O predicativo do sujeito em «está bem onde não cabe»
Recentemente, foi lançado um álbum (de Ricardo Ribeiro) intitulado A alma só está bem onde não cabe. Curiosamente, lembrei-me logo de um verso de uma música mais antiga, de António Variações: «só estou bem aonde não estou».
Gostaria de saber qual a função sintática das respetivas orações subordinadas substantivas relativas («onde não cabe» / «aonde não estou»). Pergunto isto porque o verbo estar tanto pode selecionar predicativos do sujeito com valor de estado (neste caso «bem») como com valor locativo/espacial («onde não cabe»), o que abre a possibilidade de estarmos na presença de dois predicativos do sujeito.
Tentando explicar o cerne da minha dúvida, importaria analisar outras frases:
1) Ele está bem.
O constituinte «bem» é predicativo do sujeito.
2) Ele está em casa.
O constituinte «em casa» é predicativo do sujeito.
Pesquisei e não encontrei frases com dois predicativos do sujeito a não ser quando separados por e.
Exemplo:
3) «Ele está bem e em casa.»
Mas aqui compreende-se, pois parece existir uma elipse: «Ele está bem e [ele está] em casa.» Ou em «Ele está feliz e calmo» («Ele está feliz e [ele está] calmo»).
Ora, semanticamente, «Ele está bem em casa» é diferente de «ele está bem e em casa», pois no primeiro caso subentende-se uma relação “simbiótica” entre as tuas predicações, inseparáveis uma da outra.
Assim, estas frases deveriam ser analisadas de forma diferente? Um dos constituintes seria modificador ou complemento oblíquo e o outro predicativo do sujeito? A questão é como fazer essa escolha.
Concluindo, queria apenas que me esclarecessem se na frase em apreço («A alma só está bem onde não cabe») estamos perante a presença de dois predicativos do sujeito («bem» e «onde não cabe») ou se existe outra análise possível.
Parabéns ao Ciberdúvidas.
Sobre os topónimos Sande, Sendim e Sinde
A pergunta é se há estudos sobre a hipótese de Sande e Sendim serem topónimos celtas?
Leigamente, parece haver indícios de serem parte do substrato. Estes são topónimos foneticamente próximos extremamente comuns nos territórios da Galécia, como Sande em Lamego, ou mesmo o vizinho de Sendim da Serra, Sendim da Ribeira. Um pouco mais a sul, encontramos Sinde em Tábua. Encontram-se desde as Beiras até ao extremo norte da península. Para Sande especificamente, é comum serem atribuídos à antroponímia (que não poderá vir ela mesma de toponímia)?
Num rápido estudo leigo; no celta insular galês, encontramos dinas para «cidade» e din para «castro» / «forte» (Pierre-Yves Lambert, La Langue gauloise). Sena é nome celta/túrdulo de Seia, mas sem sabermos significado original. Noto que no protocelta sindos seria «isto» – cf. https://en.wiktionary.org/wiki/Reconstruction:Proto-Celtic/sindos e https://en.wiktionary.org/wiki/san. Algo simploriamente, ficaria algo como "sindodin" ou "sandodin", «esta cidade».
Adicionalmente:
Diz-nos Pinho Leal, no seu Portugal Antigo e Moderno: Diccionario, «a todas as freguesias a que hoje se dá o nome de Sendim e Sindim se chamava antigamente Sandim».
Almeida Fernandes e Joseph-Maria Piel teorizam boa parte destes topónimos serem germânicos, Pinho Leal contrapõe com diferenciados arabismos e latinismos para cada localidade.
O verbo vestir
Tenciono questionar um determinado grupo de pessoas, solicitando-lhes uma palavra como resposta (família, união, doces,...).
Tenho dúvidas relativamente à melhor opção:
a) De que vais vestir o teu Natal?
b) Do que vais vestir o teu Natal?
Agradecida.
A expressão expletiva «é... que...»
No período «É a tarde que chega», ocorre o emprego da expressão expletiva «É... que», caracterizando um período simples, ou trata-se de um período composto formado por duas orações distintas («É a tarde» e «que chega»)?
Além disso, na análise sintática do período, o sujeito da forma verbal chega é «tarde» ou «que»?
Obrigado!
Embatucar e embatocar
Embatucar ou embatocar? Qual delas está correta ou ambas estão?
Obrigado.
Bote de fragata, ou bote-de-fragata?
Bote-de-fragata leva hífen?Obrigada.
O verbo usar e o modificador do grupo verbal
Na frase «O vapor é inglês, usam-no para atravessar o Atlântico», o segmento «para atravessar o Atlântico» classifica-se como modificador do grupo verbal, ou trata-se de um complemento oblíquo?
Agradeço a vossa ajuda sempre oportuna.
As palavras carantonha e carranca
Qual a diferença entre as palavras carantonha e carranca?
O significado de órfão
Órfão refere-se, apenas, a menores, como indicado no Priberam, ou também a adultos que perdem os pais, como veiculado pela net?
Sinonímia: inimigo, desafeto e rival
As palavras inimigo, desafeto e rival são sinônimas absolutas?
Sinônimas conforme o contexto em si? Ou não são sinônimas de jeito nenhum?
Muitíssimo obrigado e um grande abraço!
