Na frase «Tyrannosaurus rex (…) era o dinossauro carnívoro maior que jamais existiu» o uso do advérbio jamais pode causar alguma perplexidade a alguns falantes contemporâneos do português, uma vez que atualmente existe uma tendência para associar o advérbio jamais exclusivamente ao sentido negativo de nunca.
Contudo, o uso de jamais neste enunciado é legítimo e encontra respaldo na tradição da língua e na própria lexicografia portuguesa. Neste sentido, a grande maioria dos dicionários de língua portuguesa, como, por exemplo, o Dicionário da Língua Portuguesa da Academia das Ciências de Lisboa (DLPACL) e a Infopédia registam para jamais não apenas o valor negativo de «nunca, em tempo algum», mas também um valor temporal de natureza superlativa, equivalente a «alguma vez», «até hoje» ou «de todos os tempos». Este segundo sentido, embora menos frequente, pode ser usado em frases como (1).
(1) «A proeza que jamais alguém conseguiu igualar.» (DLPACL)
No caso da frase em análise, jamais assume o valor veiculado em frases como (1), isto é, tem o sentido de «alguma vez». Quer isto dizer que quando se diz que o Tyrannosaurus Rex era «o maior que jamais existiu», não se afirma que o animal nunca existiu, mas sim que, entre todos os dinossauros carnívoros conhecidos, nenhum outro o superou em tamanho. A expressão equivale, portanto, a «o maior que já existiu» ou «o maior de todos os tempos».
Em síntese, jamais não exprime neste caso negação, mas antes um valor superlativo plenamente reconhecido pela tradição lexicográfica.