As figuras de estilo personificação e animismo
Pedia o favor de me esclarecerem uma dúvida. Sobre o poema O gato de louça, de Álvaro Magalhães (Porto, 1951), foi feita a seguinte pergunta: «Transcreve da segunda estrofe o verso que contém uma personificação.» Passo a transcrever as duas primeiras estrofes, no sentido de facilitar a resposta:
1 – «Coitado do gato de louça/pousado na mesa redonda,/sobre um pano de renda./Não há quem lhe fale./Não há quem o ouça.»
2 – «Nunca se mexeu,/nem quando as moscas lhe pousavam no nariz./Nunca ninguém o ouviu miar./Testemunha silenciosa/da vida no corredor,/o gato de louça viu tudo/o que ali fizemos em segredo/e não disse nada a ninguém.»
Na minha opinião, o único verso da 2.ª estrofe que contém uma personificação é «e não disse nada a ninguém», uma vez que a fala é própria apenas do ser humano. O mesmo já não se pode dizer de «o gato de louça viu tudo», pois outros seres vivos são dotados de visão. Penso tratar-se de animismo (?).
Obrigada.
Urtiga e ortiga
Gostaria que me esclarecessem do seguinte: aceitam-se as duas grafias, urtiga e ortiga?
Sobre o nome das letras
Luiz Gonzaga/Zé Dantas Luiz Gonzaga Lá no meu sertão Pros caboco lê Tem qui aprendê Um outro ABC O jota é ji O ele é lê o ésse é si Mas o erre Tem nome de rê Até o ypsilon Lá é pssilone O eme é mê O efe é fê O gê chama-se guê Na escola é engraçado Ouvir-se tanto ê a bê cê dê fê guê lê mê nê pê quê rê tê vê e zê. Cada vez mais se ouve a designação "guê" para a letra "gê". O dicionário da Porto Editora só na 7.ª edição introduziu essa designação, pois nas anteriores bem se pode procurar pelo "guê", que não se encontra. Também eu nada tenho contra o "guê", embora nunca tenha ouvido ninguém dizer "guê 3" nem ponto "guê" nem "bê cê guê". Mesmo pessoas que estão firmemente convencidas de que a letra se chama "guê" dizem "esse gê" se pretendem comprar cigarros dessa marca. Esse facto leva-me a pensar que efectivamente o nome da letra é em português "gê". Claro que, no ensino básico, os professores não estão a ensinar os nomes das letras e por isso utilizam designações mais próximas dos valores mais habituais das letras, e assim o "guê" surge para não se confundir com o "j". Já farto de discussões acerca dos nomes das letras, admirei-me que na aprendizagem do Grego os nomes (além dos valores) das letras fosse a primeira coisa que se ensinava, enquanto no Latim os nomes das letras nunca apareciam e nem sequer consegui ainda encontrar qualquer manual que os referisse. Isso espantou-me até porque a noção de que os nomes das letras portuguesas vêm dos nomes latinos é muito forte (e correcta). Não vou desvendar a minha fonte, embora bastasse um "link", pois foi na "net", mas acabei por encontrar a solução para esses problemas. Foi Varrão quem sistematizou o modo de dar nome às letras. Seguindo o que já era tradicional no Latim, decidiu distinguir as oclusivas das fricativas, sibilantes e líquidas, e assim o "e" de apoio às consoantes ora se coloca depois da letra ora vem antes: be, de ... ge (em Latim, o "g" era oclusiva), etc; ef, el, em, en, er, es. Ora, cá está desvendado o mistério de ser efe e não fê! Mas sobram outros mistérios... O "zê" deveria ser "eze", o vê" deveria ser "eve". Aqui entra a história do alfabeto latino. O "z" foi uma incorporação tardia, tal como o "v" (e o "j"), e por isso quem lhes deu os nomes não seguiu os princípios de Varrão. Nessa época o "cê" lia-se "kê", e o "gê" lia-se "guê". A evolução fonética levou a que o "c" e o "g" deixassem de ser oclusivas quando seguidas por "e" ou por "i". Mas como os seus nomes já estavam constituídos, com o apoio no "e" depois, ficámos com o cê e com o gê, tal como os lemos hoje em Português. Ninguém diz para introduzir um "u" (mas repare-se em "qu"). Em suma, tenho dois argumentos para defender a designação "gê" como a mais correcta em Português. A leitura dos acrónimos e os princípios de Varrão.
O plural de «par de jarras»
Qual o plural de «par de jarras», significando esta expressão «duas pessoas que andam sempre juntas» (linguagem coloquial)?
«O par de jarras» ou «os par de jarras», sendo que em cada uma das expressões nos queremos referir a apenas e só duas pessoas: qual é a forma correcta?
Possíveis usos:
a) «Desde que começou a quarentena, estou sempre a ver o par de jarras a deambular por aí»; ou b) «Desde que começou a quarentena, estou sempre a ver os par de jarras a deambular por aí»?
c) «O par de jarras vai ao baile»; ou d) «Os par de jarras vão ao baile»?
Obrigado!
Mentorando
Como deve designar-se em português a pessoa integrada num processo de desenvolvimento de competências/conhecimentos sob a orientação de um mentor? "Mentorando" ou "mentorado"?
Com base na definição dos sufixos -ando e -ado, defendo que será "mentorando"; contudo, vejo frequentemente em textos técnicos relacionados com a temática do desenvolvimento de competências o uso do termo "mentorado" referindo o sujeito integrado no processo.
Muito agradeço a vossa clarificação.
Preposição seguida de artigo definido sem contração
Gostaria de saber todos os contextos em que a preposição não contrai com o artigo, pronome, determinantes, infinitivo.
Fonemas da palavra homem
A palavra homem tem quantos fonemas?
Remuneração /salário / ordenado / vencimento
Qual das seguintes palavras será a mais correcta para nos referirmos ao rendimento dum trabalhador por conta de outrem: remuneração, salário, ordenado ou vencimento?
Obrigado.
Indefendível, indefensável e indefensível
Será indefensível, ou indefensável?
Vídeo
Qual a forma correcta de escrever: «video» ou «vídeo»?
