Termos populares e termos eruditos
Que relação poderia haver entre os vocábulos cabra e caprino; vida e vital, e noite e noturno, segundo Mattoso Câmara Jr.?
O uso da crase
Em que casos utilizo «à distância» e «a distância»?
Acentos nas maiúsculas
As letras maiúsculas se começarem um parágrafo podem ou não ter acento?
Sobre o imperativo do verbo fazer
Sou secretária e na empresa em que trabalho temos um Ato de Fé no qual estão inseridos os valores, a missão e alguns pensamentos do Conselho Diretor da empresa. Destaco aqui um parágrafo: «Quando tiveres terminado o teu trabalho faz o do teu irmão, ajudando-o com tal delicadeza e naturalidade que nem mesmo o favorecido repare que estás fazendo mais do que em justiça deves». A conjugação do verbo fazer não deveria estar no imperativo (Quando tiveres terminado o teu trabalho faças (tu) o do teu irmão)? Porém, além do «faças» não soar muito bem, deve-se evitar a mistura de tratamentos (2.ª e 3.ª pessoas) o que acontece no texto completo que eu não transcrevi aqui, sem falar que o tu é característico da região sul. Minha sugestão foi alterar este parágrafo para a 3.ª pessoa ficando: ... que nem mesmo o favorecido repare que está fazendo mais do que em justiça deve. Foi quando surgiu a dúvida; quem está fazendo mais: você ou o teu irmão? Seria o caso de acrescentar a palavra você? (... repare que você está fazendo mais do que ...) Há alguma outra solução? Deveria ter deixado com estava já que foi retirado de um pensador antigo?? Obrigada.
Expertise
Tenho a seguinte dúvida: o ou a expertise?
O narrador omnisciente
Será que existe a categoria de narrador omnipresente?
Femininos de actor
Julgo que correctamente, tenho utilizado a palavra actor, não no sentido mais corrente mas antes como designando alguém ou alguma coisa que actua, que tem um papel próprio num determinado processo. Confrontei-me agora com o que me pareceu uma dificuldade: querendo referir que «a sociedade civil deverá ser (actriz?) do seu próprio desenvolvimento», o feminino, entre parêntesis, não me pareceu de forma nenhuma apropriado. Qual o feminino da palavra actor neste contexto: actora, que me soa melhor embora desconheça a sua existência? Será mesmo actriz? Ou qualquer outro ou nenhum? Mais uma vez grato pelo vosso excelente trabalho e por mais esta ajuda.
Ainda a pronúncia da bactéria Escherichia coli
Na resposta a uma dúvida de 23/03/2009 a respeito da pronúncia de Escherichia coli, foi dito que, nos nomes científicos, a sequência ch deve ser lida como /k/. Foi também dito que a primeira sílaba do nome do género da dita bactéria se deve ler como em Estoril.
Ora, gostaria de saber a justificação usada para estas informações, que me parecem inconsistentes:
1. Se, por um lado, a sequência , em nomes neolatinos, é lida como /k/, a verdade é que os nomes científicos não são obrigatoriamente latinizados, tendo apenas de ser romanizados. Por este motivo, parece fazer pouco sentido que se pronunciem como sendo palavras latinas.
2. Caso seja aceite a pronúncia latina para nomes científicos, não faz sentido pronunciar a primeira letra do nome Escherichia como /ɨ/, vogal inexistente tanto no latim clássico como no vulgar, no eclesiástico e mesmo em novo latim (o latim como falado pela comunidade científica até cerca de 1900).
3. Mesmo que se considerem os nomes científicos como neolatinos (nunca como latinos, devido à existência de sequências gráficas que estão presentes nos mesmos sem existirem em latim), há que ter em consideração que não existe uma forma única de pronunciar nomes neolatinos: nos tempos em que o novo latim era realmente utilizado pela comunidade científica, falantes de diferentes nacionalidades usavam diferentes normas orais, não havendo uma norma única como no caso do latim clássico (tendo em conta, contudo, que essas diferentes normas eram regulares dentro de cada país).
4. A pronúncia recomendada em inglês é /ˌɛʃɪˈrɪkiə ˈkoʊlaɪ/ (partindo do princípio que a Wikipedia anglófona é de confiança...) e se os anglófonos podem dizer /ʃ/, porque é que nós não o podemos fazer!?
Dito isto, gostava de facto de ver esclarecida esta questão de como pronunciar nomes científicos, que há tanto tempo me assola sem que eu consiga encontrar solução. Num momento, parece-me que faz sentido usar a pronúncia do latim clássico, mas logo vejo que isso não pode ser, devido às sequências não-latinas... Logo depois, parece-me que faz sentido usar a pronúncia neolatina de tradição portuguesa, mas constato que os anglófonos não usam a pronúncia neolatina de tradição inglesa... E tenho pavor a pronunciá-los como se fossem palavras portuguesas (que é o que os meus professores fazem), por questões puramente estéticas (além de essa pronúncia sacrificar totalmente a internacionalização a que os nomes científicos se propõem).
Já agora, a respeito do tema da nomenclatura científica, fica uma segunda (e mais simples!) questão: os nomes dos taxa devem escrever-se com inicial maiúscula ou minúscula? Por exemplo: escreve-se "género" ou "Género"?
Agradeço antecipadamente a resposta às questões.
Salvo melhor opinião
Na linguagem jurídica, é muito frequente utilizar a expressão "salvo melhor opinião", como sinal de modéstia ao manifestar uma determinada posição.
Professores de Direito, advogados e magistrados recorrem amiúde a esta locução. Os pareceres dos Mestres terminam invariavelmente com a frase: "É este, salvo melhor opinião, o meu parecer".
Porém, há dias, confrontei-me com uma peça processual em que se dizia "salva melhor opinião", aliás por duas vezes, revelando que a signatária assim redigiu conscientemente.
A minha pergunta é: se dizemos "salvo erro" não deveremos dizer "salva melhor opinião"?
E no caso de assim ser, será que o facto de ser tão utilizada a expressão "salvo melhor opinião" legitimará o seu uso apesar do (pelo menos aparente) erro de concordância? É que para quem durante anos andou a escrever e ler "salvo melhor opinião" custaria mudar de hábito.
Baptizado
Escreve-se «baptizado» ou «batizado»?
Na sequência, é «baptismo» ou «batismo?
