A distinção entre orações subordinadas adverbiais causais e orações coordenadas explicativas suscita frequentemente dúvidas, uma vez que ambas podem ocorrer em contextos em que se estabelece uma relação com uma interpretação que aparenta ser idêntica. No entanto, apesar da proximidade semântica aparente, estamos perante construções gramatical e funcionalmente distintas, sobretudo quando se considera o seu comportamento sintático e o seu valor no plano discursivo.
De acordo com Maria Lobo, na Gramática do Português (Fundação Calouste Gulbenkian, p. 2011), as orações subordinadas adverbiais causais exprimem uma relação de causa factual entre dois estados de coisas. São geralmente introduzidas por conectores como porque, «uma vez que», «já que», «visto que», «dado que» ou como, encontrando-se sintaticamente dependentes da oração principal, integrando o seu conteúdo proposicional. A informação causal que veiculam contribui diretamente para o valor de verdade do enunciado, como se observa em (1):
(1) «A mãe ficou preocupada porque não telefonaste.»
Neste exemplo, a oração causal apresenta‑se como a causa objetiva do estado de coisas descrito («ficar preocupada»), fazendo parte daquilo que é afirmado sobre o mundo. Por esse motivo, este tipo de oração admite operações típicas das estruturas integradas, como a anteposição ou a negação, como ilustrado em (2):
(2) «Porque não telefonaste, a mãe ficou preocupada.»
As orações coordenadas explicativas, por sua vez, não exprimem uma causa objetiva do facto descrito, mas antes uma explicação ou justificação do enunciado produzido pelo falante. Segundo Gabriela Matos e Eduardo Raposo na Gramática do Português (Fundação Calouste Gulbenkian, p. 1814) são, normalmente, introduzidas por conjunções coordenativas como pois, porque ou porquanto e não estabelecem uma relação de subordinação sintática com a oração precedente. Funcionam num plano mais discursivo ou argumentativo, incidindo sobre o próprio ato de enunciação, como se verifica em (3):
(3) «A mãe ficou preocupada, pois não telefonaste.»
Neste caso, a segunda oração não integra o conteúdo proposicional da primeira oração, funcionando como um enunciado que apresenta uma justificação. Por isso, as coordenadas explicativas situam‑se num nível externo à frase nuclear e não contribuem para o seu valor de verdade. Não é a verdade do estado de coisas que está em causa, mas a pertinência ou razoabilidade da asserção efetuada. É neste sentido que se afirma que as orações coordenadas explicativas têm um valor explicativo‑justificativo, e não causal em sentido estrito. Embora o conector pois possa, noutros contextos, introduzir uma oração causal, o valor não decorre do conector isoladamente, mas da configuração sintática da estrutura e da função discursiva que a oração desempenha, como explica Carla Marques, nesta resposta do Ciberdúvidas.
A diferença entre os dois tipos de oração explica também por que razão as coordenadas explicativas não admitem, em regra, a anteposição, como se observa pela agramaticalidade de (4):
(4) «*Pois todos trazem o casaco, deve estar frio na rua.»
Resumindo, as orações causais explicam a causa do acontecimento descrito e fazem parte do conteúdo proposicional da frase; ao passo que as explicativas justificam o enunciado do falante, operando num plano metalinguístico ou discursivo