DÚVIDAS

A redundância «exéquias fúnebres»
Num recente programa do Biography (acerca da carreira profissional da juíza O´Connor) tivemos ensejo de nos depararmos com a expressão «exéquias fúnebres» (do presidente R. Reagan). Pergunto: não será o mesmo que «subir para cima», «avançar para a frente», «recuar para trás», e assim por diante? Não cuidou o locutor em que o uso pleonástico apenas se admite como recurso literário de ênfase (e em condições bastante condicionadas)? Não acredito pelo que tenho vindo a apreciar: o fulano saiu completamente analfabeto na medida em que, desta vez, manifesta ser-lhe completamente desconhecido o significado de exéquias (cerimónia religiosa fúnebre).
«Prequela»
É «legítima» a utilização da palavra "prequela", de significado oposto a "sequela", i. e., referente a uma obra em que a acção decorra antes de outra, escrita ou filmada primeiramente? O termo existe em inglês, como comprovei no dicionário Webster «online», mas tem sido mais empregue recentemente com a «histeria» sobre a "prequela" do novo filme da «Guerra das Estrelas». Ouço o termo há muito tempo, pelo menos em inglês, e nunca me ocorreu que não pudesse, ou não devesse, ser usado em português.
Oração subordinante vs. frase
Gostaria que me esclarecessem quanto à terminologia a utilizar no que respeita à designação de frase subordinante ou oração subordinante. De fato, tenho reparado que há manuais que utilizam a designação de oração subordinante, enquanto outros designam de frase subordinante, que me parece ser mais correto.Por exemplo na frase: «O Pedro gostou da pera porque estava madura», estamos perante duas orações, a primeira oração subordinante, a segunda oração subordinada adverbial causal, introduzida pela conjunção subordinativa causal — porque —, de acordo com a anterior nomenclatura.Ora, consultando o Dicionário Terminológico parece-me mais correto considerar que estamos perante uma oração subordinada adverbial causal e uma frase subordinante, pois oração é a «Designação tradicional para os constituintes frásicos coordenados e subordinados contidos em frases complexas».Então, como estamos perante uma frase complexa, será mais correto designar a tradicional oração subordinante de frase subordinante.
Fora [fôra]
Estou neste momento a fazer um estágio de tradução no parlamento europeu, sou licenciada em línguas e literaturas modernas. Há pouco, durante uma tradução ocorreu-me uma dúvida, não deveria o verbo ser, conjugado no pretérito-mais-que-perfeito, nas 1.ª e 3.ª pessoas do singular ter um acento circunflexo, à semelhança do que acontece com o verbo pôr, para evitar a confusão com a preposição por? É que em português, o advérbio fora tem a mesma grafia!
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa