Os significados do verbo dirimir
Gostaria de saber por que dirrimir tem o sentido de «impedimento de algo», quando na verdade significa «resolver, solucionar».
Grato.
Vírgula com orações/expressões de gerúndio
Numa oração, antes de um verbo no gerúndio, pode/deve ser colocada uma vírgula, ou este, por si só, serve para o efeito e permite a ausência da mesma?
Cláudia
Gostaríamos de saber se o nome Claudia leva acento gráfico (Cláudia) e porquê?
Importância da fonética e da fonologia
Qual a importância da fonética e da fonologia para o estudo da língua portuguesa?
«Dar pano para mangas» + «fazer correr muita tinta»
Qual a origem da locução «dar pano para mangas»? Ela pode ser considerada um sinônimo para «fazer correr muita tinta»?
Obrigado.
Holandês = neerlandês
Percorrendo as muitas respostas em arquivo na vossa excelente página encontrei várias que tentavam resolver o problema da utilização correcta da palavra «despoletar». A maior parte dos falantes de português diria que «despoletar» significa, entre outras coisas, «desencadear», «dar início a», geralmente por desconhecimento da palavra que deveria efectivamente ser usada nesses casos («espoletar») e de que só me ocorre um exemplo de uso correcto nas minhas muitas leituras (em Labirinto da Saudade, de Eduardo Lourenço). Dada esta situação, o problema que frequentemente se me coloca na minha profissão (tradutor) é não o de saber qual a palavra certa a utilizar (sempre conheci «espoletar» e o seu uso correcto) mas sim o de temer utilizá-la por receio de que os receptores julguem tratar-se exactamente do contrário. Chego a perguntar-me se não será melhor seguir o rebanho e tornar certo o que era errado por se tratar de expressões cunhadas pelo (mau) uso.
O mesmo se aplica ao uso (incorrecto?) dos adjectivos e substantivos «holandês», «flamengo», «Holanda» e «Flandres». Esse uso está já de tal modo generalizado (exceptuados os textos oficiais) que desesperei há muito da sua correcção e me pergunto (e a vós) se será legítimo aceitá-lo, na linguagem corrente, em virtude da sua difusão. O nome oficial do país a que habitualmente se chama «Holanda» é (Reino dos) Países Baixos, não passando a Holanda de uma das províncias (actualmente dividida em Holanda do Norte e Holanda do Sul). Dizer «Holanda» para designar todo o país é sinédoque justificada pela preponderância daquela província em termos económicos, culturais e políticos sobre todas as outras desde o século XVI até ao presente. «Flandres» era originariamente um condado vassalo da França, que se destacou pelo seu poderio económico e político na Idade Média. Vários documentos medievais portugueses referem-se a toda a região dos Países Baixos como Flandres, igualmente por sinédoque. Hoje em dia, «Flandres» pode designar duas coisas: qualquer uma das duas províncias do Reino da Bélgica (Flandres Oriental e Flandres Ocidental) ou toda a denominada Região Flamenga (uma das três que compõem a Bélgica), na qual se fala neerlandês, que é o idioma oficial tanto da Flandres (na segunda das acepções actuais) como do Reino dos Países Baixos. Não existe uma língua chamada «flamengo», embora se possa usar o adjectivo quando falamos de «cidades flamengas», «instituições flamengas», tal como é legítimo falar de «cidades holandesas» se estas se encontrarem na província da Holanda. Chamar «flamengo» ou «holandês» à língua neerlandesa parece-me o mesmo que dizer que os portugueses falam «lisboeta» ou «algarvio», e dizer que «os holandeses provocaram distúrbios», por exemplo, é temerário porque podemos, inadvertidamente, estar a englobar limburgueses, brabantinos, frísios e quaisquer habitantes das outras províncias dos Países Baixos. Será correcto tomar a parte pelo todo só porque se trata da designação mais familiar e em detrimento das outras? Não me parece, mas deixo-o à vossa consideração, uma vez que o (mau) uso parece estar a levar a melhor sobre a correcção. Inevitável?
Agradeço a vossa atenção e peço perdão pela usurpação do vosso espaço.
«Segunda demão» (de tinta)
Um amigo corrigiu-me quando lhe disse que ia dar uma segunda mão de tinta às cadeiras. Segundo ele, deveria ter dito «segunda demão». Poderiam, por favor, tirar-me esta dúvida? «Mão» ou «demão», neste caso específico?
Obrigada.
«Que horas são?» = «quantas horas são?»
Gostaria de tirar uma dúvida sobre como perguntar as horas. Por exemplo, por norma perguntamos: «Que horas são? São duas da tarde.» Também é correcto* perguntar «Quantas horas são? São duas da tarde»?
Obrigada.
*N.E. Manteve-se a forma "correcto", com "c", anterior à aplicação do Acordo Ortográfico de 1990. A grafia atualizada é correto.
O uso dos verbos ser e estar
Sou brasileira, mas moro fora do Brasil há dez anos. Meus filhos são bilingues, falam inglês e português.
Quero que eles continuem fluentes no português, mas que também leiam e escrevam. Para isso lhes ensino português em casa.
Já estou ensinando os verbos ser e estar para a minha filha.
E no outro dia me deparei com o seguinte exercício:
«Às vezes, _______ ingênuos. (somos/estamos).»
Ela me respondeu: «Às vezes, estamos ingênuos.»
O que na hora eu disse: «Está errado, o certo é "às vezes somos ingênuos".»
Então o argumento começou aí, pois eu tinha explicado a ela que quando usamos às vezes, hoje, ontem, etc. (qualquer fator que indique tempo), usamos o verbo estar.
Mas nesse caso tinha de ser o verbo ser e não consegui encontrar uma explicação.
Poderiam me explicar?
Aonde/onde quer que…
Chamo-me Cláudia, sou brasileira, mas estou a aprender a variante europeia do português porque tenho de ensiná-la para estudantes italianos. Esta semana, enquanto fazíamos uma pequena revisão sobre o uso do presente e do futuro do conjuntivo, surgiu uma dúvida. Na seguinte frase: Aonde quer que eu ____ (ir), encontra-o sempre. Alguns alunos usaram o conjuntivo presente, outros o conjuntivo futuro. Eu, particularmente, diria que o certo é “Aonde quer que vá, encontra-o sempre”, pois soaria estranho o uso do conjuntivo futuro. Estou a procurar em algumas gramáticas que tenho em casa, como, por exemplo, a do Celso Cunha & Lindley Cintra, mas não consegui obter nenhum esclarecimento. De qualquer forma, no método utilizado pela faculdade de línguas onde ensino, que é o “Português sem fronteiras”, há uma explicação que diz que o uso desta estrutura, ou seja, “aonde quer que .....”, pede o conjuntivo presente. Eu havia pensado que se, talvez, no segundo período houvesse um verbo no imperativo, poderíamos usar o conjuntivo futuro, o que vocês acham? Vocês poderiam ajudar-me?
