Os valores da conjunção e
A conjunção aditiva e apresenta valores semânticos, como adversidade («mas», porém»), conclusão /consequência («portanto, por isso, então»). Além desses, alguns estudiosos dizem que o e pode apresentar:
1) Sequenciação temporal, quando ligar dois eventos sucessivos: «depois da discussão, Maria fechou o rosto e João foi para o quarto em seguida» (Fernando Pestana).
2) Finalidade: «Ia telefonar-lhe e (=para) desejar-lhe parabéns.»
3)) Condicional: segundo a estudiosa Cilene Rodrigues (PUC-RJ) no artigo "No escape from syntax! das (in)subordinadas condicionais entonacionais", A) «Você publica este artigo, e sua carreira vai para o brejo» seria equivalente a frase B) «Se você publicar este artigo, a sua carreira vai para o brejo.»
#1) Gostaria de saber se estes três valores semânticos já são aceitos pelos gramáticos?
#2) E se há algum outro valor semântico dessa conjunção e além desses ?
#3) Com relação ao sentido de condicional, vocês concordam?
No Google acadêmico só achei esse trabalho sobre o assunto. Nunca tinha lido sobre esse valor condicional.
Grato pela resposta. Parabéns pelo belo trabalho de vocês.
Problemas sintático-semânticos num período composto
A justaposição de várias orações subordinadas adverbiais num só período composto subordinadas é considerada mal escrita? Haveria outra alternativa? Por exemplo:
«O estudante leu o texto científico para que pudesse iniciar sua pesquisa ainda que não gostasse do tema mas se saiu bem porque tinha domínio do conteúdo.»
Obrigado.
A possibilidade de à não ser uma contração
Na gramática de Fernando Pestana (2019), ele diz que locuções adjetivas (à bela, à lenha, etc.), adverbiais (às pressas, à vista, etc.), conjuntivas (à medida que/à proporção que) e prepositivas (à custa de, à moda de, etc.) levam crase «porque a preposição a que inicia tais locuções se funde com o artigo a que vem antes do núcleo feminino. O acento grave é fixo» (p .785). Assim ensinam muitos gramáticos (Nicola/terra,etc).
Entretanto Manoel P. Ribeiro, na sua gramática, 2011, pág. 307, diz: «A tradição gramatical assinala com acento grave certas locuções (adverbiais,prepositivas e conjuncionais ,adjetivas) em que verdadeiramente não ocorre crase. O acento grave é empregado para diferenciar a preposição a do artigo a.»
[Evanido] Bechara em sua gramática, 2009, diz que o acento grave tem duas funções e uma delas é «representar a pura preposição a que rege um substantivo feminino singular, formando uma locução adverbial» (pág.308).
Então há crase (fusão artigo+preposição ) ou só acento grave assinalando a preposição nas locuções adverbiais, prepositivas , conjuncionais e adjetivas? Qual das duas visões é a correta ?
Grato pela ajuda.
Cravo-túnico e cravo-púnico
Dada a profusão de sites que se referem a essas pequenas plantas de belas flores coloridas mas de cheiro pouco agradável como cravos túnicos, suponho que sou eu que estou errada.
Sempre os conheci como cravos púnicos, ou seja, «cravos fenícios». No entanto, sendo púnico um termo tão pouco conhecido da maioria dos falantes desta língua, sempre assumi que a troca se devesse a uma maior sensação de familiaridade com a palavra "túnico", provavelmente derivada de túnica.
Estou errada? Será que os meus cravos nunca foram realmente fenícios e foram buscar o nome a uma peça de roupa?
A pronúncia de circuito, fortuito, gratuito e intuito
Cada vez mais oiço na rádio e na televisão as mais diversas pessoas – jornalistas, comentadores, políticos, até médicos – dizerem "circuíto", "intuíto" e "fortuíto". Pelo andar da carrruagem, o muito vai passar a "muíto" – sabido, como se sabe, como é o rolo compressor da televisão na propagação do erro!...
Pergunto: a que se deve esta onda arrasadora da prolação tradicional do ditongo ui?
Muito obrigado.
A preposição para na frase
«O mais importante para se levar numa viagem é uma boa ideia»
«O mais importante para se levar numa viagem é uma boa ideia»
Na frase «O mais importante para se levar numa viagem é uma boa ideia», o vocábulo para é uma preposição simples, ou é uma conjunção subordinativa final?
Obrigada.
Um modificador do grupo verbal na frase
«Os pátios ressoavam com o bater das armas» (Eça de Queirós)
«Os pátios ressoavam com o bater das armas» (Eça de Queirós)
«Com o bater das armas» desempenha a função sintática de complemento oblíquo na frase «os pátios ressoavam com o bater das armas»?
Obrigada.
Os plurais de imperador e príncipe
É correto utilizar o plural de um título nobiliárquico masculino para se referir a pessoas de ambos os géneros que detenham o mesmo título?
E se não, há alguma forma de assim o fazer sem ter de repetir o título em sua versão feminina?
Por exemplo, «Imperadores Constantino e Helena» (em vez de Imperador e Imperatriz), «Príncipes Luiz, Fernando e Maria» (em vez de Príncipes e Princesa).
Particípios passados verbais e adjetivais
Por favor, esclareça a minha dúvida nas seguintes frases:
1) Fui convencido de como deveria viver a partir de então, sem recursos, na miséria.
2) Estou convencido de onde devo morar.
3) O gramático ficou rodeado de admiradores.
Qual o critério para identificar se as palavras destacadas são verbos ou adjetivos?
O uso de falar na expressão «o texto fala de...»
A expressão "A obra fala sobre...", "O livro fala sobre", "O texto fala de" existem/estão corretas ou não na língua portuguesa?
