DÚVIDAS

Hipálage, personificação, pleonasmo, metáfora
Qual a figura de estilo predominante no seguinte parágrafo? «Os casinholos de madeira, assolapados ao longo da rua, seguiam-se, indiscretos, com os olhos baços das janelas, enquanto as chaminés, de fasquias rotas e empenadas, golfavam de alto a baixo roscas pardas de fumo.» Luís Cajão, «Emboscadas», in Os Melhores Contos e Novelas Portugueses. Estou na dúvida entre metáfora e personificação.
Substantivação de advérbios e verbos no infinitivo (conversão)
José Maria Relvas escreve: «Para mais facilmente conhecermos se uma palavra é um substantivo, basta pôr antes dela algumas dessas palavras: um, uma, uns, umas, o, a, os, as. Qualquer palavra pode ser um substantivo, desde que essa palavra esteja substantivada por alguma das palavras um, uma, uns, umas, o, a, os, as. Assim: não, sim, são advérbios, mas, se dissermos: «o não», «o sim», já são substantivos; comer, cantar, são verbos, mas se dissermos: «o comer», «o cantar», já são substantivos; etc.» (Gramática Portuguesa – 2.ª Edição revista, actualizada e aumentada, Europress, 2001, pág. 21). Realmente, quando acrescentamos os artigos, quaisquer que sejam, a uma palavra, independentemente do grupo ou classe gramatical, passa a substantivo. Por isso, os grandes linguistas aconselham que não se deve dizer o seguinte: «O peixe é para o almoço» (diferente de: «O peixe é para almoço»). Naquela, está contida a ideia de «o peixe» ser dado para o «almoço», como se este fosse um (ou uma) personagem, o que não corresponde à verdade, ao passo que, nesta, há a ideia de finalidade para a qual se destina o peixe. Gostaria, entretanto, de saber se «o sim», «o não», «o comer», «o cantar» são substantivos comuns, ou concretos. Creio que sejam comuns, porque se escrevem em minúscula.
«Atão era pastor», novamente
Vi no vosso site a seguinte referência: «[Pergunta] Qual a origem da expressão «Atão era pastor»?» Por simples curiosidade (se é que não o sabem!?), poderei referir uma expressão que toda a minha vida ouvi, relacionada com os versos do meu avô, «Antão e a sua história — João de Vasconcellos e Sá», em que os primeiros versos dizem qualquer coisa como: «Antão era pastor de ovelhas e tinha uma cão de gado sem orelhas...»
Aspeto habitual e aspeto iterativo
Gostava de saber como distinguir aspeto habitual e iterativo. Igualmente, gostaria que me esclarecesse qual o valor aspetual das seguintes frases: «Temos de acabar o trabalho até ao fim do mês.» «Havemos de fazer o impossível para que o jornal saia no prazo estabelecido.» «Chegaram soldados durante horas.» «A Maria chega sempre atrasada às aulas da manhã.» «A Ana vai estudar com o João.» Obrigado!
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