DÚVIDAS

Verbos transobjectivos e predicativo do objecto
Vejo, em alguns sítios de professores, exemplos de predicativo do objeto com os quais não concordo. Para haver predicativo do objeto, o verbo deve ser transobjetivo. Onde posso arrumar uma lista desses verbos? Por exemplo, «Os policiais pediam calma absoluta»: «absoluta» foi caracterizado como predicativo do objeto direto, quando entendo que seja parte integrante do objeto direto, adjunto adnominal, visto não ser relacionado a esse pelo verbo. Quando jovem, um professor me ensinou um macete, substituir o objeto por um pronome oblíquo e verifcar se resta a qualidade. Nessa frase, creio que seria «Os policiais pediam-na» e não «Os policiais pediam-na absoluta». Já na oração «Julguei a paz absoluta» («julguei» é transobjetivo) ficaria «Julguei-a absoluta». Estou correto, ou realmente absoluta é predicativo do objeto no primeiro exemplo?
O uso de segundo com orações
Aproveito para reiterar o meu mais sincero agradecimento à fantástica equipa desta aplicação! O assunto que me leva a publicar esta pergunta é alusivo ao termo segundo. Não me refiro ao adjetivo numeral, mas sim a uma possível conjunção. A minha dúvida é se se pode empregar no sentido de uma sequência de algum evento como nestas frases: «Segundo avançava até à porta, a mente dela apenas pensava no caso clínico do utente.» «Segundo ingeria metade da dieta instituída, uma repentina palidez aflorou no rosto dele.» Sei que se poderia dizer enquanto, «à medida que» ou «ao passo que», contudo, embora não saiba se se pode usar neste sentido, ou se o mesmo é correto, acho que me soa bem. Podem elucidar-me, por favor? Obrigada!
Morfologia: biforme e caça
Tenho algumas dúvidas quanto ao processo de formação das palavras biforme e (o)/(a) caça. Penso que a palavra biforme é formada por composição morfológica, sendo que tanto bi- como -forme são radicais (bi- = «duas» / -forme = «formas»), e seguindo o exemplo de cruciforme (cruci- = «cruz» / -forme = «forma»; «em forma de cruz»). No entanto, algumas gramáticas apresentam bi-/bis- como prefixo de origem latina, apresentando como exemplos bisneto, bimestral, o que me leva a duvidar do processo de formação da palavra biforme. Assim sendo, biforme é um composto morfológico ou palavra derivada por prefixação, ou pode-se considerar os dois processos? Quanto à palavra caça, a dúvida consiste na expressão «o caça». Esta palavra surge descontextualizada num exercício, pelo que creio que o raciocínio de quem o resolve pode levar à consideração de dois processos distintos de derivação, uma vez que tanto a conversão como a derivação não afixal permitem a formação de nomes a partir de verbos. Como classificar o processo da palavra «(a) caça» no par de frases «ele caça muito bem» e «a caça de elefantes é proibida» e da palavra «(o) caça» no par «ele caça muito bem» e «o caça voa a alta velocidade». A minha primeira lógica é classificá-los como conversão, mas serão ambas formadas da mesma forma? Se não, como explicá-lo a alunos de 8.º ano? Obrigada pela atenção.
A sintaxe do verbo colaborar
Cumprimentos, antes de mais, à equipa do Ciberdúvidas e os votos dum feliz Ano Novo! Num dos programas de rádio ouvi: "...Carlos Magno (...) colaborou reunificar boa parte do Ocidente Cristão ..." e tropecei em 'colaborar' completando-se directamente com um infinitivo. Uma pesquisa na internet trouxe mais um exemplo: "quem não colaborou fazer parte, que colabore". A dúvida é se o verbo 'colaborar' permite reger um infinitivo à maneira de combinar. acordar, etc. ou sempre se exige uma preposição (sic) 'para'? Caso se admita, qual será a função sintáctica desse e quais são, tecnicamente, locuções verbais cultas com o uso de 'colaborar'? Agradeço.
A sintaxe do nome informação
Senhores, primeiramente, deixo-lhes meus parabéns pelo excelente trabalho do portal. Leio costumeiramente as dúvidas aqui respondidas e sempre aprendo conteúdos novos e boas indicações de estudo. No momento, estou em um "debate linguístico" que divide o grupo mais próximo de professores em torno da classificação do termo «sobre o assunto», no seguinte período: «A falta de informações dos habitantes sobre o assunto faz com que a cidade entre em pânico a cada notícia.» Há colegas de trabalho que alegam ser adjunto adverbial de assunto deslocado, logo, deve ser separado por vírgulas; outros, em menor número, não aceitam e explicam que não há qualquer relação do termo com verbo ou outros termos adverbiais, sendo um complemento nominal da palavra informação – tanto é assim que, segundo eles, pode-se omitir o adjunto adnominal «dos habitantes», para perceber melhor a complementação de sentido. Claro, para esse segundo grupo, não há de se pôr vírgulas para separar o referido termo. Em [sua] opinião, qual é a classificação?
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