DÚVIDAS

Pronome "solto" entre os verbos (Brasil)
Gostaria de tirar mais duas dúvidas (ambas sobre o português brasileiro). 1. José Maria da Costa, na coluna Gramatigalhas, ao tratar da posição do pronome átono em locuções verbais, faz uma extensa defesa, baseada na opinião de gramáticos, de que é incorreto deixar aquele solto entre os verbos. O que acham disso? Imagino que haja uma diferença entre o que a norma-padrão e a norma culta admitem. Se eu estiver certo, fica a seguinte questão: qual devo seguir? 2. Ainda que me digam ser, no fim, desaconselhável a próclise ao verbo principal, quando uma locução verbal é interrompida por uma preposição, poderia considerar-se que esta torna adequada tal colocação? Por exemplo, em vez de «ele acabou por cansar-se» e «ela teve de esforçar-se», é aceitável escrever «ele acabou por se cansar» e «ela teve de se esforçar»? Muito obrigado!
O verbo percorrer
Estou com dúvida quanto à regência do verbo percorrer. Consultei no dicionário de regência verbal do Celso Pedro Luft, e consta que o verbo percorrer é transitivo direto. Entretanto, percorrer não é um verbo de ação com regência que se estende às preposições a, por e em? Ou tratar-se-ia de um verbo intransitivo acompanhado de adjunto adverbial. Alguém pode me explicar o motivo de percorrer ser transitivo direto? Agradeço a todos de antemão!
A história de arrumar e arranjar
Em resposta [de 20/03/2026] afirmou[-se] que o verbo arrumar, com o sentido de «preparar, vestir ou pôr em ordem» [se usa no Brasil e] que os termos mais comuns, em português europeu, são arranjar-se ou preparar-se. [No Brasil] seja informal, seja formalmente, empregaríamos arrumar, e nunca arranjar, que se usa noutras acepções. Diga-se, a propósito, que arrumar, com o sentido de «ordenar ou dispor», já aparecia nos dicionários de Cardoso (século XVI) e de Bento Pereira (século XVII). Em Bluteau (primeiro quartel do século XVIII), dá-se exemplo muito semelhante ao do consulente, «arrumar a roupa (Lintea componere)». Moraes (último quartel do século XVIII) traz outro quase idêntico: «arrumar o fato». Já arranjar não se registra em nenhum dos dois primeiros e surge, em Bluteau, apenas no suplemento de 1727, mas como «termo de tanoaria», e não no sentido geral em que viria a ser sinônimo de arrumar. É também como termo de tanoaria que aparece na edição de 1793 do dicionário da Academia das Ciências de Lisboa. Portanto, arrumar é termo mais antigo que arranjar, pelo menos na acepção de que estamos tratando, e arranjar é que parece ter-se instalado, no português europeu, a partir de uma extensão informal de um emprego originalmente restrito ao ofício dos tanoeiros.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa