DÚVIDAS

O verbo copulativo tornar-se (II)
De acordo com a gramática tradicional, os verbos transitivos diretos e os verbos transitivos diretos e indiretos seriam os únicos a aceitar a transposição da voz ativa para a voz passiva. Portanto, a voz passiva sintética seria formada por um desses verbos mais a partícula apassivadora se. Os demais verbos transitivos indiretos, verbos intransitivos e verbos de ligação – quando acompanhados do índice de indeterminação do sujeito, também representado pelo pronome se - permaneceriam na 3.ª pessoa do singular já que o sujeito é indeterminado nesse caso. Gostaria de saber como se classificaria o pronome se na seguinte oração: «De uns tempos para cá, tornaram-se muito atraentes produtos alimentícios, farmacêuticos, bebidas e cigarros, pela facilidade de distribuição que propiciam.» O verbo «tornaram-se» não seria um verbo de ligação nesse caso? Acompanhado do predicativo «atraentes»? E se assim for, o pronome se não seria índice de indeterminação do sujeito? Entretanto o verbo está no plural e consigo fazer a transposição para a voz passiva analítica¹ e voz ativa²: ¹«Produtos (...) foram tornados muito atraentes pela facilidade de distribuição» ²«A facilidade de distribuição tornou os produtos (...) muito atraentes.» O verbo tornar-se, por ser pronominal, faria parte de alguma exceção»? Obrigada!
O uso frásico do advérbio estritamente
Há algo que vi recentemente, nunca havia pensado nisso, mas me surgiu do nada. Em casos como «É proibido estritamente usar, copiar ou referir-se a qualquer tipo de conteúdo protegido por direitos autorais», o correto seria «se referir», já que o advérbio estritamente estaria diretamente ligado aos três verbos, forçando o uso da próclise? Ou ele só modificaria o primeiro verbo, como por exemplo: «Fuja imediatamente caso se sinta, veja-se ou imagine-se em situação de perigo.» Ou, nesses casos, o advérbio obrigatoriamente deve estar entre vírgulas, podendo-se utilizar a ênclise? Agradeço desde já.
«Gostaríamos de convidá-los...»
(num convite de casamento)
É correcto escrever «Gostaríamos de convidá-los...» num convite de casamento? Uma pessoa disse que desta forma dá a entender uma intenção de convidar, mas não estamos realmente a convidar. Fiquei confusa pois pensei que se tratava de uma forma mais delicada de fazer o convite, usando o imperfeito de cortesia. Obrigada.   [N. R. – A consulente escreve correcto, conforme a ortografia anterior à que está em vigor (correto).]
O verbo estar na frase «Estar guardado num cofre»
Sou um aluno e encontram-me a realizar uma ficha de trabalho da disciplina de português. Entretanto, surgiu-me uma dúvida, que agradeço, humildemente, se ma conseguirem esclarecer. Na frase «o livro está guardado num cofre», o verbo estar é copulativo ou verbo auxiliar? Pergunto isto porque «guardado» será particípio passado, quando está presente em frases com formas verbais compostas («Eu tenho guardado os livros») e em frases passivas («Os livros foram guardados por mim»), e é adjetivo quando ocorre em frases predicativas, formadas com um verbo copulativo («O livro está guardado»). Todavia, como também temos a expressão «num cofre», receio que altere a minha suposição. Assim, qual a função sintática de «num cofre», se «guardado» puder ser classificado como predicativo do sujeito? Desde já agradeço a disponibilidade.
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