A expressão «se P, então Q»
É comum observar-se a expressão "Se ocorre P, então ocorre Q", tanto na linguagem coloquial quanto em contexto técnico.
Neste caso, ocorrem-me duas possíveis classificações, que parecem ser, em princípio, conflitantes.
1) A oração «Se ocorre P» é subordinada adverbial condicional, e a oração «então ocorre Q» é a oração principal, em que «então» desempenha função de advérbio. Observa-se que a omissão ou troca de "então" não resulta em qualquer diferença nas sentenças.
2) A oração «Se ocorre P» não parece assumir o papel de oração coordenada sindética. Contudo, é possível omitir-se a partícula se e manter-se a sentença «Ocorre P, então ocorre Q», de sorte que ocorram duas orações coordenadas, sendo a segunda uma oração sindética conclusiva.
Parece-me razoável concluir que a ocorrência de se na primeira oração implica a classificação obtida em (1), dado que não é possível atribuir a se outro valor morfológico senão o valor de conjunção.
Gostaria, por gentileza, de vossa opinião a respeito do assunto.
Grato.
A expressão «atento o parecer»
Usa-se a expressão «atento o parecer», quando alguém se pretende referir a um parecer que é ponderado ou tomado em consideração no sustento de uma decisão.
Em que género fica o verbo atentar quando o substantivo é feminino? Por exemplo, com informação, ficaria «atento a informação» ou «atenta a informação»?
«Ah, fadista» e «há fadista»
Após um fadista cantar, normalmente o público manifesta o seu agrado pelo artista.
Em bom português escrito, o público exclama: "Há fadista!" ou "Ah, fadista!"? Ou será de outro modo?
Agradeço a ajuda. Obrigado.
Corresidente e corresidência
Preciso de encontrar um termo na língua portuguesa que sintetize a ideia de «partilha de casa» e, já que corresidente se apresenta como uma palavra correta, poderia considerar o conceito de "corresidência"?
Encontro esta palavra em estudos de origem brasileira, mas não nos dicionários ou estudos portugueses.
Em caso negativo, que outros se afigurariam mais adequados?
A etimologia do prefixo vice-
O prefixo vice-, por sua origem, tem mais que ver com substituição ou com inferiorização?
Obrigado.
A correlação de tempos verbais na frase
«Duvido que o Zé fosse capaz disso»
«Duvido que o Zé fosse capaz disso»
Encontrei a frase «Duvido que o Zé fosse capaz de fazer uma coisa dessas» nas soluções dum livro de exercícios de Português para estrangeiros.
Embora as regras da consecutio temporum indiquem que a subordinada deveria levar o conjuntivo presente «Duvido que o Zé seja capaz de fazer uma coisa dessas», ao mesmo tempo, parece-me correta a utilização do imperfeito, com o fim de atribuir à oração uma perspetiva presente de um momento no passado: duvido (agora) que o Zé fosse capaz (no passado)...
Por outro lado, poderíamos utilizar o pretérito-mais-que-perfeito do conjuntivo: «Duvido que o Zé tenha sido capaz de fazer uma coisa dessas»?
Muito obrigada pela ajuda.
O infinitivo numa oração introduzida por ao
Numa das últimas respostas do consultório encontrei a seguinte expressão: «Ao cortarem-lhe as tranças, eles deixaram a menina muito triste.». Pergunto, uma vez que o sujeito das duas orações é o mesmo, se não poderá escrever-se também:«Ao cortar-lhe as tranças, eles deixaram a menina muito triste.» Antecipadamente grato
A etimologia do nome comum cachaça
Estou à procura da origem específica da palavra cachaça.
Pelo que consegui achar até agora, entendo que este nome foi dado à bebida pelos escravos africanos no Brasil.
Há uma chance grande de ter origem em uma língua banta. Infelizmente é muito difícil descobrir mais.O fato de que existem várias línguas bantas não me ajuda.
Um professor brasileiro [...] acha que a palavra vem do quicongo. Mas ele não dá nenhuma referência, nem menciona a palavra original.
Eu procurei no dicionário português-quimbundu, mas não consegui aqui achar nenhuma palavra parecida, a não ser um destilado de cana-de-açúcar que se chama kisungu em quimbundu.
Gostaria muito conhecer a origem específica da palavra cachaça (qual língua, qual palavra, qual significado original).
Se puderem ajudar-me com isto, ficaria muito obrigado e feliz.
Obrigado.
O gentílico de Pico da Pedra
(São Miguel, Açores)
(São Miguel, Açores)
Gostaria de saber qual dos seguintes nomes gentílicos está correto?
1. Onésimo Teotónio Almeida é um ilustre pico-pedrense, nascido a 18 de dezembro de 1946.
2. Onésimo Teotónio Almeida é um ilustre picopedrense, nascido a 18 de dezembro de 1946.
De um grande admirador do Ciberdúvidas.
Condicionais contrafactuais: tempos simples e tempos compostos
Desconsiderando a substituição do futuro do pretérito simples do indicativo pelo pretérito imperfeito do indicativo em condicionais, que os lusofalantes fazem, gostaria de saber a diferença de significação entre:
(1) «Se ele não tivesse roubado isso, nós teríamos fugido.»
(2) «Se ele não roubasse isso, nós fugiríamos.»
Não consigo identificar a distinção de condicional contrafatual quando formada pelo (1) pretérito mais-que-perfeito do subjuntivo + futuro do pretérito composto do indicativo e pelo (2) pretérito imperfeito do subjuntivo + futuro do pretérito simples do indicativo. E ainda, não sei se é possível combinar as formas supracitadas e quais seriam os novos significados, como em:
(3) «Se ele não tivesse roubado isso, nós ganharíamos»;
(4) «Se ele não roubasse isso, nós teríamos ganhado».
Obrigado pela atenção.
