Agrafo e agrafe
Gostaria de saber qual a grafia correcta do seguinte substantivo: "agrafes", ou "agrafos"?
Muito obrigado.
Nem tanto ao mar, nem tanto à terra
"Nem tanto ao mar, nem tanto à terra."
É o que se diz às vezes sobre a escolha de um meio termo (ou "meio-termo", não sei se tem hífen ou não), em relação a um assunto qualquer. Imagino que seja um dito popular, se não for de autoria de algum escritor.
Minhas dúvidas com relação a essa frase são estas:
1) Estaria correto o uso da vírgula depois de "mar"? Caso sim, poderia ser escrita a frase sem a vírgula também? Então, caso fosse facultativo o uso da vírgula, que razões levariam a escolher usá-la ou não? *
A vírgula emprega-se, entre outros casos, em repetições de palavras que desempenham a mesma função, quando não estão ligadas pelas conjunções e, nem e ou. A frase popular «nem tanto ao mar nem tanto à terra» dispensa a vírgula, porque os seus dois membros estão ligados pela conjunção nem.
Mas é frequente a expressividade da linguagem «exigir» a colocação de vírgula antes daquelas conjunções. Atente-se nesta frase de Miguel Torga em «Bichos»: «Mas afinal não caía, nem o ar lha faltava, nem coisíssima nenhuma». Caro consulente, os melhores escritores da nossa Língua abonam a vírgula antes de nem... por razões estilísticas. **
2) Existiria crase antes de "terra"? Dizem que não existe no sentido oposto a mar e que existe no sentido de solo, mas não sei se, neste ditado, a palavra "terra" está no sentido de oposição a mar ou no sentido de solo mesmo.
Inclino-me a empregar nesta frase, antes de terra, a preposição a contraída com o artigo A, ou seja, «À terra», por analogia com «ao (a o) mar»: fazendo um daqueles paralelismos formais de que as sentenças populares tanto se socorrem, quantas vezes em detrimento dos rigores semânticos.
3) Qual seria a análise sintática e morfológica da frase?
Na frase «nem tanto ao mar nem tanto à terra», temos a ilustração do uso da figura de sintaxe chamada elipse, como processo estilístico adequado à enunciação rápida e concisa. A elipse é a omissão de termo(s) da oração que o contexto permite facilmente subentender: «vida difícil a nossa». Compreende-se que em provérbios, sentenças, divisas, se recorra frequentemente à elipse: «meu dito, meu feito», «Ano Novo, vida nova» etc.
A nossa frase apresenta duas orações coordenadas disjuntivas, às quais faltam o sujeito e o verbo, que poderiam ser «nem vamos (nós subentendido) tanto ao mar nem vamos (idem) tanto à terra; ficamos no meio- termo».
4) E o "nem"? Li, certa vez, que "nem" é igual a "e não"; mas se o "nem" fosse substituído por "e não" em frases como esta, não faria sentido algum, penso eu leigamente. Se não for exagero, os senhores poderiam me dizer de quais formas é usada a palavra "NEM" e suas classificações sintáticas e morfológicas?
Obrigado.
Nem é sempre conjunção coordenativa, isto é, relaciona sempre duas orações coordenadas. Mas pode ser conjunção coordenativa copulativa, e nesse caso significa «e não»: «não sei nem quero saber de histórias» «não é permitido pescar nem nadar neste lago»; ou conjunção coordenativa disjuntiva, quando liga duas orações alternativas, como é o caso, por exemplo, da frase de que nos temos ocupado.
O significado do ditado popular «Na cama que farás, nela te deitarás»
Gostaria de saber o significado do ditado popular «Na cama que farás, nela te deitarás».
A grafia da palavra urgente
Gostaria de saber se a palavra urgente leva acentuação no e, pois tenho a ideia de ter aprendido a escrever "urgênte", e não "urgente"...
Obrigado.
Formas corretas: adjetivos compostos relativos a cores
Estas formas estão corretas? Se não, qual seria o aconselhável?
1. calças vermelho-metálicas
2. placas amarelo-transparentes
3. mesas branco-foscas
4. garrafas azul-claras transparentes
5. mesas marrom-escuras foscas
6. latarias verde-claras metálicas
Sobre o uso de maiúsculas e de minúsculas
Tenho lido «continente africano» com as iniciais tanto em maiúsculas quanto em minúsculas. O mesmo se refere à expressão «celebração eucarística».
Quando se poderá escrevê-las com as iniciais em maiúsculas e minúsculas?
«Se não a vir», «se não vier», «vires» e «veres»
Tenho dúvidas sobre o uso dos verbos em certas frases, como, por exemplo:
1. «Se não a ver», ou «se não a vir»?
2. Ou «se não vier»?
3. E «veres» e «vires»?
Como referir-nos à primeira década do presente milénio?
Tenho uma dúvida com que me tenho confrontado, mas para a qual ainda não consegui encontrar resposta. Assim como nos referimos às décadas do século passado, por exemplo, como «anos 70» ou «década de 70», como devemos referir-nos à primeira década do presente milénio?
«Anos 00»? «Anos 2000»? «Década de 00»? «Década de 2000»?
Usa-se muito frequentemente a terminologia que se refere, por exemplo, aos anos 1970 ou 1980, mas essa forma não me parece correta, pois 1970 ou 1980 são anos concretos e não intervalos de tempo («anos 80» ou «década de 80» parece-me o mais adequado).
Muito obrigado.
Verbos defetivos impessoais e unipessoais
Consultei diversas gramáticas, prontuários e dicionários de verbos, mas nenhum destes me conseguiu elucidar em relação aos verbos defectivos impessoais e unipessoais. Não há um consenso em relação, por exemplo, aos tempos em que são conjugados esses verbos e às pessoas. Por exemplo: Chover, nevar, abrumar e anoitecer podem ou não ter imperativo? E quais os tempos que se conjugam? Podem ter gerúndio e particípio passado? E o infinitivo, é pessoal ou impessoal? E miar ou ladrar, zumbir, balir, cacarejar... (as vozes dos animais)? Conjugam-se todas as pessoas ou apenas a 3.ª do plural e do singular? Podem ter imperativo? E se podem, quais as pessoas que se conjugam? Obrigada.
O conceito de inferência em linguística
Gostaria de saber o que é inferência (pressupostos e subentendidos)
