DÚVIDAS

«Em Angola», sem artigo definido
Tem havido constantes discussões entre angolanos e brasileiros nas redes sociais, aqueles corrigem estes, afirmando ser errado dizer-se «na Angola», sendo o certo, «em Angola». Face ao exposto, eis as minhas questões? 1. Qual é a forma correcta segundo as normas portuguesa e brasileira, respectivamente? 2. Caso seja incorrecto do ponto de vista gramatical, este desvio, por assim dizer, por ser extremamente comum entre os brasileiros, pode ser considerado correcto segundo à norma brasileira? O que se pode dizer do ponto de vista normativo e do ponto de vista descritivo? 3. O que se pode dizer do ponto de vista sociolinguístico? Obrigado.
Toponímia da Índia e norma portuguesa
Gostaria de saber quem é a "entidade reguladora" da língua portuguesa; ou seja, quem decide o que é uma nova palavra e qual é a ortografia correcta. Na realidade, a minha dúvida específica tem mais que ver com toponímia. Várias cidades indianas optaram, nos últimos anos, por reavivar os seus nomes originais e dispensar os nomes latinizados que lhes foram apostos pelos colonizadores europeus. Assim:Bombaim tornou-se Mumbai em 1995Madrasta tornou-se Chennai em 1996Calcutá tornou-se Kolkata em 2000. Porque é que, apesar dessa decisão, que acredito deve ser respeitada, em português continuamos a utilizar os nomes antigos? Quem pode determinar essa alteração? Posso simplesmente utilizá-los sem ser apontada por incorrecção? Obrigada.
O significado de surriada e de «homem de um trabalho»
Venho pedir o favor de me ajudar a resolver duas dúvidas. 1. O sentido da palavra surriada, na seguinte frase: «Todos sonhámos alguma vez salvar alguém de morrer nas águas, e eu, após ter esbracejado o melhor que sabia, tinha nos braços um boneco de plástico com uma careta de troça e o mecanismo interior duma surriada.» (J. Saramago, Manual de Pintura e Caligrafia) 2. O que quer dizer homem de um trabalho, na seguinte frase: «Mas eu não quis dar a volta ao Mundo, nem esta caligrafia seria capaz de levar-me tão longe, só projectei (homem de um trabalho) dar ao meu trabalho uma razão para continuar a ser.» (idem) Agradeço desde já a vossa atenção e ajuda.
Sobre o termo galiciano
Vi numa das vossas respostas que o termo galiciano pode ser aplicado tanto aos habitantes da Galícia da Europa Central como aos habitantes da Galiza espanhola. Contudo, no dicionário (Porto Editora), aparece somente a segunda definição, ou seja, somente como sinónimo de galego. Há aqui um esquecimento, uma lacuna? E mesmo que lá estivessem as duas definições, não seria mais lógico fixar uma palavra para cada conceito? É que assim, se uso o termo galiciano (numa tradução de um romance), querendo referir-me aos habitantes daquela região da Europa Central, não sei se o leitor vai pensar na Galícia ou na Galiza, o que gera uma grande confusão. Mas creio que não há solução, e estou a pensar se esta ambiguidade justifica ou não uma nota de rodapé na tradução... Obrigada pela atenção.
Levar uma surra, levar e ser levado
A gramática Amini Boainain Hauy, no livro Da necessidade de uma gramática-padrão da língua portuguesa (1983), diz que «os verbos que contêm passividade , como levar, sofrer e receber consideram-se neutros: Ele levou uma surra. Ele sofreu uma punição» (pág. 181). Nas frases abaixo : A) A ambulância levou Marcos. B) Marcos foi levado pela ambulância. A frase A está na voz ativa e a frase B na voz neutra? Grato pela resposta .
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