DÚVIDAS

Uma frase com quatro tempos verbais
Como formador, utilizei há tempos, numa sessão de formação, uma frase retirada de um pequeno livro da autoria de José L. S. Sampaio, cujo título é “Avaliação na Formação Profissional”, da colecção Formar Pedagogicamente. A frase é a seguinte: «Os elementos a fazer corresponder devem ser afins e homogéneos e conter apenas uma ideia....» Alguém se escandalizou e comentou: «Quatro tempos verbais seguidos? Essa frase está mal construída!» Eu mantive a frase. Gostaria de saber se realmente fiz bem.
À volta da pronúncia de poça, no singular e no plural
Na análise já feita, existem 2 modos, "pôça" e "póça", o que significará que ambos estão correctos, pese embora a ausência de acentuação, o que me faz confusão. Quando ouço na TV dizerem «uma /póça/» ou «duas /póças/» os meus tímpanos sentem-se agredidos. E lembro-me logo do /môlho/ e dos /môlhos/ (culin) e do /mólho/ e dos /mólhos/ (dos 7 vimes) e ainda do «alho porro» das nossas noites de S.João, que se pronuncia /pôrro/.
Concernir = dizer respeito
Tenho tido discussões acesas com amigos a propósito do verbo concernir, nomeadamente por causa da sua conjugação na 3.ª pessoa do singular na expressão: "No que concerne". Estes meus amigos teimam em dizer que esta expressão não é "portuguesa" e que só mais recentemente foi adaptada do inglês ou do francês. Isto é verdade ou o verbo concernir sempre foi utilizado comum e regularmente pela língua portuguesa, tendo em conta a sua origem no latim? Tenho dificuldade em aceitar que esses meus amigos me digam que: «'no que concerne' não é a expressão mais correcta uma vez que temos expressões em português como 'no que diz respeito'»! Grato pela atenção dispensada!
Plural de mil, outra vez
1. A propósito do plural de "mil" (D'Silvas Filho, 7/11/2003) aponto o lapso de escrita óbvio no primeiro parágrafo: onde se lê «numerais ordinais» deve ler-se «numerais cardinais». 2. Imprecisão no segundo parágrafo e alhures: cumpriria dizer, de rigor, que a regra de pluralização do -il em -is se aplica apenas ao -il final tónico, e a do -il em -eis apenas ao -il final átono. A hipótese de "meis" como plural de mil (-il tónico) nunca poderia, por conseguinte, subsumir-se nesta última regra. 3. Os monossílabos terminados em -l constituem um conjunto fechado e reduzidíssimo: cal, gral, mal, sal, tal, qual, fel, gel, mel, mil, til, mol, rol, sol, sul; ao todo, 15 vocábulos, afora algum mais que me haja escapado. 4. No estado actual da língua dita culta, dos quinze vocábulos assinalados, alguns têm o plural fixado de há muito: males, grais, sais, tais, quais, suis; os restantes vacilam na forma utilizada: mols/moles (variante apenas gráfica), cales/cais, feles/féis, geles/géis, meles/méis, miles/mis, tiles/tis. 5. Em face das alternativas de pluralização de mil, haverá razões que levem a preferir uma delas? A favor de "miles" (assim como de "tiles") poderia aduzir-se talvez a maior "relação imediata" com o singular. D'SF prefere «mis» mas não apresenta qualquer justificação, antes parece contradizer-se, pois não se vê, seguindo o seu raciocínio a propósito da escolha de males e cales, qual a confusão suscitável pelo emprego de miles. Na lógica da sua orientação e considerando-se que «mis» pode igualmente ser o plural de mi (nota musical), seria preferível a forma miles. Na prática, a contextualização do enunciado raramente dará azo a este tipo de confusão. 6. Relativamente a males, não há nenhuma alternativa viável. A pseudo-alternativa "mais" é forma perfeitamente obsoleta em qualquer uso culto actual.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa