido demonstrado que o uso correto é a precedência do artigo definido feminino (a/as), por subentender-se o nome «empresa» ou «marca». Contudo, a empresa Metropolitano de Lisboa, E. P. E., é mencionada, no diploma que a rege, por «o Metropolitano de Lisboa, E. P. E.» (veja-se: Decreto-Lei n.º 148-A/2009, de 26 de junho). Questiono se nesta situação há um entendimento que permita o uso indiferenciado dos artigos definidos masculino e feminino. Grato pela atenção.
A regência de contributo
Deparei-me com uma dúvida relativamente à regência da palavra contributo. A construção correta, ou preferível, seria «o contributo da oralidade para a criação de ...»  ou «o contributo da oralidade na criação de ...»? A preposição em (contraída no artigo na) é aceitável e legitimada neste contexto para indicar o âmbito ou o processo em que o contributo se manifesta, ou a regência normativa exige exclusivamente a preposição para para indicar a direção ou o resultado? Agradeço, desde já, a vossa disponibilidade e esclarecimento.
«Ser útil/impossível/agradável/grato» com pronomes oblíquos (Brasil)
Gostaria de esclarecer uma dúvida acerca do emprego do pronome se em construções com o verbo ser, especialmente quando este ocorre acompanhado de pronomes dativos. Encontrei ou elaborei exemplos como os seguintes: • São-se-nos úteis estas informações. • É-se-me impossível aceitar. • Foi-se-lhe agradável a visita. • É-se-nos hostil logo no primeiro dia de trabalho. • É-se-lhe grato por todos os anos de dedicação. Em contraste, parecem-me perfeitamente correntes e aceitas as construções sem se: • São-nos úteis estas informações. • É-me impossível aceitar. • Foi-lhe agradável a visita. • É-nos hostil logo no primeiro dia de trabalho. • É-lhe grato por todos os anos de dedicação. A minha dúvida é a seguinte: há fundamento gramatical para o emprego do pronome se nessas construções com o verbo ser? Caso esse emprego seja considerado correto, gostaria de saber: 1. Que valor sintático desempenha o se nesses exemplos (pronome apassivador, índice de indeterminação do sujeito, marcador impessoal ou outra função)? 2. Existem gramáticos ou obras de referência (tradicionais ou descritivas) que aceitem ou analisem esse tipo de construção? Caso a resposta seja negativa, pergunto ainda: 1. O uso de se nessas estruturas deve ser considerado simplesmente incorreto ou apenas não sancionado pela norma? 2. Haveria algum contexto histórico, dialetal, literário ou de evolução da língua em que tais construções possam ocorrer ou ser explicadas? 3. Como interpretar frases como «Quando se nos é grato, sentimos que o esforço valeu a pena.»? Nessa construção, o se é aceitável por integrar uma estrutura impessoal («é grato a alguém») ou continua sendo inadequado? Agradeço desde já pelos esclarecimentos e, se possível, pela indicação de bibliografia que trate especificamente desse tema.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa