DÚVIDAS

Até (com valor de inclusão)
«Até às 10 horas»; «até dia 15»... A questão, por mais básica que seja, é a seguinte: Quando utilizamos a palavra "até", devemos considerar que estamos a falar inclusive ou exclusivamente? Pessoalmente, acho que devemos falar exclusivamente, no entanto, já me questionaram se não devia de ser inclusivamente. Em última análise, após a frase, podemos sempre colocar "inc. ou exc.", mas não me parece que seja o mais correcto.
O pronome demonstrativo no plural: «uma coisa dessas», «um absurdo desses»
Gostaria de saber o seu parecer a respeito da construção em que um pronome demonstrativo é posposto a um substantivo. Em pesquisa pela rede, encontrei apenas a prescrição de que o pronome deve ser colocado no plural: «uma coisa dessas», «um absurdo desses». Dessa forma, não se explica nada. Ademais, no meu entender, a suposta incorreção do singular não se justifica; ao contrário, o singular parece-me mais lógico, visto que se pode subentender o substantivo tipo ou natureza após o pronome (a construção indica tipificação): «Não diga um absurdo desse [tipo].» Pesquisando nos livros, encontrei um item sobre o assunto na Gramática de Usos do Português, da linguista brasileira Maria Helena de Moura Neves. Conforme atesta a transcrição a seguir, a autora entende as duas formas (singular e plural) como possíveis: «Como é que se passam coisas destas em sua casa, a cem metros da minha, e você não me chama, não me avisa?» (A viagem noturna. TEIXEIRA, M. L. São Paulo: Martins, 1965) (destas = deste tipo) «Pensava que Miguel morreria pelas suas mãos. Como se moldava um horror deste?» (O fiel e a pedra. LINS, O. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1961) (deste = deste tipo) «Ciúmes de Bebel, pode uma coisas dessas?» (O sorriso do lagarto. RIBEIRO, J. U. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984) (dessas = desse tipo) «Eu podia ter quebrado o braço. Uma altura dessa!» (O fiel e a pedra. LINS, O. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1961) (dessa = desse tipo) (NEVES, 2000, p. 506). Desde já agradeço a atenção.
Intimem-se
Apresentei aos senhores a seguinte questão: Na expressão "intimem-se os autores", usada pelos juízes para determinar à secretaria que cientifique os autores de uma ação do conteúdo de um ato processual, o verbo deve ser flexionado em função dos autores ou do destinatário da ordem (a secretaria)? O modo verbal empregado é adequado? A resposta abalizada, oferecida pelo professor José Neves Henriques, no dia 14 de agosto de 2001, aborda assunto correlato mas não enfrenta os tópicos destacados na formulação. Receio que não tenha sido suficientemente clara. No contexto, a ordem judicial submetida à análise pode ser dita sem alteração do sentido da seguinte forma: Providencie a secretaria a intimação dos autores. Os magistrados costumam grafar o verbo no singular (intime-se) ou no plural (intimem-se), conforme se cuide de autor ou autores, respectivamente. É correto o critério adotado para emprego da flexão do verbo nessas circunstâncias. Vejam bem! A atribuição de promover a intimação pertence às secretarias das varas judiciais. Solicito novo exame da questão. Desculpem a insistência. Obrigada.
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