DÚVIDAS

Pelo no começo de oração de infinitivo (arcaísmo)
Na tradução de António Feliciano de Castilho (1800-1875) das Metamorfoses, no episódio de Io, há essa passagem: «Olha em torno de si, não vê o esposo; e suspeitosa, pelo haver colhido já vezes cento em amorosos furtos, não o achando nos céus, — Ou eu me engano, ou lá me agravam — diz.» Parece que pelo aqui é per mais o pronome o, e não o artigo definido o. Isso é possível? Ou seria melhor "pelo o haver colhido"? Obrigado.
Imagem e oração relativa
Venho, por este meio, solicitar a sua ajuda na análise de uma frase de Frei Luís de Sousa. A cena final do ato II, entre Frei Jorge e o romeiro, é a do reconhecimento, tal como acontecia na tragédia clássica. O retrato de D. João de Portugal deixa de ser apenas uma ameaça e passa a ser uma espécie de espelho do passado; ele representa quem agora está tão diferente que é necessário um gesto de identificação: quando Frei Jorge pergunta «Romeiro, romeiro, quem és tu?», o movimento de apontar para o retrato completa a palavra: «Ninguém!». Aquela simples palavra abre caminho à catástrofe. Não sendo reconhecido pela mulher com quem casou, D. João de Portugal fica limitado à imagem que um retrato fixou. REIS, Carlos, 2016. Frei Luís de Sousa. Almeida Garrett. Porto: Porto Editora (pp. 37-38) (Exercício do manual) A dúvida surgiu na identificação da função sintática de «que um retrato fixou». Sendo uma oração adjetiva relativa restritiva, desempenha a função sintática de modificador restritivo do nome. No entanto, «retrato» é um nome icónico. Haverá outra explicação? A oração não é adjetiva relativa?
Quando condicional
Ao ler a ótima gramática do Cegalla (Novíssima Gramática da Língua Portuguesa), observei a seguinte frase classificada como temporal: «Formiga, QUANDO QUER SE PERDER, cria asas.» A frase não pode ser encarada como condicional? Ex.: «conj.condic. 6. No caso de; se: Só é gentil quando quer alguma coisa.» (Aulete) Além do Cegalla, vários gramáticos tradicionais não citam o quando como conjunção condicional (ex.: Pasquale e Ulisses – na Gramática de Língua Portuguesa –, Cegalla – na Novíssima Gramática da Língua Portuguesa –...). Fiz uma pesquisa em questões de concursos e vestibulares; mas não achei o quando como condicional. Pedi à inteligência artificial do Google para me apresentar as funções do quando de acordo com materias disponibilizados na Internet e não apareceu como condicional. Estou com alucinações ou há muitos casos que o temporal quando pode também ser um condicional? Se não estou alucinado, por que a preferência por temporal? Desde já, agradeço-lhes a enorme atenção.
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