Este é um serviço gracioso e sem fins comerciais, de esclarecimento, informação e debate sobre a língua portuguesa, o idioma oficial de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. Sem outros apoios senão a generosidade dos seus consulentes, ajude-nos a dar-lhe continuidade: Pela viabilização do Ciberdúvidas. Os nossos agradecimentos antecipados.
O verbo telefonar rege-se com complemento indireto

Uma pergunta inusitada mas com pertinência circunstancial: deve dizer-se «Eu telefono-a» ou «Eu telefono-lhe».

O segundo modo é o corrente. Por que motivo?

Obrigado.

Orlando Brasalano Jornalista Lisboa, Portugal 568

No sentido de «comunicar por telefone com alguém», só se aceita a segunda frase, ou seja, a frase em que telefonar é um verbo que seleciona um constituinte com a função de complemento indireto: «telefonei à Teresa» > «telefonei-lhe».

Pode considerar-se que este comportamento sintático é simplesmente idiossincrático, mas a equivalência de telefonar com «ligar a/para alguém» e ou com as perífrases «falar a/com alguém ao/pelo telefone» e «fazer um telefonema a/para alguém» sugerem que o verbo em causa seguiu o modelo sintático de outros verbos de comunicação, ao mesmo tempo que absorveu um complemento direto que está implícito na sua significação («fazer um telefonema», «usar o telefone»).

Carlos Rocha
Tema: Uso e norma Classe de Palavras: verbo
Áreas Linguísticas: Léxico; Semântica; Sintaxe Campos Linguísticos: Funções sintácticas