Ambas as frases são corretas:
1. Nem em sonhos doces ele imaginaria que algo assim poderia acontecer.
2. Nem em sonhos doces ele imaginaria que algo assim pudesse acontecer.
A escolha entre as formas verbais poderia e pudesse é um clássico exemplo da flexibilidade da língua portuguesa em contextos hipotéticos, na qual cada uma oferece uma nuance distinta à narrativa.
O uso de poderia, no futuro do pretérito do indicativo*, estabelece uma correlação temporal direta e harmônica com o verbo principal imaginaria. Esta opção é amplamente utilizada na linguagem corrente e em textos jornalísticos ou narrativos por ser mais direta. Ao optar pelo indicativo, focaliza-se a viabilidade do evento dentro de um cenário projetado. É como se a possibilidade fosse uma consequência lógica de um pensamento, mantendo um pé na realidade da suposição.
Por outro lado, a escolha por pudesse, no pretérito imperfeito do subjuntivo, desloca a frase para o campo da subjetividade e da incerteza. O modo subjuntivo é, por excelência, o território das hipóteses, dos desejos, do que é incerto. No contexto da frase, que menciona «sonhos doces», o subjuntivo reforça o caráter remoto ou irreal da situação. Na norma culta, essa forma é frequentemente preferida após verbos que expressam dúvida ou negação, conferindo um tom mais elegante e enfatizando o espanto diante do inesperado.
A decisão final depende, portanto, da intenção do autor: priorizar a clareza da possibilidade ou a poesia da dúvida.
Sempre às ordens!
*Usou-se a nomenclatura gramatical brasileira porque o consulente é do Brasil.