Vírgula e gerúndio
Tenho uma dúvida quanto à pontuação e à relação sintática entre orações na frase «Dou de ombros, meus olhos mal passando da curva do seu nariz.»
Gostaria de saber se é gramaticalmente adequado justapor essas duas estruturas apenas por vírgula, ou se elas configuram orações com relativa autonomia sintática, exigindo outra forma de pontuação (como ponto final, ponto e vírgula ou o uso de um conector).
Em outras palavras, a segunda construção («meus olhos mal passando…») pode funcionar como uma oração reduzida com valor descritivo ligada à primeira, ou trata-se de uma estrutura independente que não deve ser separada apenas por vírgula?
Obrigado.
O composto conta-poupança
Escreve-se «conta-poupança». Mas e quando temos também «habituação»? É que nestes casos leio mais «conta poupança-habitação».
Como deve ficar?
População e multidão (nomes coletivos)
Peço, por favor, que me esclareçam a diferença entre os nomes comuns coletivos "população" e "multidão".
Ambos podem ser considerados nomes comuns coletivos para designar um conjunto de pessoas em contexto escolar?
Obrigada.
Recuperar e recuperar-se
Usa-se recuperar ou recuperar-se quando se fala de outro indivíduo? Qual das duas opções está correta e porquê?
1) Michel escolheu Portugal para recuperar de uma tuberculose.
2) Michel escolheu Portugal para recuperar-se de uma tuberculose.
Obrigada.
Substantivo e nome
Em português de Portugal é errado classificar uma palavra como substantivo em vez de nome?
«Que morreu D. Sebastião» (Mensagem, Fernando Pessoa): análise sintática
Os dois últimos versos do poema “O Quinto Império” do livro Mensagem, de Fernando Pessoa, suscitam-me algumas dúvidas, tanto semântica como sintaticamente.
Ora, os dois versos são:
«Quem vem viver a verdade/Que morreu D.Sebastião?»
Por seu turno os versos anteriores desta quintilha são:
«Grécia, Roma, Cristandade, /Europa – os quatro se vão/ Para onde vai toda a idade»
Achei curiosa a musicalidade do verso «Quem vem viver a verdade», que junta a assonância do e e a aliteração do v.
Contudo, a minha dúvida prende-se com a classificação da oração «Que morreu D.Sebastião».
Terá um valor restritivo (que tipo de verdade é essa: a verdade que é [consiste no facto de] ter morrido D.Sebastião/ o facto que é ter morrido D.Sebastião), ou de complemento (que facto é caraterizado como verdadeiro, ou seja:«É verdade que morreu D.Sebastião/ Que morreu D.Sebastião é a verdade»), ou de explicação (o motivo do apelo para viver a verdade [do quinto império] é a constatação da morte física de D.Sebastião, ou seja: «quem vem viver a verdade, já que morreu D.Sebastião»)?
Assim, a oração em causa será adjetiva relativa restritiva, substantiva completiva, ou coordenada explicativa?
Ainda assim, nenhuma das hipóteses que avancei parece ser inteiramente coerente com o sentido global do poema e da obra. O contexto é o da crença na perenidade do espírito de D. Sebastião, apesar da sua morte física em Alcácer Quibir, e na necessidade de fundar o tal quinto império, posto que os outros quatro já terminaram.
Talvez nos queira transmitir o poeta que devemos assumir a morte física do Rei para acreditarmos na sua presença espiritual?
Bem sei que a poesia dá azo a uma grande maleabilidade semântica e sintática, mas gostaria de ter a vossa opinião.
Parabéns a toda a equipa do Ciberdúvidas pelo vosso excelente trabalho.
«Servir de» + infinitivo
Outro dia, lendo o livro Sintaxe Clássica Portuguesa de Cláudio Brandão de Sousa, eis que me deparo com a seguinte construção: «[...] a preposição de serve de exprimir [...].»
O questionamento me surgiu devido ao uso do infinitivo após a preposição de, porque, pelo menos para mim não é comum, foi a primeira vez que vi. Daí procurei em alguns dicionários se havia abonações de exemplos semelhantes, mas só encontrei com substantivos, como por exemplo: «o cabo da vassoura serviu-me de cajado».
Assim, se possível for, por gentileza, gostaria de saber sintaticamente qual seria a função do verbo servir no contexto mencionado. Seria complemento verbal? Oração adverbial?
Obrigado.
O verbo confrontar, de novo
Em relação à semântica do verbo confrontar, é possível dizer-se «O medo é perder a esperança e não estar preparado para confrontar os seus temores»?
Obrigado.
Orações relativas: «... na qual me lembro de que pensava»
É correto dizer «coisa na qual me lembro de que pensava»?
E é errado «coisa em que me lembro de que pensava»? Trata-se de um erro sintático ou eufónico?
E quanto a «coisa na qual me lembro que pensava?» É correta?
Muitíssimo obrigado.
Com + gerúndio
Volta e meia, me deparo com expressões construídas com a preposição com seguida de verbo no gerúndio (principalmente) mas também no particípio, contudo não vejo referência em nenhuma gramática sobre a" legalidade" de tais sob a ótica da gramática normativa.
Assim, diante de tal constatação, gostaria, por gentileza, de um parecer do site sobre a licitude de tais construções e possíveis valores semânticos a elas associados. Desde já agradeço pela compreensão e apoio de sempre!
Exs. «(...) Minha mãe não queria revelar nada, mas , com você olhando assim pra mim , só me resta confessar tudo (...) e com a loja já aberta , o letreiro caiu na calçada (...) Naquele fim de tarde, com o sol querendo se pôr, ela me apareceu . Com as lágrimas correndo em seu rosto , contou-me todo seu sofrimento.»
