DÚVIDAS

Apadrinhar ou amadrinhar?
Há dias, li no jornal "Público" este título de uma notícia: «Ana Gomes [dirigente do PS, ex-embaixadora portuguesa em Jacarta] apadrinha clube de reflexão política de jovens». A minha dúvida é se, sendo o sujeito da frase feminino, o predicado não devia antes ser "amadrinha". Ou seja, se "padrinho" deu "apadrinhar", qual, digamos, a ilegitimidade do substantivo "madrinha " permitir o verbo "amadrinhar" (aplicável, portanto, nos casos similares do título do "Público")? Muito obrigado pelo esclarecimento.
Favorito vs. preferido
«Aqui vem a sua música favorita», diz o locutor radiofónico; «é a minha comida favorita», diz a minha filha... Nas duas situações eu usaria preferida em vez de favorita. Estarei errado? Sempre associei o termo favorito a competição, a algo ou alguém que está melhor posicionado para alguma coisa («é a equipa favorita no campeonato», «o filme que era considerado o favorito naquela categoria», por exemplo). Já com a palavra preferido, penso numa escolha (quase subjetiva) de algo ou alguém («a minha música preferida», «ele é o aluno preferido da professora»). Por exemplo, eu poderia usar os dois na mesma frase: «eu acho que a equipa favorita no campeonato é X, mas a minha preferida é Y». Nos dicionários ambos os termos aparecem como possíveis sinónimos do outro, mas sem contexto algum. Gostaria de ser esclarecido sobre este tema. Obrigado.
Os acentos, os hiatos e os ditongos decrescentes
As formas “saía”, “saías” e “saíam” recebem acentuação segundo a regra: "acentuam-se 'i' e 'u' tônicos, quando hiatos, sozinhos ou com 's' na mesma sílaba, contanto que não venham, logo na próxima sílaba, seguidos de 'nh'". Sei que em “saía”, e.g., o 'i' faz hiato tanto com a vogal anterior quanto com a posterior (sa-í-a), mas, suponho, basta um hiato para a regra acima se aplicar. Destarte, as formas 'ia' (i-a), 'ias' (i-as) e 'iam' (i-am), todas, como se viu, dissílabas, e, portanto, fazendo 1 hiato, não deveriam ser acentuadas? Ou, para isso, há que formar hiato, obrigatoriamente, com a vogal anterior, como em “saía”? Creio que não. Reafirmo, pois, minha pergunta: quede o acento das formas supras do verbo ir (e, se não existem, por quê, já que, pelo hiato, como demonstrei, parecia-me claro que deveria haver)? Agradecido.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa