Divisão “entre dois números”
Na secção Pelourinho, João Alferes Gonçalves em 16/03/2006 escreveu: «Não é a “divisão entre”: é a divisão do perímetro pelo diâmetro», a propósito de um artigo no "Público" sobre o Dia Mundial do Pi. Porque é que está errado escrever «a divisão entre dois números»? Neste caso em concreto, a divisão diz respeito a uma operação matemática também conhecida como quociente.
Quociente entre dois números, ou divisão entre dois números, é uma expressão vulgar em matemática, entendendo-se que o primeiro dos dois números é o dividendo, e o segundo, o divisor. Esta expressão é, aliás, idêntica a outras, como diferença entre dois números e que diz respeito à operação subtracção. De uma maneira mais geral, fala-se de operações entre números, que é graficamente intuitivo porque, por exemplo, sendo × um operador geral entre dois números, a operação pode ser representada por a × b (× opera entre a e b). No caso concreto da divisão fica a / b, que ironicamente até parece representar uma divisão física entre os dois números. Penso que estas expressões são claras no contexto onde são mais usadas e não suscitam grandes dúvidas. Obviamente, «divisão do perímetro pelo diâmetro» é uma expressão perfeitamente compreensível, e talvez mais próxima da ideia «dividir um bolo entre várias pessoas».
Qual é a explicação para o erro apontado por João Alferes Gonçalves?
Obrigado.
Sobre modalidades
Agradecia que me esclarecessem quanto à modalidade epistémica, se a há, nos seguintes enunciados:
«Ulisses era grego.»
«Ela tem 15 anos.»
«A caneta está estragada.»
Segundo observei em alguns espaços, estes enunciados são classificados como epistémicos (valor de certeza).
Contudo, segundo o meu entendimento de modalização, estas frases não estão modalizadas, ou seja, não incluem nenhum elemento modalizador, seja verbal, adverbial, adjetival, de pontuação, enfático ou outro.
Por serem frases assertivas, deverão ser consideradas modalizadas?
Por outro lado, aceitaria que se considerassem no domínio da modalidade alética, pois «o locutor refere-se ao valor de verdade das proposições» (citado de uma outra explicação encontrada aqui). Contudo, esta modalidade não é considerada no Dicionário Terminológico! Como fazer então?
Por fim, como classificam enunciados em que se emitem opiniões? Por exemplo:
«Duvido que estejas certo!»
Os termos afia e aguça (Portugal)
Há dias, em conversa com um colega meu, surgiu-me(-nos) uma dúvida que não conseguimos esclarecer e da qual não fomos inclusive capazes de perceber a origem. A questão prende-se com os termos afia e aguça, no sentido de aguçadeiras ou apara-lápis. Um de nós afirma claramente que ambas as palavras são femininas, ou seja, pronuncia-as como «a afia» e «a aguça». Outro defende convictamente que ambas as palavras são masculinas. Sondámos vários amigos, colegas e familiares em busca de uma resposta, mas apenas chegámos a uma conclusão: que não há concordância e que as pessoas naturais da região norte utilizam maioritariamente a forma feminina e as do Centro a masculina. A que se deverá esta situação? Tratar-se-á de regionalismos, ou simplesmente uma das formas é totalmente errada?
Obrigada.
Fogo de artifício
(sem hífenes, pós-AO)
(sem hífenes, pós-AO)
No vosso glossário de erros mais frequentes, assinalam que a palavra "fogo-de-artifício" deve-se escrever com hífenes. Contudo, esta mesma palavra surge no Dicionário Houaiss sem hífenes, isto é: fogo de artifício.
Sobre a grafia de anjo e angelical
Gostaria muito de elucidar uma dúvida minha: porque a palavra anjo é com j, e angelical é com G?
Desde já agradeço a atenção.
Mecanismos de coesão linguística
Eu gostaria de saber quando se pede para analisarmos os mecanismos de coesão linguística num determinado texto, que aspectos devemos abordar. Ficaria muito agradecida se me pudessem responder.
Marioneta ou marionete?
É marionete ou marioneta?
Disponível, disponibilidade, disponibilizar
Ora aqui estão três vocábulos muito utilizados no dia-a-dia da mais comum das pessoas, mas que os dicionários, com a excepção para disponível, "teimam" em não conhecer ou reconhecer. Isto pressupõe não incluírem o léxico nacional e portanto não ser "lícita" a sua utilização, pelo menos em discursos institucionais.Sendo assim, e depois de diversas tentativas goradas, ora porque nunca se encontra quem pode esclarecer ora porque é difícil saber quem o pode fazer, ouso pedir.
Sueste, sudeste
Tenho ultimamente lido e ouvido com alguma (demasiada) frequência a palavra "sudeste" em vez de "sueste". Parece-me mais um estrangeirismo desnecessário, uma vez que em português (pelo menos em linguagem náutica) sempre me lembro de ouvir a palavra sueste. Penso que estamos na presença de uma importação directa do francês e do castelhano, que, esses sim, dizem sudest ou sudeste. Grave é que há um Centro de estudos português do "sudeste" asiático. Ou estarei a ser mais papista que o Papa?
A classe gramatical da palavra responsáveis
Na frase «Pois de todos os responsáveis por uma má notícia, o mensageiro é quem sempre paga, primeiro, porque é o que está mais à mão», qual é a classe gramatical de «responsáveis»? Fui informada de que se trata de um substantivo, mas não estou convencida. Está correto argumentar que «responsáveis» corresponde a um termo que qualifica um ser (p. ex.: «de todos os [homens] responsáveis por uma má notícia...») e, assim, poderia ser classificado como adjetivo? Quando comparo a frase em apreço com estas: «Os homens são bons»; «Os homens são inteligentes»; «Os homens são responsáveis»/«Os homens bons serão reconhecidos»; «Os homens inteligentes...»; «Os homens responsáveis...»/«Os bons serão reconhecidos»; «Os inteligentes...»; «Os responsáveis...», penso que o termo responsáveis, na frase em questão, é, de fato, adjetivo. Por gentileza, esclareçam essa dúvida.
Muito obrigada! Parabéns pelo trabalho!
