Personificação e enumeração num texto de Ilse Losa
Qual o recurso expressivo presente no excerto que transcrevo abaixo (a partir de «Começou por pintar...»)? Personificação ou enumeração?
«É que Dandy1 já não era o cachorro sem juízo. Amadurecido pela vida dura que levara na quinta do lavrador, tornou-se um companheiro de se lhe tirar o chapéu. Começou por pintar as cadeiras que tinha roído. Depois tomou a seu cargo vários trabalhos domésticos: lavava a louça, remendava lençóis e toalhas; fazia compras no minimercado. Para além de tudo isso deu-se ao luxo de estudar a História do Império Romano.» (Ilse Losa, O Rei Rique e outras histórias. Porto Editora, 2006, p. 21).
Obrigada.
1. A personagem Dandy é um cão.
O verbo vestir
Tenciono questionar um determinado grupo de pessoas, solicitando-lhes uma palavra como resposta (família, união, doces,...).
Tenho dúvidas relativamente à melhor opção:
a) De que vais vestir o teu Natal?
b) Do que vais vestir o teu Natal?
Agradecida.
Sobre os topónimos Sande, Sendim e Sinde
A pergunta é se há estudos sobre a hipótese de Sande e Sendim serem topónimos celtas?
Leigamente, parece haver indícios de serem parte do substrato. Estes são topónimos foneticamente próximos extremamente comuns nos territórios da Galécia, como Sande em Lamego, ou mesmo o vizinho de Sendim da Serra, Sendim da Ribeira. Um pouco mais a sul, encontramos Sinde em Tábua. Encontram-se desde as Beiras até ao extremo norte da península. Para Sande especificamente, é comum serem atribuídos à antroponímia (que não poderá vir ela mesma de toponímia)?
Num rápido estudo leigo; no celta insular galês, encontramos dinas para «cidade» e din para «castro» / «forte» (Pierre-Yves Lambert, La Langue gauloise). Sena é nome celta/túrdulo de Seia, mas sem sabermos significado original. Noto que no protocelta sindos seria «isto» – cf. https://en.wiktionary.org/wiki/Reconstruction:Proto-Celtic/sindos e https://en.wiktionary.org/wiki/san. Algo simploriamente, ficaria algo como "sindodin" ou "sandodin", «esta cidade».
Adicionalmente:
Diz-nos Pinho Leal, no seu Portugal Antigo e Moderno: Diccionario, «a todas as freguesias a que hoje se dá o nome de Sendim e Sindim se chamava antigamente Sandim».
Almeida Fernandes e Joseph-Maria Piel teorizam boa parte destes topónimos serem germânicos, Pinho Leal contrapõe com diferenciados arabismos e latinismos para cada localidade.
A derivação de desirmanação
Encontro nos dicionários online os verbos irmanar e o seu antónimo desirmanar.
Encontro também a palavra irmanação, mas "desirmanação" já me é dada como inexistente.
Podem esclarecer-me?
Muito obrigado.
Embatucar e embatocar
Embatucar ou embatocar? Qual delas está correta ou ambas estão?
Obrigado.
Orçador e orçamentista
Gostaria de saber qual a forma mais correta, se orçador ou orçamentista, para uma pessoa cujo trabalho é realizar orçamentos.
Obrigada.
«Horrivelmente hipócrita sociedade britânica»
Ouvi um professor dizendo o seguinte:
«Ontem mesmo eu estava lendo uma tradução que um sujeito fez de uma matéria inglesa. Eu não lembro exatamente as palavras, mas vou tentar criar um equivalente aqui: «“A horrivelmente hipócrita sociedade britânica”. Isso não é português; isso é inglês com palavras brasileiras. Em português você não pode fazer isso. Você não pode anteceder um advérbio, um adjetivo e depois um substantivo, porque não funciona. No entanto, o número de pessoas que escreve assim hoje é enorme.»
Há alguma regra gramatical para que não seja assim ou isso é uma questão de estilo? Se essa construção for estranha ou errada, qual seria a melhor para o exemplo dado, i.e., horrivelmente hipócrita?
Obrigado.
As palavras carantonha e carranca
Qual a diferença entre as palavras carantonha e carranca?
Complemento do nome prevenção
Como se escreve: «políticas de prevenção ao suicídio» ou «políticas de prevenção do suicídio»?
Consoantes sibilantes e palatais
Há algum tempo aprendi que, antigamente:
1. z não soava como s intervocálico, isto é, [z];
2. ç (ou ci/ce) não soava como ss/s inicial, isto é, [s];
3. ch não soava como soa habitualmente x, isto é, [ʃ].
Depois, lembrei-me de mais um par parecido de consoantes homófonos:
4. d palatal e j, que soam [ʒ].
Também queria perguntar o que se segue sobre este quarto par.
A propósito de cada um destes quatro casos de consoantes agora homófonas, queria perguntar:
1. Se estou certo em dizer que antigamente se pronunciavam diferentemente;
2. Quais se acha terem sido os sons delas quando ainda se pronunciavam diferentemente (podem usar o Alfabeto Fonético Internacional na resposta);
3. Quando se acha que deixaram de se diferenciar na pronunciação.
Estou interessado no sotaque de Lisboa, pois estou consciente de que terão persistido menos ou mais tempo noutras regiões de Portugal.
Enfim, agradecia também se pudessem indicar alguns livros onde poderia ler mais sobre estas e outras parecidas alterações fonológicas da língua portuguesa.
Antecipadamente grato pela ajuda prestada.
