DÚVIDAS

Negação, coordenação e as conjunções e e ou
Nestas três frases aqui, o mais indicado é utilizar "e"? Ou utilizar "ou"? E por quais motivos isso? 1) «Nenhum dos dois (pai e filho) quer arcar com as despesas!» («Pai e filho», ou «pai ou filho»?) 2) «Não convidei seu irmão e, muito menos, seu primo!» («E, muito menos» ou «ou, muito menos»?) «Ir à praia e ir à cachoeira»: qual será a melhor opção? «Ir à praia e ir à cachoeira» ou «Ir à praia ou ir à cachoeira»? Gramaticalmente correto e esteticamente bonito, qual vocês mesmos indicam para usar? E por que será? Muitíssimo obrigado e um grande abraço!
Preposições com que e se
Tenho uma dúvida sobre o uso da preposição em frases como: «Em uma conversa, esteja atento a se o seu interlocutor lhe entende.» «O professor estava atento a que ninguém colasse na prova.» «Ela mostrou-se grata a que a ajudassem naquele momento difícil.» Esse uso da preposição antes de que ou se é realmente natural no português, ou soa artificial? Pergunto porque, ao ensinar esse ponto aos alunos, a construção lhes pareceu estranha ao ouvido. Gostaria também de saber se há outros exemplos com outras preposições (como para, em, com) usadas antes de orações introduzidas por que ou se, para compreender melhor a extensão desse uso. Poderiam esclarecer a correção dessas construções e indicar bibliografia onde essa questão esteja tratada, de preferência com páginas específicas? Muito obrigado.
Um mas de Fernando Pessoa
Gostaria de esclarecer uma dúvida sintática a partir de uma frase escrita por Fernando Pessoa: «Sim, não há desolação, se é profunda deveras, desde que não seja puro sentimento, mas nela participe a inteligência, para que não haja o remédio irónico de a dizer.» O trecho que mais me intriga é: «...mas nela participe a inteligência...» Minha dúvida é quanto à natureza sintática e estilística dessa construção. Em português corrente, eu esperaria algo como: «...desde que nela participe a inteligência» ou «...a não ser que nela participe a inteligência», ou mesmo «...mas somente se nela participar a inteligência». A forma usada por Pessoa – «mas nela participe» – parece deslocar-se do uso adversativo comum do mas e se aproximar de uma construção concessiva ou condicional elíptica, talvez por razões estilísticas. Essa forma poderia ser considerada um galicismo sintático? Ou haveria influência do inglês, língua que Pessoa dominava e na qual também escrevia? Em inglês, construções como «There is no desolation, but that in it takes part the intelligence» seriam estilisticamente aceitáveis em prosa poética antiga, o que me faz suspeitar de possível interferência estrutural. Gostaria de saber como se classifica esse uso do mas na gramática do português e se há paralelos em nossa tradição sintática ou se trata mesmo de uma licença poética. Agradeço desde já pela atenção e pelos esclarecimentos.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa