Aspeto: «Continuo a fazer a viagem como sempre fiz.»
«Continuo a fazer a viagem como sempre fiz.»
Qual é o valor aspetual?
Obrigado.
A sintaxe da expressão «da época de...»
Na frase «Conheço a Maria da época da escola», «a Maria» é complemento direto.
Qual a função sintática desempenhada por «da época da escola»?
Obrigado
Demonstrativos e apresentações
Gostaria de saber qual é o mais correto quando se quer apresentar uma coisa:
«Isto é a minha cidade; isto é um jardim; isto é a sua casa; isto são os meus gatos»...
«Esta é a minha cidade; este é o jardim; esta é a sua casa; estes são os meus gatos»...
Obrigado pela sua ajuda!
Estilo e interferência do inglês
A pedido de um colega, estou revendo um texto da área médica que contém repetidas vezes frases como esta:
«Setenta por cento dos pacientes foram definidos como apresentando um baixo grau de sangramento.»
A mim, soa muito mal o gerúndio após «definidos como», mas não sei justificar por quê.
O que há de errado? Uma sintaxe calcada no inglês? Ou seria uma construção aceitável?
Grata pela atenção.
«Com que» causal
Estudando os valores semânticos da preposição com no livro Sintaxe Clássica Portuguesa de Cláudio Brandão de Sousa, eis que me deparo com um trecho de um texto de Camões.
Daí o que queria, de fato, era ajuda na verdadeira análise da expressão «com que».
Sei que com estabelece causa no contexto. Agora quanto a esse que, seria pronome relativo ou toda a expressão estaria fazendo as vezes de uma conjunção causal?
«correm rios de sangue desparzido, com que também do campo a cor se perde.» (Os Lusíadas, III, 52)
O complemento de incentivar
Esta frase está correta?
«Estas t-shirts, que julgo que já estão expostas, são incentivadas pelo Sr. Diretor para uso em saídas ao exterior.»
Exemplos de pronúncia ortográfica
Existem palavras em português afetadas pelo fenômeno da «pronúncia ortográfica», no qual a pronúncia de uma palavra é alterada por influência da ortografia e passa a se adequar a ela?
Se sim, quais são elas?
O advérbio ali como deítico e como anáfora
Consideremos a frase «As ruas de Lisboa estão animadas. Por ALI encontramos muitos turistas».
Qual é o valor do advérbio de lugar ali, nesta frase? Será anafórico?
Cordialmente.
O gentílico porto-mosense
Os habitantes de Porto de Mós são "porto-mosenses" ou "portomosenses"?
Frequentemente surge a segunda forma mas já me deparei com a primeira. Agora estou na dúvida.
Obrigada.
Paradoxo vs. oxímoro
Agradecia que, se possível, me pudessem esclarecer quanto à diferença entre oxímoro e paradoxo.
O que eu achava que sabia: a antítese apresenta uma oposição entre dois termos sem contradição lógica e o paradoxo ou oxímoro combinam essa mesma oposição com uma contradição lógica evidente. Ou seja, nunca distingui paradoxo de oxímoro ou, se quisermos, encarei sempre o oxímoro como outra palavra, mais apropriada em contexto literário ou estilístico para o termo paradoxo, este mais filosófico e abrangente.
Mas eis então o que consta no dicionário terminológico e que me sobressaltou:
“Oxímoro: Figura retórica de pensamento que associa duas palavras com significados logicamente opostos ou incompatíveis. Tem afinidades com o paradoxo e com a antítese, mas, enquanto esta figura encerra uma oposição lógico-semântica, o oxímoro é uma associação de palavras contrária à lógica. “Aquela triste e leda madrugada”“ (Camões).
Paradoxo: Figura retórica de pensamento que consiste em associar construções semânticas que aparentemente são contraditórias, irreconciliáveis e absurdas, mas que podem iluminar, de modo inédito e surpreendente, o significado do real e da vida. “Muito estranho é ver as pontes / por sob os rios correr / mais ainda ouvir as fontes / sua própria água sorver” (Manuel Alegre).”
Ora, fiquei confuso. Pareceu-me que o critério de distinção é obscuro e, nessa medida, concentrei-me nos aspetos formais da distinção, procurando alguma iluminação: o oxímoro referir-se-ia “à oposição de “palavras”, enquanto o paradoxo sinalizaria a oposição entre “construções semânticas”. Isto significaria que em frases como “na sala reinava um silêncio ensurdecedor” estaríamos perante um oximoro, enquanto noutras construções como “na sala os miúdos estavam tão calados que se faziam ouvir de forma ensurdecedora”, já se exprimiria um paradoxo? Estranhei, pois, nesse sentido, podemos definir oxímoro como uma versão condensada do paradoxo e o paradoxo como um desdobramento ou expansão do oxímoro, o que me parece curto para distingui-los como recursos expressivos.
Não satisfeito, revisitei algumas publicações do Ciberdúvidas que, na sua maioria, estão de acordo com a minha intuição inicial (oxímoro e paradoxo são termos intercambiáveis no contexto das figuras de estilo). A explicação dominante é que o oxímoro constitui uma espécie de versão estilística ou literária do paradoxo. Assim, por exemplo “andar sem sair do lugar” é um oxímoro ou paradoxo literário, “hipocrisia tão santa” (apesar da condensação) é considerado um paradoxo, sendo que, noutra publicação, oxímoro é considerado apenas um «aproveitamento estilístico de um paradoxo».
Continuei a minha busca e consultei quatro gramáticas, tendo notado que uma delas (Cristina Serôdio, Dulce Pereira, Esperança Cardeira e Isabel Falé, Nova Gramática didática de português, conforme o dicionário terminológico, Santillana, 2011, pg 300) apenas inclui o oxímoro, considerando-o uma figura retórica que expressa um paradoxo (portanto, não há distinção), sendo que nas outras aparecem como recursos expressivos distintos, essencialmente baseadas na tal distinção palavras/frases, seja oposição lógica entre palavras (“choro e rio”) versus oposição lógica entre construções semânticas (“dói e não se sente”) (M.ª Carmo Azevedo Lopes et al. Da Comunicação à Expressão. Gramática Prática de Português, Raiz editora. 2022, pag 424/425 –), ou na oposição lógica entre termos (“um grito de silêncio”) versus oposição lógica entre construções semânticas (“tornar o fogo frio”) (Vasco Moreira e Hilário Pimenta, Gramática de Português, Porto Editora, 2017, pg 293/294), ou ainda na oposição lógica entre palavras (“disseram o indizível”) versus oposição lógica entre frases (Zacarias Santos Nascimento e Maria do Céu Vieira Lopes, Domínios. Gramática da Língua Portuguesa, Plátano Editora, 2011, pg 338/339 - note-se que aqui a terminologia usada na distinção concetual é a mesma que a do DT). Concluindo, não descortino nenhuma diferença semântica entre as duas figuras de estilo nem na definição do DT nem nas das diversas gramáticas, mas apenas em algumas uma diferença formal (distinção palavras/frases).
O problema é que o dicionário terminológico opera a distinção. Independentemente de considerarmos a fundamentação mais ou menos arrazoada, importaria perceber os motivos que levam o DT a fazê-lo, de modo a compreendermos o critério operativo em exercícios concretos.
Agradecendo antecipadamente, gostaria da vossa ajuda para, parafraseando a definição de paradoxo do DT, nos iluminarmos, surpreendentemente ou não, sobre o verdadeiro alcance desta distinção.
