Sobre a pertinência do anglicismo voucher
Fico sem saber a verdadeira abrangência da palavra voucher, até porque não me lembro de me terem ensinado uma tal coisa em português.
É que quase todos os ministros têm anunciado vouchers, até os da educação… com o significado de «atestado de pagamento».
Será que também se pode dizer «O voucher do Douro é uma paisagem magnífica!»?
Ou, afirmando a alguém que aceitamos um acordo, «Voucher»?
E deveremos dizer aos ministros, especialmente os da educação «assim não voucher»?
Obrigado.
«Fazer erro», «cometer erro»
Vejo que muitos gramáticos modernos condenam a expressão «fazer erro» (inclusive já vi esta condenação nesta página), que seria a forma francesa para o nosso «cometer erro».
Contudo, relendo o episódio da Inês de Castro retratado por Camões n'Os Lusíadas, deparei-me com: «Sabe também dar vida com clemência A quem pera perdê-la não fez erro.»
Ora, não seria essa uma constatação de uso antigo da expressão na nossa língua, muito antes de o francês começar a influenciá-la tão intensamente? Por que, então, mesmo tendo Camões, o maior nome de nossa literatura, a usado, ela é condenada?
Por último, não pode isso ser uma evidência de que, apesar da semelhança com o francês, ter sido uma forma que surgiu naturalmente no seio do nosso idioma, assim como surgiu entre os franceses?
Muito obrigado.
Joaquim vs. Joaquina (fonologia)
Se Joaquim se escreve com M ao final, quando e por que se decidiu que seu feminino, Joaquina, seria com N (e não com M...) na última sílaba?
Muitíssimo obrigado e um grande abraço!
A estrutura coordenada «sem... nem...»
Usando outro dia um aplicativo bancário , eis que me deparo com a seguinte instrução para reconhecimento facial: «Bem iluminado, sem pessoas e objetos ao redor.»
Assim , por gentileza, está correta essa construção?
Ou seria mesmo correto substituir o e por «e sem» ou nem?
A grafia de «chefe de Estado»
A expressão «Chefe de Estado» tinha hífen, no Acordo Ortográfico de 1945?
Uma frase de A. Herculano: «quis nas coisas filológicas»
Ao prefaciar o Dicionário Etimológico Resumido da Língua Portuguesa do prof. Antenor Nascentes, o prof. Celso Ferreira da Cunha escreveu isto (mantendo-se a grafia da época):
«Ao chegar a êste ponto de uma vida inteiramente devotada à ciência [...], o professor Nascentes teria o direito de exclamar, aplicando ao seu campo de atividade a célebre frase de Herculano: "Fui um homem que quis nas coisas filológicas".»
Qual é o significado de querer como consta na frase citada por Celso, uma vez que o verbo, no contexto em questão, rege uma peculiar preposição em?
Já procurei em diversos dicionários, e não encontrei uma definição satisfatória; suponho que o verbo "querer", na frase, assuma o mesmo sentido de «realizar-se», mas não tenho a certeza.
Desde já, agradeço: aprecio muito a iniciativa do Ciberdúvidas!
Preposições repetidas em construção clivada
Na frase «Do que precisas é de te libertar» parece-me estranho duplicar o «de». Não seria mais correto «O que precisas é de te libertar» ou «Do que precisas é libertar-te»? É claro que dá para escolher uma formulação diferente que evite este dilema, mas gostaria que me elucidassem quanto à correção destas três frases.
Muito obrigada.
Os topónimos Arrifes e Biscoitos (Açores)
Devemos escrever "Escola Básica de Arrifes" ou "Escola Básica dos Arrifes"?
E "Escola Básica de Biscoitos" ou "Escola Básica dos Biscoitos"?
Muito obrigado.
Dublim e Dublin
Peço por favor a vossa confirmação sobre a grafia exata de Dublin em português europeu.
Julgo ser Dublim, conforme o vejo escrito nas páginas portuguesas da União Europeia, por exemplo, embora os dicionários Infopédia e Priberam escrevam Dublin.
Desde já, agradeço a vossa ajuda.
«Vencer a língua é mais que vencer arraiais»
Gostaria de indagar acerca da origem e significado do provérbio «vencer a língua é mais que vencer arraiais».
Descobri-o num velhinho rifoneiro português e não encontro nenhuma referência.
Obrigada
