O apelido e topónimo Mourão
Tenho um comentário e uma dúvida.
Em todos os dicionários da língua portuguesa, a palavra mourão não aparece associada a qualquer fortificação medieval. Contudo, na pedra de armas da minha família, a representação de Mourão é associada a uma torre com uma porta central no rés do chão, duas seteiras no andar superior e ameias no terceiro andar.
Fiquei estupefacta, quando num estudo observei a porta da cidade de Hastingues, muito semelhante ao símbolo referido. Ora, da tradução de mourão em português para latim e francês, o significado é respetivamente saepes [«vedação, cerca»], e clôture ou la barrière [com o mesmo significado].
A origem de bombordo e estibordo
Depois de ter pesquisado sobre a origem dos termos náuticos bombordo e estibordo, entendo que são, com grande certeza, de origem germânica, mais propriamente do neerlandês, e que viajaram até ao português através do francês, provavelmente no séc. XV/XVI. Mas se a expansão portuguesa teve início ainda no séc. XIV, o que pedia que me ajudassem a descobrir é quais seriam os termos equivalentes que os portugueses usavam nessa época precisamente para bombordo e estibordo.
O verbo Rocar
O roque no jogo de xadrez é um movimento efetuado entre o rei e a torre. Será possível usar os termos: "roquou" ou "roquado"? Exemplo: «O jogador das brancas roquou» ? -«Após o jogador das brancas ter roquado»? Será necessário usar sempre o verbo auxiliar? Exemplo: «O jogador das brancas ter feito o roque»? Muito obrigado.
«Espero que sim!»
Eu vi em livro de Português de 9.º ano que a frase «espero que sim!» é uma oração substantiva objetiva direta.
Mas como isso é possível, se tem apenas um verbo?
Eu procurei em duas gramáticas, porém não encontrei a resposta.
Desde já agradeço a atenção.
Uso genérico de substantivos
Nas orações a seguir, os termos aporte e instrumento ficam mesmo no singular? Qual a explicação?
1. As ideias da análise descritiva serão assumidas como aporte para a verificação aqui realizada.
2. Os passos descritos por Freitas (2015) serão instrumento para nossa análise.
Obrigada.
Metáfora: «criar/ganhar cama»
Qual é o significado das expressões «criar cama» e «ganhar cama» usadas em Húmus de Raul Brandão, terceira edição:
«As paixões dormem, o riso postiço criou cama, as mãos habituaram-se a fazer todos os dias os mesmos gestos. Só eu me afundo soterrado em cinza. Terei por força de me habituar à aquiescência e à regra? Crio cama e todos os dias sinto a usura da vida e os passos da morte mais fundo e mais perto. ... e finjo, e o sorriso acaba por ganhar cama, a boca por se habituar à mentira...»
Agradecia a ajuda
A construção «cidade de Lisboa»
Na frase «Cesário Verde foi dizer para a cidade de Lisboa...», o segmento «de Lisboa» desempenha a função sintática de complemento do nome ou modificador do nome restritivo?
Obrigada
Pronomes átonos em sequência: «Arrepia-se-me a pele»
Saúdo calorosamente todos os profissionais do Ciberdúvidas.
Ouço frequentemente a estrutura «arrepia-se-me (a pele, por exemplo)».
Gostava de ter um parecer mais profissional sobre esta questão. É uma estrutura natural num discurso em português padrão?
Será um traço oralizante, certamente válido noutros contextos, mas não aqui? Cumpre as regras de formação presentes na nossa língua?
Cumprimentos.
Se e infinitivo (norma do Brasil)
Lendo uma tradução feita por Brenno Silveira de um dos contos de Edgar Allan Poe, me deparei com a seguinte construção:
«possuir-se boa memória e proceder-se de acordo com as regras do jogo são coisas que constituem etc.»
Estaria correto o emprego do pronome se?
De acordo com Napoleão Mendes de Almeida não se deve usar se quando o sujeito é um infinitivo. Ele cita na sua gramática: «"é proveitoso ler-se esse livro” o correto é "é proveitoso ler esse livro".»
No trecho que me causou dúvida não seria mais correto dizer «possuir boa memória e proceder de acordo…», já que é um sujeito infinitivo?
Obrigado.
O verbo correr, o infinitivo e o sufixo -inho
Quero parabenizar o site.
Recorro a vocês para encontrar uma resposta que não encontrei em nenhum outro lugar na rede. É sobre alguns fenômenos linguísticos que tenho observado e para os quais não encontrei definição ou nome. São casos em que a regra sintática é quebrada com um propósito. Não são meramente erros.
Na frase «Ele correu pegar a bola», o verbo correr assume uma transitividade que não lhe é própria. Um fenômeno parecido ocorre com «Vá ao quarto correndinho buscar meu telefone», em que o verbo no gerúndio recebe um diminutivo. Claro que as duas frases quebram normas gramaticais, mas não são meros erros, elas têm um propósito, atribuem uma expressividade à construção.
Gostaria de saber se há figuras de linguagem em que esses dois fenômenos possam ser enquadrados. Inclusive, gostaria de saber se há mais exemplos desse mesmo fenômeno.
Obrigado.
