Foliação e "foliatação"
Há quem use, por influência francesa, o termo "foliatação", em vez de foliação, para designar a numeração dos fólios num manuscrito ou impresso antigo.
Dado que numerar folhas é um dos sentidos, recolhido em dicionário, do verbo foliar, a forma derivada correcta será foliação.
Foliatação suporia a existência, em português, do verbo "foliatar".
Pergunto se "foliatar" está atestado e, em caso negativo, se posso argumentar, baseado na coerência linguística, que se deve preferir a forma "foliação" ao galicismo "foliatação".
Cargos, parentesco e apostos
No uso da vírgula para cargos e qualificações de pessoas, usa-se a vírgula quando o cargo for ocupado por apenas uma pessoa.
Ex.: «O presidente do Brasil, Luís Inácio Lula da Silva, sancionou nova lei do programa Pé-de-Meia.»
Não se usa a vírgula quando o cargo for ocupado por mais de uma pessoa.
Ex.: «Na avaliação do professor da Universidade de Brasília José Roberto Fialho, os estudantes de licenciaturas já podem comemorar a abertura do programa Pé-de-Meia.»
No exemplo abaixo, podemos utilizar essa mesma regra?
«Agradeço ao meu esposo, Valdir, pela compreensão e paciência.»
Atos ilocutórios numa carta de F. Pessoa
Na carta de Pessoa a Adolfo Casais Monteiro, lê-se:
«Foi o dia triunfal da minha vida, e nunca poderei ter outro assim.»
Gostaria que me esclarecessem em relação ao ato ilocutório aqui presente. Tratar-se-á de uma situação híbrida: assertivo e expressivo? Em caso afirmativo, algum deles tem mais força?
Gostaria ainda de saber se a classificação do tipo de ato sofre alteração nos enunciados seguintes:
1. Foi o dia triunfal da minha vida, e nunca poderei ter outro assim! (Frase exclamativa)
2. É o dia triunfal da minha vida, e nunca poderei ter outro assim. (Forma verbal no presente do indicativo)
3. É o dia triunfal da minha vida, e nunca poderei ter outro assim! (Forma verbal no presente do indicativo; frase exclamativa)
Muito obrigada!
Fazer-se como verbo de ligação
Seria correto dizer que, no contexto abaixo, o verbo fazer é classificado como verbo de ligação?
«O uso da crase se faz necessário na locução à noite.»
Orações relativas: «... na qual me lembro de que pensava»
É correto dizer «coisa na qual me lembro de que pensava»?
E é errado «coisa em que me lembro de que pensava»? Trata-se de um erro sintático ou eufónico?
E quanto a «coisa na qual me lembro que pensava?» É correta?
Muitíssimo obrigado.
Atos ilocutórios e a frase «está combinado»
Estou com dúvidas em classificar o ato ilocutório presente na seguinte afirmação: «Está combinado.»
Por um lado, parece plausível considerá-lo compromissivo («prometo que estarei lá a essa hora»), mas por outro lado vejo também aqui a possibilidade de ser um ato declarativo, pois corresponde à criação do acordo entre as partes (tu prometeste, eu prometo, a combinação realiza-se, tal como um juiz diria «está aberta a sessão», neste caso um dos interlocutores define uma realidade para ambos os interlocutores ao enunciá-la).
Por outro lado, também não me parece totalmente descabido colocar a possibilidade de ser um ato ilocutório assertivo (funcionando como uma constatação de que o acordo se realizou).
Muito obrigado.
A estrutura nominal «a louca da tua mulher»
Na frase seguinte, podia esclarecer como o louca vem antes do substantivo «a tua mulher» e, ainda mais, como é que pode justificar o uso do da entre a louca e «tua mulher»? Parece-me que a versão mais clara seria «a tua mulher louca», não é?
«Nunca se sabe quando vais ter de safar a louca da tua mulher.»
Muito obrigado.
O apelido e topónimo Mourão
Tenho um comentário e uma dúvida.
Em todos os dicionários da língua portuguesa, a palavra mourão não aparece associada a qualquer fortificação medieval. Contudo, na pedra de armas da minha família, a representação de Mourão é associada a uma torre com uma porta central no rés do chão, duas seteiras no andar superior e ameias no terceiro andar.
Fiquei estupefacta, quando num estudo observei a porta da cidade de Hastingues, muito semelhante ao símbolo referido. Ora, da tradução de mourão em português para latim e francês, o significado é respetivamente saepes [«vedação, cerca»], e clôture ou la barrière [com o mesmo significado].
A sigla GNR
Porque se diz gê em GNR, e não guê?
Modificador do nome: «carta para o Rui»
É possível que a sintaxe do verbo deixar admita a preposição destacada?
«Ana deixou uma carta PARA Rui.»
Obrigado.
