DÚVIDAS

«Com uma frequência suficientemente elevada que permita»
Antes de mais obrigada mais uma vez por toda a ajuda que nos prestam diariamente. Gostava de saber se a frase abaixo está correcta. A minha dúvida recai sobre a expressão «com uma frequência suficientemente elevada que permita»: «Em qualquer caso, a recolha deve ser realizada com uma frequência suficientemente elevada que permita obter informação estatisticamente válida.» O que se pretende dizer é que a frequência da recolha deve ser a suficiente para permitir obter resultados válidos, mas não sei se a frase acima está correcta e não posso alterar a ordem apresentada. Obrigada pela ajuda.
Portas, na Informática
Pretendia comentar, e suscitar a reapreciação, de uma resposta sobre a "porta-paralelo" dos computadores, dada anteriormente. Em minha opinião, deverá dizer-se "porta-paralelo" e não "porta-paralela", já que "paralelo" não é um adjectivo que esteja a qualificar a porta, mas significa "porta através da qual os ‘bits’ circulam em paralelo", isto é, em simultâneo e por fios diferentes, por oposição à "porta-série" (e não "de série", que significa "de origem"), através da qual os ‘bits’ circulam em série, isto é, uns após os outros. A porta-paralelo não é, na realidade, paralela a nada, o paralelismo refere-se aos ‘bits’, e com um significado menos geométrico e mais temporal.
Frases passivas e agente da passiva
A Gramática do Português da Fundação Calouste Gulbenkian distingue as orações passivas em verbais, resultativas e estativas, entre outras. No entanto, os exemplos dados por ela pareceram-me muito acomodatícios deixando de fora muitos outros, ficando eu sem saber julgá-los, pois os critérios apontados na gramática não se coadunam com as caraterísticas deles. Na página 441, no penúltimo parágrafo, a gramática chega a afirmar a impossibilidade de haver agente da passiva nas orações passivas resultativase na página 444 no segundo parágrafo afirma que a passiva estativa não tem componente agentiva. Por [tais critérios] me parecerem entrar em contradição com a gramática, cheguei até a duvidar da gramaticalidade das frases abaixo (2 e 3), no entanto, qualquer nativo português ou brasileiro a quem perguntei me assegurou da correção delas. 1) A cidade foi infestada pelos ratos. 2) A cidade ficou infestada pelos ratos. 3) A cidade está infestada pelos ratos. A mim parece-me que "os ratos" [...] são de fato agentes da infestação e podem ser considerados agentes da passiva, ou não? O que me parece é que depende dos verbos, como poderemos ver nos seguintes exemplos: A procuração já foi assinada pelo presidente. A procuração já está assinada pelo presidente. Finalmente a procuração ficou assinada pelo presidente.
A pronúncia de tectónico
Depois dos polvos pronunciados [pól], o sr. Daniel Catalão, locutor da RTPN, deixou-me, mais uma vez, perplexo (noticiário 27/02/2010, 19 horas) com a explicação dos terramotos por deslocação das placas "técnicas". Ora, se não estou muito esquecido destas questões de geomorfologia, eu diria que se trata de «placas tectónicas». Não, aqui o c pronuncia-se, portanto, salvo melhor opinião, mantenho-o na escrita. Não é assim?
A gramaticalidade de «a História me absolverá»
Está à venda nas livrarias um livro da Editorial Presença com o título A História me Absolverá sobre o julgamento de Fidel Castro pelo regime de Fulgencio Batista em 1953. Se lermos este excerto que a editora disponibilizou, podemos concluir que este livro está escrito na versão europeia do português. O título não deveria ser A História Absolver-me-á? Ou a mesóclise não é obrigatória neste caso?
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