Acentuação de nomes de origem grega
Tenho sempre muitas vezes dúvidas quanto à acentuação correcta de palavras gregas em português. As minhas dúvidas actuais são como dizer as seguintes palavras: "Átrida" ou "Atrida"; "Artémis" ou "Ártemis"; "Heráclito" ou "Heraclito".
Tenho a certeza de que há muitos mais pares como estes que já me causaram dúvidas noutras alturas, mas estes são os exemplos de que me lembro. Agradecia se me pudessem esclarecer, e ainda mais se me pudessem dar uma regra para o caso geral.
Verbos de processo + processos de formação de palavras
Gostaria de receber informações aprofundadas e bibliografia sobre os seguintes itens:
a) verbos de processo em língua portuguesa; b) todos os processos de formação de palavras em língua portuguesa.
Obrigado.
Origem e família de palavras do verbo marinar
Qual é a origem da palavra marinar? Esta palavra pode ser considerada da família de mar?
Legenda/lenda
Normalmente uso "lenda" com o significado de "famoso", num contexto "histórico/fantástico" e "legenda" enquanto "letreiro, apontamento a imagem". (Exemplos - "Lendas e Narrativas" e "a legenda da fotografia"). Ultimamente, tenho ouvido e lido "legenda" com o signifcado que julgava reservado a "lenda". Será correcta tal utilização?
Alfange e alfanje
No Dicionário Houaiss (edição portuguesa da Temas e Debates) encontro a palavra alfange e alfanje para o mesmo significado. No mesmo dicionário do Brasil (on-line) e no Michaelis vem só alfanje.
Nos outros dicionários que consultei só encontro como correcto alfange com excepção do Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, em linha na Net, que indica: «Nota: no Brasil, alfanje.»
Gostaria de saber se vamos continuar a ter duas grafias diferentes para o mesmo significado, após o Novo Acordo Ortográfico.
Conto, como sempre, com a vossa preciosa ajuda.
As subclasses dos advérbios claro e claramente
Pedia, por favor, que me esclarecessem se as palavras claramente e claro são advérbios de afirmação nas frases seguintes:
a) Claramente, confirmo essa informação.
b) Claro, confirmo essa informação.
Muito obrigada!
Plural de tecelão
Gostaria de saber qual o plural correcto da palavra "tecelão". Será tecelões, tecelães ou tecelãos? Muito obrigada.
A escansão do possessivo sua num poema
Tomemos a seguinte hipótese de decassílabo heróico:
«Ora a sua compleição perde fulgor.»
Pergunto se «sua» pode ser considerada uma sílaba métrica, ou seja, pergunto se uma sílaba métrica pode ser composta por duas vogais, de forma a que, apesar de serem da mesma palavra, uma pertença à sílaba tónica e outra não.
Faço notar que sei que a maneira de escandir depende muito dos hábitos de cada poeta. A pergunta que faço é meramente teórica.
Grato desde já pela atenção.
Hamlet: "hic et ubique"
Lendo Hamlet, deparei com a expressão latina "hic et ubique". Qual seria a tradução?
Obrigado.
O pronome quem e as orações relativas livres
A regra de que sujeito oracional deve seguir a concordância na terceira pessoa do singular se aplica no caso de orações relativas livres?
Ex.: «Quem acredita sempre alcança»... (está OK)... Mas «Quem acredita sou eu» parece melhor do que «Quem acredita é eu». Há gramáticas que afirmam que numa frase como «Sou eu quem acredita» o quem manteria uma relação anafórica com eu... Mas eu vejo com reservas o quem como um pronome relativo-anafórico na posição sujeito, pois uma frase igual à que eu vou mencionar, apesar de comum no Brasil, parece deveras estranha: «Ela é a pessoa quem fez isso.» O que me leva a supor que as frases «Sou eu quem acredita» e «Quem acredita sou eu» possuem a mesma estrutura sintática, com a subordinada constituindo um sujeito oracional através de uma oração relativa livre; e como sujeito oracional nessa condição de ser uma oração relativa livre, o verbo da oração principal apresentaria a particularidade de poder concordar com um predicativo. Na verdade, parece-me que o pronome quem introduz orações limítrofes entre a função de sujeito simples e oracional, pois, numa frase como «Aquele que acredita sempre alcança», o sujeito é simples, e só se torna oracional, no caso do uso do quem, justamente porque o quem pode equivaler, por si mesmo, à forma «aquele que».
Agora, apresentando uma frase um pouco diferente de uma anteriormente mencionada, a oração principal dela parece apresentar um atributo — ou predicativo — mas sem um sujeito do ponto de vista sintático: «Sou eu que acredito nisso.» O eu aqui não me parece sujeito e, sim, um atributo semelhante aos que aparecem nas orações sem sujeito que acontecem com o verbo ser. Apesar de que, do ponto de vista lógico (não sintático), sabe-se quem é o sujeito. E nesta última oração, do ponto de vista sintático, a subordinada me parece, sim, uma subordinada adjetiva.
Outra coisa que eu penso como curiosa é o fato de no Brasil ser extremamente comum dizer frases como «Eu imagino de quem falas», ou seja: uma subordinada relativa livre, na posição de objeto direto, mas introduzida pela preposição que é regida pelo verbo da subordinada... Li, numa tese de mestrado produzida em Portugal, que sentenças como essas são extremamente marginais em Portugal...
Gostaria, se possível, da opinião de Carlos Rocha sobre minhas indagações.
