DÚVIDAS

O uso de crase com a «casa de X»
Preciso entender melhor o uso da crase. Nas gramáticas brasileiras, usamos o acento grave antes da palavra casa, só quando vier modificando. «Cheguei a casa cedo.» «Cheguei à casa de meu pai.» Na segunda frase, está explicando que não é a minha casa. Eu tenho uma amiga portuguesa e fiz esta pergunta para ela. Ela disse que ela não usaria acento grave desse caso. Fiz uma consulta e vi uma explicação de vocês, mas não entendo se é diferente em Portugal. Eu gosto muito de conhecer a diferença entre os dois países. Obrigada.
A grafia do termo "desemerdar"
Faço ocasionalmente traduções e, recentemente, ao traduzir um texto do francês, surgiu-me uma dúvida sobre como escrever o termo "desemerdar". Não estou certo se se trata de um galicismo, a partir de démerder, ou de um termo próprio da nossa língua. Ao pronunciar a palavra, a maioria das pessoas a quem perguntei aponta para "desenmerdar", mas a mim soou-me estranha a junção do n com o m, e não me ocorreram outras palavras portuguesas em que uma sílaba com n final se ligasse a outra com m inicial. P. ex.: emoldurar/desemoldurar e não "enmoldurar"/"desenmoldurar", ao contrário de, por exemplo, encastrar/desencastrar — mas não estou certo se se trata de bons exemplos. Estarei certo? Assim, optei por "desemerdar". Curiosamente, na revisão do texto alteraram para "desenmerdar". É também um problema de, em Portugal, haver uma timidez despropositada com o registo nos dicionários dos termos "populares" ou "palavrões", reflectida nos frequentes «vai-te lixar» utilizados incorrectamente em traduções de filmes.
A classificação sintáctica de algumas frases + os complementos circunstanciais no predicado
Gostaria que me indicassem qual a melhor forma de classificar sintacticamente as seguintes frases: 1) «Tal ideia nem lhe ocorreu.» 2) «Toda esta correria fez um certo ruído.» 3) «Nenhuma dessas considerações perturbou naquela noite o João.» 4) «Era bem-comportada, amável e bondosa.» Relativamente à inclusão dos complementos circunstanciais no predicado, pesquisando o vosso site, vejo que não há uniformidade nessa questão. Há quem defenda que devem estar incluídos, outros defendem que não. Podem esclarecer-me se, na frase: «O João está na praia», devemos considerar o complemento circunstancial de lugar como fazendo parte do predicado? Muito obrigada pela vossa ajuda.
A interface ou o interface?
Sou utilizador habitual de computadores e uma das (muitas) dúvidas que me ponho é uma tão simples como isto: deve-se dizer "o" interface ou "a" interface, e quais os vossos comentários à utilização da própria palavra "interface". P.S. - Quanto às bichas... parece-me que se esqueceram de um pequeno detalhe, no Brasil (e também por cá) bicha é o homossexual efeminado, daí também a utilização da fila. E parabéns pela página, esperando que consigam levar o projecto em frente.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa