DÚVIDAS

Aspeto e tempo na frase
«Quando dava os primeiros passos, o primeiro desafio foi...»
Começo por agradecer o vosso inestimável serviço e importância no seio da comunidade linguística. São uma fiabilíssima fonte de referência a que recorro muitas vezes na realização do meu trabalho. Um fortíssimo bem-haja e com toda a saúde. Passo então ao que me leva a colocar-lhes uma questão. No decurso de uma revisão a um colega tradutor, deparou-se-me a seguinte frase: a ) «Quando a Alliance dava os primeiros passos, o primeiro desafio enfrentado foi a criação de alguns grupos de trabalho para estabelecer o padrão e trabalhar nos detalhes técnicos do protocolo.» De imediato, algo me pareceu "soar" mal nos tempos verbais usados e procurei explicações junto do vosso/nosso site. Encontrei assim o seguinte artigo "Pretérito perfeito vs. pretérito imperfeito",  que me elucidou quanto à correção dos tempos verbais usados. No entanto, não consigo deixar de pensar que as seguintes variantes se me afiguram melhores. São elas: b) «Quando a Alliance deu os primeiros passos, o primeiro desafio enfrentado foi a criação de alguns grupos de trabalho para estabelecer o padrão e trabalhar nos detalhes técnicos do protocolo.» Ou c) «Quando a Alliance estava a dar os primeiros passos, o primeiro desafio enfrentado foi a criação de alguns grupos de trabalho para estabelecer o padrão e trabalhar nos detalhes técnicos do protocolo.» Assim, peço a vossa ajuda relativamente a 2 questões: 1. Entender se há de facto algo de incorreto na tradução original a). 2. Saber as diferenças entre as frases a), b) e c), se é que existem. Muito obrigada desde já a toda a equipa!
Comparativo: «mais bem do que mal»
É correto dizer «Falaste mais bem dele do que mal» ou dever-se-ia dizer: «Falaste melhor...»? Efetivamente, o senso comum diz-nos que, quando o verbo não está no particípio passado, se deve dizer melhor. No entanto, no entender de alguns puristas como Sá Nogueira, melhor é comparativo de «mais bom» e nunca de «mais bem», como julgo que afirmam numa das vossas respostas. Mesmo assim, esta posição será válida? Tendo fundamento, devemos ser nós mais puristas ou laxistas? Malgrado a insistência neste tópico que se faz presente nas respostas inúmeras dadas aqui na página, gostaria que me elucidassem (e, se o assunto for polémico e não se importarem, debatessem) as minhas dúvidas. Um bem-haja a todos os consultores!
A locução «mais além»
Recentemente encontrei o seguinte fragmento numa revista portuguesa: «Indo um pouco mais além, cabe destacar os interessados responder afirmativamente às questões 2 e 4.» Gostaria de saber se não seria redundante o uso de «mais além» nesse contexto. No Brasil, parece-me que poderia ser mais comum "Indo um pouco além" para adicionar uma informação ao que se disse antes, mas não tenho certeza. Muito obrigada pela ajuda sempre inestimável.
O uso dos verbos aborrecer, enfadar, apoquentar, enfastiar e amofinar
Gostava imenso de saber qual é a frequência de uso dos verbos aborrecer, enfadar, apoquentar, enfastiar e amofinar no português europeu. São verbos muito usados nos últimos 40 anos? Os portugueses preferem usar outros verbos que tenham os mesmos significados? Interessam-me mais exemplos de uso de um falante culto, estudioso da língua, basados na própria experência do que outros de grandes dicionários e enciclopédias. Nunca poderão imaginar o tamanho da minha satisfação em receber a vossa resposta. Muito obrigado.
Vírgula e deslocação de constituinte frásico
Aqui há dias escrevi a seguinte frase: «Se falhares oito vezes, da próxima vez que jogares aparecerá um bloco verde com um ponto de exclamação.» Fui corrigida por um revisor, que me "obrigou" a alterar o que tinha escrito: «Se falhares oito vezes, da próxima vez que jogares, aparecerá um bloco verde com um ponto de exclamação.» Sei que a frase está correcta, mas aquela segunda vírgula é ou não é obrigatória? E, seja qual for a resposta, porquê? Obrigada.
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