DÚVIDAS

Aeroportos e nomes próprios de pessoa
Tenho uma dúvida quanto à designação dos aeroportos. Nesse sentido, gostava de saber se quando nos referimos a eles se pode omitir a preposição de. Exemplo: (1) Com muita ansiedade, Maria e Joaquim chegaram ao aeroporto de Juscelino Kubitschek ou poderia simplesmente escrever: (2) Com muita ansiedade, Maria e Joaquim chegaram ao aeroporto Juscelino Kubitschek. A mesma dúvida surge com os aeroportos de nomes compostos, como: Roissy-Charles de Gaulle, Cristiano Ronaldo, Francisco Sá Carneiro, etc... (o mesmo acontece com os nomes de monumentos). Pode parecer-lhes um dúvida muito inusitada, mas soa-me melhor sem a preposição. Por outro lado, quando possuem nomes estrangeiros, devemos escrevê-los em itálico? Peço desculpa por lhes ocupar o precioso tempo com questões deste tipo, mas agradeço encarecidamente a vossa explicação.
O valor imperfetivo de «começou a fazer...»
Gostaria que me esclarecessem quanto ao valor aspetual configurado no seguinte enunciado: «O João começou a fazer os trabalhos de casa depois do almoço.» A minha dúvida prende-se com o valor aspetual presente no complexo verbal «começou a fazer». Por um lado, parece poder ser imperfetivo; mas a utilização do pretérito perfeito deixa-me a pensar se deverá ser considerado perfetivo. Obrigado.
Tradução da Odisseia: «"oucos" manes»
Olá! Encontrei numa tradução antiga de Odorico Mendes da Odisseia de Homero a expressão "oucos manes". Pesquisando, encontrei essa mesma expressão usada por Leonor d'Almeida Portugal [Marquesa de Alorna]: «As terríficas sombras, oucos manes/ Ante ela lugar dão a seus furores.» Mas "oucos" não existe em nenhum dicionário que consultei. Há uma nota relacionada a esse verso, em que o editor diz acreditar que seja "ocos manes", pois também não encontrou a palavra "oucos". "Oucos" poderia ser a grafia de "ocos" dos séculos XVIII ou XIX? Obrigado!
Ainda os títulos de obras em textos manuscritos
No sítio do Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, na resposta à questão “Títulos de obras ou de textos em manuscritos” [consultado em 16-12-2025], a autora Carla Marques respondeu o seguinte em 15 de dezembro de 2025: «Antes de mais, é importante que se diga que não existe uniformidade quanto aos processos de destacar títulos de obras ou partes delas. Diferentes quadros podem propor diferentes soluções estilísticas.» Ora, julgo que pode contribuir para completar a resposta e alargar o campo de aplicação saber que existe uma Norma Portuguesa que estipula «diretrizes para a redação de referências bibliográficas e citações de recursos de informação». Trata-se da NP ISO 690:2024 «Informação e documentação – Diretrizes para a redação de referências bibliográficas e citações de recursos de informação», publicada pelo Instituto Português da Qualidade (IPQ), a 16 de setembro de 2024. A NP ISO 690:2024 descreve um conjunto de princípios e diretrizes práticas para a criação de referências e os requisitos para a citação de recursos de informação. Fornece, também, as indicações para a elaboração de citações e referências bibliográficas, estabelece a ordem dos elementos na elaboração dessas referências, bem como as regras para a transcrição e apresentação da informação proveniente de diferentes fontes de informação. Ora, sendo a consulente aluna do 12.º ano e referindo-se à redação de textos em contexto académico, entendo que deveria ser do conhecimento dos alunos do ensino secundário, e até do 3.º ciclo do ensino básico, a existência desta Norma, bem como a sua aplicação. No ensino superior os alunos farão uso desta Norma ou de outras Normas Internacionais (APA, Chicago, Harvard, Vancouver e outras), pelo que convém estarem familiarizados, desde logo com a Norma Portuguesa. Aliás esta responde concretamente às questões e dúvidas da consulente. Espero que o contributo seja proveitoso.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa