DÚVIDAS

Achamento / descobrimento / descoberta, outra vez
«Parecem-me igualmente aceitáveis achamento e descobrimento - e também descoberta, apesar de alguns verem neste substantivo um galicismo. Há quem prefira achamento por ser termo utilizado na Carta de Pêro Vaz de Caminha. JCB. Cf. Diversidades.» Aqui no Brasil essas palavras também estão sendo motivo de muito comentário e consulta às pessoas que através dos meios de comunicação procuram esclarecer como devemos usar o Português no nosso dia a dia. É senso comum entre essas pessoas que os termos descobrimento e achamento são sinônimos/sinónimos e referem a coisa previamente conhecida. Já descoberta refere-se a coisa desconhecida anteriormente. Portanto o Brasil já seria conhecido, bastava encontrá-lo, como uma gravata que tenho mas não sei onde a coloquei. No caso de descoberta seria o cientista descobrir algo que não conhecia ou imaginava encontrar.
Bombordo / estibordo
Contou-me um oficial de Marinha uma história saborosa sobre a origem das palavras "bombordo" e "estibordo". A distinção entre os dois vocábulos, segundo ele, remonta à época das pioneiras navegações portuguesas ao longo da costa da África. Quando as naus se dirigiam de norte a sul, os marinheiros, estando de frente para a proa, olhavam à esquerda, avistavam a terra africana e, por ser esta promissora e dadivosa, qualificavam-na como "boa". Donde, o "bordo" que estivesse à esquerda passou a ser referido como o "bom-bordo". À direita, evidentemente, o que se via era mar, um imenso mar sem fim, e nenhuma terra à vista. Não sem algum desprezo, os navegantes portugueses passaram a tratar o "bordo" à direita como "este-bordo", assim como quem diz casualmente: "Este bordo que está aí..." Desta maneira, cunhou-se a palavra "estibordo". Pergunto se é procedente esta explicação da origem dos mencionados termos náuticos, ou se tudo não passa de uma versão apócrifa.
A grafia de basebol
Relativamente à palavra baseball ou basebol, queria também alertar para um pequeno busílis, o qual tem criado alguma confusão acerca da definição correcta do nome da modalidade. É certo que os brasileiros denominam a mesma de beisebol; no entanto devemos nós portugueses copiar o brasileirismo ou definir as coisas como são? Uma questão pertinente: O corredor corre para a "base", ou para a "beise"? É evidente que na tentativa de adoptar uma definição, mais correcta possível, teremos como génesis a palavra inglesa baseball, até aqui penso que todos estamos de acordo. No entanto, fazer uma tradução directa teríamos algo como "basebola" (caso do futebol, penso que inicialmente denominado "bola-pé" ou "balompé", enfim). Assim sendo, a tradução mais próxima será através da fonética. Para tal vamos separar a palavra baseball em duas, base e ball, a primeira tanto pela parte fonética como semântica, uma vez que a sua equivalente em português é igual, enquanto a segunda palavra tem por tradução bola, o que daria algo parecido como "basebola". É aqui que entra a fonética da segunda palavra: -ball ou -bol? Serão muito próximos ao nosso ouvido, permitindo desta forma dar um nome algo mais preciso e sonante para a modalidade (penso que relativamente a esta segunda palavra não existe qualquer discórdia, pois, tal como as outras modalidades, a finalização é a mesma; ex: andebol, futebol, etc.). O que dá como resultado basebol [...]. Um exemplo parecido é o nome atribuído à modalidade na Venezuela, onde não se diz baseball, mas sim beisbol. Para a definição deste último nome utilizou-se a aproximação fonética da palavra em castelhano, pois a palavra base, em inglês, soa ao ouvido do venezuelano como "beis"; o mesmo acontece com a palavra ball, que é bol. Desde já quero pedir desculpas pela minha ousadia. No entanto, penso que este tipo de discussões será sempre em benefício da modalidade. Um grande a braço e continuem com o excelente trabalho.
Sobre o l em final de sílaba
Sei que já se falou sobre isto, mas infelizmente não consigo encontrar as páginas referentes a isto. Tenho lido que com as novas tecnologias se pode foneticamente diferenciar as seguintes palavras. Mas no entanto ainda não se encontram nas gramáticas portuguesas. Antigamente foi difícil aceitar que tínhamos 2 semivogais, que se encontram em pai e pau, hoje aceitamos isso e lê-se nas gramáticas; mais tarde foi possível reconhecer mais 2 semivogais mas eram nasais, encontramo-las em mãe e pão, essas 2 ainda não se encontram em todas as gramáticas. Agora são as seguintes palavras, o /L/ em final de sílaba como: ál em cálcio vs. al em calcário él em Bélgica vs. el em saudável íl em funil vs. il em fértil ól em golpe vs. ol em Moldávia úl em búlgaro vs. ul em Bulgária Eu consigo reconhecê-las, mas qual é a vossa opinião profissional?
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